A Glória da Segunda Casa

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Ageu 2: 6,7; 9/ João 1: 14

“Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca; E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos […] A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos”

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”
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Na celebração (inauguração) do primeiro templo, a glória de Deus esteve sobre todo o templo. Tão forte e tão santa que nem mesmo os sacerdotes puderam permanecer e se retiraram em temor. (2 Cr. 7:1,2). Houve, porém, o dia em que esse templo foi destruído. Houve o dia em que foi novamente erguido.

Entretanto, a promessa de Deus descrita em Ageu para a glória do segundo templo haveria de se cumprir.

E cumpriu!

Num momento (de aprox. 400 anos), onde Deus não falou mais por intermédio de profetas, muita coisa aconteceu. Esse período ficou conhecido como o período do “segundo templo” ou, para alguns, “período inter bíblico”. Até à reforma desse mesmo templo por Herodes, Deus ainda não havia se pronunciado através de algum profeta ao povo. Mas, quando o anúncio do nascimento de João se espalha, tendo Zacarias visto um anjo no templo e testemunhado do tempo da salvação que ali se instaurava a partir de João, aconteceu um alvoroço! Opa! Alguma coisa está acontecendo! Logo, Maria recebe o anúncio do nascimento do Salvador, sendo ela a bem-aventurada por gerar em seu ventre a criança.

O Unigênito do Pai, que pode segurar com a palma de sua mão todo o universo, deixou a sua glória para flutuar no ventre de uma virgem.

Enquanto todo Israel voltava seus olhares para o templo e sob o peso da dominação romana, os que receberam a anúncio do salvador esperavam algo especial acontecer. E o menino crescia…

Da infância aos 30 anos de idade aproximadamente, Jesus era o judeu conhecido na região, que lia na sinagoga, que comparecia ao templo, que seguia a tradição religiosa de seu povo e que, até então, era o conhecido filho de José e Maria.

Mas o Filho de Deus se manifestou. Não com as mesmas características que aguardavam em expectativa os religiosos e sábios, mas na figura do homem que se fez servo. Servo que arrebanhou vários outros servos e se revelou como Filho do Deus vivo. Estava ali o Emanuel (Deus conosco). O mundo pôde ter sobre sua face o próprio Deus, mas o mundo não o conheceu. Mas, como relatou João, nós vimos a sua glória e a sua glória e sua glória se manifestou em nós.

Eis a glória do unigênito do Pai! E a glória de Cristo não encheu o templo físico. Não mais… Agora, a segunda casa teria uma glória maior que a primeira. E essa casa pode ser símbolo do coração daqueles que receberam a Cristo e viram a sua glória.

Essa segunda glória foi maior que a primeira porque a graça divina foi revelada. A insuficiência humana foi denunciada na entrega sacrificial do próprio Homem-Deus na cruz. Embora a glória no primeiro templo tenha sido algo majestoso, ainda – para o povo – era indireta. Foi notória! Mas indireta…Foi contada e anunciada, mas foi indireta.

Deus fez – na morte e ressurreição de seu Filho – tremer os céus e a terra, o mar a a terra seca. Todas as nações veriam e outras ainda verão a glória de Deus. Maior que a primeira por que? Porque Israel pôde contemplar a glória no primeiro templo. Agora, as nações podem receber a Cristo e os que são da fé poderão contemplar a glória do Unigênito do Pai!

Com Cristo, a glória pôde ser percebida em cada coração que foi alcançado pela graça do Pai. Foi a própria salvação tomando conta de nosso ser e transformando-nos. A Glória da segunda casa, portanto, foi maior que a primeira! Agora, somos templos do Espírito Santo. Como igreja, mostramos ao mundo a glória de Cristo. Neste lugar (em nossos corações) foi dada a paz!

Que Deus nos abençoe e que os nossos corações estejam transbordando das bênçãos eternas!

Gabriel F. M. Rocha.

Gabriel Felipe M. Rocha
Gabriel Felipe M. Rocha

Santificados na Verdade e para a Verdade

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Peço a Deus a ortodoxia e a disposição para os estudos teológicos dos reformados (para melhor zelar pela Verdade).

Peço a Deus a incansável insistência e teimosia dos arminianos para falar sobre a Verdade (porém com a verdade e coerência da Santa Palavra!).

Peço a Deus o coração animado e missionário dos batistas para mostrar com alegria e entrega a Verdade.

E peço a Deus o coração acolhedor e a coragem de pregar em qualquer lugar dos pentecostais, para fazer valer em minha vida a Verdade…

Cada um tem um pouco (ou muito) de cada um. Uns têm bastante zelo e pouca missão. Outros têm muita missão, mas pouca doutrina. Uns têm muita alegria e louvor, mas pouca missão e zelo doutrinário. Outros já têm um bom equilíbrio em todas essas coisas e vão muito bem…

Mas, cada um, com determinadas porções de cada um, compõe aquilo que a gente chama de Igreja, o Corpo, a presença e a Vida do Senhor anunciada através da minha vida e da sua vida.

Acima de todas as diferenças, a VERDADE deve ser defendida, pregada e evidenciada por todos aqueles que são de Cristo! Até que Cristo volte, estaremos separados por alguns pontos divergentes em nossas teologias. Contudo, jamais distantes em amor, respeito e parceria. Muitos têm seguido caminhos distantes da Verdade. Uns talvez seguirão seus próprios caminhos, mas a Igreja do Senhor está unida pela Verdade e a Verdade é o nome do Senhor que nos resgatou e está registrada na Bíblia que carregamos.

Um abraço carinhoso a todos!

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.
Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim; Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim” (João 17:17-23).

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Legalismo X Liberdade – A ameaça do legalismo

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Por Sam Storms

A palavra “liberdade” tem uma variedade de sentidos para várias pessoas. Para alguém que está preso, significa sair da cadeia cedo. Para um cidadão iraquiano, significa um governo democrático nas próximas eleições. Para o dono de uma pequena empresa, o significado pode ser em termos econômicos. Para alguém que morava em um país sob um regime comunista, pode ser que signifique a ausência de opressão social e política. Mas o que “liberdade” significa para o cristão? O que significa para você?

Em Gálatas 5.13, Paulo escreveu: “Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor”. Por que Deus, o Pai, colocou sobre você o seu amor salvífico? Por que Deus, o Filho, morreu por você? Por que Deus, o Espírito Santo, lhe chamou à fé nesse sacrifício? Liberdade! Para o cristão, liberdade significa uma de três coisas. Há, primeiramente, liberdade da condenação da ira de Deus. É isso que Paulo tinha em mente em Romanos 8.1 quando ele afirmou, “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus”. Em segundo lugar, há liberdade da compulsão do pecado. Romanos 6.14 nos assegura de que “o pecado não os dominará” já que “vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça”. E então, em terceiro lugar, há liberdade da consciência de outras pessoas, que é o tema principal do décimo quarto capítulo de Romanos. É a terceira dessas manifestações da liberdade cristã na qual quero me concentrar.

A ameaça do legalismo

Há pessoas, que professam a fé cristã, determinadas a colocar-lhe sob seu controle religioso. Eles estão determinados a lhe transformar num escravo da consciência deles. Construíram cuidadosamente uma caixinha religiosa, sem justificação bíblica, e tem o objetivo de colocá-lo lá dentro e fazer com que você se molde às suas dimensões. Eles são legalistas, e suas ferramentas são culpa, medo, intimidação e autojustificação. Eles proclamam o amor incondicional de Deus por você, mas insistem em colocar certas condições antes de lhe incluir dentre os aceitos, na elite aprovada, entre os poucos que têm o favor de Deus.

Não estou falando a respeito de pessoas que insistem que você obedeça certas leis ou regras morais para que seja salvo. Tais pessoas não são legalistas. Estes estão perdidos! Eles são facilmente identificados e rechaçados. Estou falando de cristãos legalistas cujo alvo é impor conformidade entre outros cristãos de acordo com suas preferências pessoais. Esses são os de estilo de vida legalista. Eles ameaçam tirar a sua alegria e arrancar a intimidade do seu relacionamento com Jesus. Eles podem até levá-lo a duvidar da sua salvação. Ele amontoam condenação e desprezo sobre a sua cabeça para que sua vida seja controlada e motivada por medo em vez de liberdade, alegria e gozo em Deus.

Essas pessoas raramente admitem qualquer parte disso. Eles não se percebem ou veem como legalistas. Se eles lerem este texto, provavelmente estão convencidos de que estou falando de outro alguém. Eles nunca se apresentariam dizendo: “Oi! Meu nome é João/Maria. Sou legalista e meu alvo é roubar a sua alegria e manter-lhe sob o julgo do meu preconceito religioso. Você gostaria de almoçar comigo depois do culto para que eu lhe diga tudo que você está fazendo de errado?”

Eu tenho a suspeita de que alguns de vocês ou são legalistas, mais provavelmente, ou vítimas de legalismo. Você vive com medo de fazer algo que outro cristão considera impiedoso, mesmo que a Bíblia não diga nada a respeito do assunto. Você teme trazer sobre si reprovação, desenho e rejeição fatal. Ou até pior, você teme a rejeição de Deus por violar tradições religiosas ou normas culturais que não têm base nas Escrituras, mas que são prezadas pelo legalista. Você foi enganado, levado a crer que o menor erro ou tropeço trará sobre você a reprovação e o desgosto de Deus.

Quando você está com outros cristãos, seja em casa ou num grupo no lar, ou mesmo só passando um tempo juntos, você se sente livre? Seu espírito está relaxado ou oprimido? Você sente aceitação ou condenação? Você se sente julgado, inadequado, inferior, culpado, imaturo, tudo por conta da sua percepção de ter falhado em se conformar ao que outra pessoa considera “santo”?

Jesus quer libertá-lo de tal escravidão! Como disse Paulo, “vocês foram chamados para a liberdade”!

Como pode Deus ser justo na eleição incondicional?

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Uma das objeções à eleição incondicional que ouvimos com mais frequência é que ela impugna a justiça de Deus. O arminiano afirma que Deus é desleal e injusto se trata as pessoas diferentemente ou concede a alguns um favor que nega a outros.

Mas essa é, certamente, uma maneira estranha de definir justiça. A justiça é o princípio em virtude do qual uma pessoa recebe o que lhe é devido. Negar a uma pessoa o que ela merece ou o que a lei exige que ela receba é agir injustamente. Como pode, então, ser injusto negar a uma pessoa o que ela não merece? Se você me deve e eu exijo pagamento, dificilmente se pode dizer que agi injustamente. De semelhante maneira, se você não me pagar, como é obrigado por lei, a justiça exige que você sofra as consequências.

Toda a humanidade tem uma dívida infinita para com Deus, tendo sido condenada justamente a sofrer as consequências penais que o pecado merece. Ninguém pode afirmar legitimamente que merece misericórdia ou clemência divina, porque “não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.12). O veredicto das Sagradas Escrituras é “culpado das acusações”, sem base para novo julgamento ou recurso.

Nenhuma acusação legítima pode ser movida contra o tribunal se o “Meritíssimo” entregar imediatamente toda a raça de Adão à morte eterna. Não há recurso cabível para os réus, nem na lei nem em si mesmos. Nenhum detalhe técnico do desenvolvimento processual do julgamento ou testemunha de caráter em favor do acusado pode ser reivindicado. Ao contrário dos juízes terrenos que podem ser confundidos por advogados de raciocínio rápido ou subornados por partidários inescrupulosos, Deus pesa todas as provas e julga com absoluta imparcialidade. O veredicto é o mesmo para todos: Culpado! A punição é a mesma para todos: Morte Eterna!

Deus não tem obrigação de salvar a ninguém, e é inteiramente justo em condenar a todos. O seu perdão a alguns se deve inteiramente à graça livre e soberana. Assim, “a maravilha das maravilhas”, diz Benjamin Warfield, “não é Deus, em seu infinito amor, não ter elegido todos desta raça culpada para serem salvos, mas ter elegido alguns. O que realmente precisa ser reconhecido — embora reconhecê-lo vá muito além do que nossa imaginação possa conceber — é como o Deus santo poderia consentir salvar um único pecador sem ir contra a sua natureza. Se sabemos o que é o pecado, o que é a santidade e o que é a salvação do pecado para a santidade, isso é o que enfrentaremos”.

Vejo-me obrigado a confessar que a pergunta que assombra meu coração não é “Como pode Deus ser justo?”, mas “Como pode Deus ser misericordioso?” Não é “rejeitei Esaú” que me incomoda, mas “amei Jacó” que me surpreende absolutamente.

Texto de Sam Storms, extraído do livro “Escolhidos: uma exposição da doutrina da eleição”.

Como saber se sou cristão?

Man reading the bible
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(POR KEVIN DEYOUNG)

Sempre que aconselho cristãos a procura da certeza da salvação, eu os levo para 1 João. Essa breve epístola é cheia de ajuda para determinar se estamos na fé ou não. Em particular, existem três sinais em 1 João dados a nós para respondermos a questão “Tenho confiança ou condenação?”

O primeiro sinal é teológico. Você pode ter confiança se você crê em Jesus Cristo, o Filho de Deus (5.11-13). João não quer que as pessoas tenham dúvida. Deus quer que você tenha segurança, que você saiba que tem a vida eterna. E esse é o primeiro sinal, que você acredita em Jesus. Você acredita que ele é o Cristo ou o Messias (2.22). Você acredita que ele é o Filho de Deus (5.10). E você acredita que Jesus Cristo veio em carne (4.2). Então, se você tem a sua teologia errada sobre Jesus você não terá a vida eterna. Mas um dos sinais que devem te dar confiança perante Deus é que você acredita em seu único filho Jesus Cristo nosso Senhor (4.14-16; 5.1,5)

O segundo sinal é moral. Você pode ter confiança se você vive uma vida justa (3.6-9). Aqueles que praticam iniquidade, que mergulham de cabeça no pecado, que não apenas tropeçam mas habitualmente andam na iniquidade não devem ser confiantes. Isso não é diferente do que Paulo nos diz em Romanos 6 que não somos mais escravos do pecado mas servos para a justiça e em Gálatas 5 que aqueles que andam na carne não herdarão o reino de Deus. Isso não é diferente do que Jesus nos diz em João 15 que uma árvore boa não pode gerar frutos ruins e uma árvore ruim não pode gerar frutos bons. Então, se você vive uma vida moralmente justa você pode ter confiança (3.24). E para que esse padrão não te faça desesperar, tenha em mente que parte de uma vida justa é recusar-se a afirmar que você vive sem pecado e vir a Cristo para nos purificar de todo pecado (1.9-10).

O terceiro sinal é social. Você pode ter confiança se você ama outros cristãos (3.14). Se você odeia como Caim você não tem vida. Porém, se o seu coração e a sua carteira estão abertos para irmãos e irmãs, a vida eterna permanece em você. Um sinal necessário de verdadeira vida espiritual é que amamos uns aos outros (4.7-12,21).

Essas são as três indicações de João para nos assegurar que estamos no caminho que leva para a vida eterna. Essas não são três coisas que devemos fazer para merecer a salvação, mas três indicadores de que Deus tem de fato nos salvado. Acreditamos em Jesus Cristo, o Filho de Deus. Vivemos uma vida justa. Somos generosos para com outros cristãos. Ou podemos colocar da seguinte forma: sabemos que temos a vida eterna se amamos Jesus, se amamos os seus mandamentos e se amamos o seu povo. Nenhum dos três é um opcional. Todos devem ser presentes no cristão, e todos são entendidos como sinais para a nossa certeza (veja 2.4,6; 4.20; 5;2).

João elabora os mesmos pontos repetidamente. Você ama a Deus? Você ama os seus mandamentos? Você ama o seu povo? Se não, é um sinal de que você tem a morte. Se sim, é um sinal de que você tem a vida. E isso significa confiança ao invés de condenação.

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Discipulado Verdadeiro

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Discipulado, discípulo, fazer discípulos, seguir o Mestre. Estas são palavras comumente ouvidas em nossa vida na cristã. Palavras muitas vezes ditas, às vezes ouvidas, nem sempre compreendidas… Nos tempos atuais às vezes entende-se “discipulado” como aulas teóricas da duração de uma apostila, ser “discípulo” é um estágio até atingir o grau de membro da igreja e “fazer discípulos” é o ato de evangelizar. Será que realmente vivemos o modelo de discipulado deixado por Jesus?
No evangelho segundo João capítulo 1 versículos 35 a 42, encontramos algumas características do discipulado que agrada a Deus:

1 – O verdadeiro discipulado é aquele que faz discípulos para Jesus, não seguidores de homens (vs. 35-37). A Palavra nos ensina que João estava na companhia de dois de seus discípulos e, quando anunciou que Jesus era o Cordeiro de Deus, estes o ouviram “e seguiram a Jesus”. No modelo de Jesus discipulado anuncia Cristo e o discípulo segue somente a Cristo.

2 – Discípulo é aquele que tem prazer em ouvir Jesus (vs. 38,39).Em dias onde o tempo é escasso e lidamos com um mundo repleto de entretenimentos e distrações, o verdadeiro discípulo é aquele que busca tempo para ouvir os ensinos de Jesus e os prioriza. No texto vemos que os dois discípulos, apesar do horário avançado, reconhecem que Jesus é o Mestre e entendem que precisam estar com Ele o quanto pudessem.

3 – Discípulo é aquele que tem alegria em dizer que achou Cristo e de conduzir seus conhecidos a Ele (v. 41).
André, ao reconhecer ser Jesus o Messias prometido, encontra-se com seu irmão, Simão, e anuncia-lhe ter encontrado o Messias e o conduz a um encontro com Cristo. Um verdadeiro discípulo sente prazer em dizer que encontrou a salvação, é um portador de boas notícias e conduz os seus a Jesus.

4 – Jesus sabe quem são seus discípulos (v. 42).
Quando Simão é conduzido ao Mestre, antes que se apresentasse Jesus já o conhece e, ao dar-lhe um novo nome, prenuncia o ministério que Simão, agora Pedro, teria entre os discípulos. Antes de conhecermos a Jesus ele já nos conhecia.
Que você continue a ser um discípulo seguidor de Jesus. Que continue a alegra-se em aprender Dele, que anuncie a todos que o encontrou e que mais e mais pessoas sejam alcançadas por Jesus através de você.

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16 argumentos que mostram que Cristo não morreu pela salvação de todos os homens

(Por John Owen)

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  1. Dois argumentos baseados na natureza do novo concerto

Argumento 1 – Em Mateus 26:28 o Senhor Jesus Cristo fala de “o meu sangue, o sangue do Novo Testamento”. Este novo “testamento”, ou “concerto” é um novo acordo, ou contrato, que Deus fez para salvar os homens. O sangue de Cristo derramado em Sua morte, é o preço desse acordo, e diz respeito somente àqueles a quem o acordo se aplica.

Este novo acordo, ou aliança, é diferente do velho acordo que Deus fez com os homens. Pelo velho acordo (ou concerto) Deus prometeu salvar todos os que guardassem as Suas leis: “o homem que fizer estas coisas viverá por elas”. (Romanos 10:5; Levítico 18:5). Mas, em razão dos homens serem pecadores, eles não podem guardar as leis de Deus. Portanto, o velho acordo ficou sem efeito.

No novo acordo, Deus promete colocar Suas leis em nossas mentes e escrevê-las em nossos corações (Hebreus 8:10). É claro, então, que esse acordo diz respeito somente àqueles em cujos corações e mentes Deus realmente faz isso. Desde que Deus, obviamente, não faz isso para todos os homens, todos os homens não podem estar incluídos no acordo pelo qual Cristo morreu.

Alguns têm sugerido que Deus iria escrever Sua lei em nossas mentes se apenas crêssemos. Mas, fé é a mesma coisa que ter a lei de Deus escrita em nossos corações!

Então, falar como alguns, significa dizer: “se a lei está em nossos corações (isto é, como ela é, em todos os crentes), Deus promete que Ele irá escrever Sua lei em nossos corações” – o que é uma tolice! A natureza do novo concerto deixa claro que a morte de Cristo não foi por todos os homens.

Argumento 2 – O evangelho – em outras palavras, as novas sobre o novo concerto – tem estado no mundo desde os tempos de Cristo. Contudo, nações inteiras têm vivido sem qualquer conhecimento dele. Se o objetivo da morte de Cristo era salvar todos os homens, sob a condição de que eles cressem, então o evangelho devia ter sido anunciado a todos os homens.

Se Deus não providenciou para que todos os homens ouvissem o evangelho, então, ou deveria ser possível que todos os homens fossem salvos sem fé e sem conhecimento do evangelho, ou o propósito de salvar todos os homens falhou, uma vez que nem todos os homens ouviram o evangelho. A primeira afirmativa não pode ser verdadeira, pois a fé é uma parte da salvação (ver Parte Dois, capítulo cinco). A última afirmativa também não pode ser verdadeira; seria próprio da sabedoria de Deus enviar Cristo para morrer a fim de que todos os homens fossem salvos, sem, contudo, certificar-Se de que todos os homens ouvissem o evangelho? Seria a benignidade de Deus demonstrada através de tal comportamento?

Isso seria como se um médico dissesse que tem um remédio que curaria a doença de todos. E, no entanto, escondesse, deliberadamente, tal conhecimento de muitas pessoas. Poderíamos realmente argumentar, nesse caso, que o médico pretendia, genuinamente, curar a doença de todos?

Há muitos versículos bíblicos que deixam claro que milhões jamais ouviram uma palavra sobre Cristo. E não podemos apresentar outra razão para isso, senão a razão que o próprio Jesus deu: “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve”. (Mateus 11:26). Tais versículos como Salmo 147: 19-20; Atos 14: 16; Atos 16: 6-7; confirmam os fatos de nossa experiência comum de que o Senhor não tomou qualquer providência para assegurar que todos ouvissem o evangelho. Precisamos concluir que não é propósito de Deus salvar todos os homens.

  1. Três argumentos baseados nas descrições bíblicas da salvação

Argumento 3 – As Escrituras descrevem o que Jesus Cristo obteve com Sua morte como “redenção eterna” (isto é, nossa libertação do pecado, da morte e do inferno, para sempre). Ora, se esta bênção foi comprada para todos os homens, então todos os homens têm esta redenção eterna automaticamente; ou ela está à disposição de todos os homens na dependência do cumprimento de certas condições.

De acordo com nossa experiência, não é verdade, de maneira alguma, que todos os homens têm redenção eterna. Portanto, seria a redenção eterna disponível sob certas condições?

Pergunto, Cristo satisfez essas condições por nós, ou apenas nos tornamos merecedores do cumprimento dessas condições se outras condições forem cumpridas por nós? A primeira dessas afirmativas – que Cristo realmente cumpriu todas as condições necessárias quanto ao dom da redenção eterna – significa que todos os homens têm realmente essa redenção; o que, como já temos visto, não concorda com nossa experiência a respeito dos homens! Temos que dizer, portanto, que se Cristo não cumpriu as condições para que todos os homens obtivessem a redenção, Ele deveria ter cumprido essas condições apenas por aqueles que cumpririam outras condições. Estamos agora andando em círculos, fazendo com que aquelas condições que foram cumpridas dependam de que outras condições sejam cumpridas! Estes argumentos demonstram quão irracional é supor que Cristo morreu a fim de obter a salvação eterna para todos os homens.

Se insiste ainda que a redenção eterna é obtida sob o cumprimento de certas condições, então, todos os homens deveriam ser notificados. Mas, esse conhecimento lhes tem sido sonegado, como vimos na Terceira Parte, capítulo um.

Além disso, se a obtenção da redenção eterna depende do homem cumprir condições, então ou eles têm ou não têm o poder para fazer isso. Se são capazes por si mesmos de cumprir as condições necessárias, então temos que dizer que todos os homens podem, por si mesmos, crer no evangelho. Mas isto é bastante contrário às Escrituras, as quais mostram que os homens estão mortos em pecado e, portanto, não podem cumprir quaisquer condições.

Se concordamos que os homens não podem, por si mesmos, cumprir as condições para a obtenção da salvação eterna, então, ou Deus intenta dar-lhes esta habilidade, ou não. Se Ele realmente intenta isto, então, por que não o faz? Assim, todos os homens seriam salvos.

Se, entretanto, Deus não pretende dar a todos os homens a capacidade de crer, e, contudo, Cristo morreu para que todos os homens tenham a salvação eterna, então, Deus está requerendo dos homens que tenham habilidades as quais Ele recusa dar-lhes. Isto não seria uma loucura? É como se Deus prometesse dar a um homem morto o poder de vivificar-se a si mesmo, mas ao mesmo tempo não tenha a intenção de lhe dar o poder prometido!

Argumento 4 – A Bíblia descreve cuidadosamente aqueles pelos quais Cristo morreu. Lemos que toda a raça humana pode ser dividida em dois grupos, e que Cristo morreu apenas por um desses grupos.

Os versículos bíblicos que mostram que Deus dividiu os homens em dois grupos são:

Mat. 25:12 e 32 Jo. 10:14,26
Jo. 17:9, 1Ts. 5:9
Rom. 9:11-23

Daí aprendemos que há aqueles a quem Deus ama, e aqueles a quem Ele odeia; aqueles a quem Ele conhece, e aqueles a quem Ele não conhece.

Outros versículos deixam claro que Cristo morreu apenas por um destes dois grupos. É-nos dito que Ele morreu por:

Seu povo – Mt. 1:21
Suas ovelhas – Jo. 10:11,14
Sua igreja – At. 20:28
Seus eleitos – Rom. 8:32-34
Seus filhos – Heb. 2:13

Acaso não deveríamos concluir, de tudo isso, que Cristo nã morreu por aqueles que não são Seu povo, ou Suas ovelhas, ou Sua Igreja? Ele não pode, portanto, ter morrido por todos os homens.

Argumento 5 – Não devemos descrever a salvação de nenhuma maneira diferente daquela que a Bíblia a descreve. E a Bíblia não diz, em lugar algum, que Cristo morreu “por todos os homens”, ou por cada homem em particular. Ela diz que Cristo deu Sua vida “em resgate de todos”; entretanto, isso não pode provar que signifique mais que “todas as Suas ovelhas” ou “todos os Seus eleitos”. Se estudarmos cuidadosamente qualquer versículo que emprega a palavra “todos” e o examinarmos em seu contexto, logo estaremos convencidos de que, em lugar algum, as Escrituras dizem que Cristo morreu por todos os homens, sem exceção de nenhum.

(Na Quarta Parte, capítulos três e quatro, vamos considerar, detalhadamente, muitos versículos bíblicos nos quais as palavras “mundo” e “todos” são usadas em conexão com a morte de Cristo.)

  1. Dois argumentos baseados na natureza da obra de Cristo

Argumento 6 – Há muitos versículos bíblicos que falam do Senhor Jesus Cristo tornando-Se responsável por outros na Sua morte; por exemplo:

Ele morreu por nós – Rom. 5:8
Foi feito maldição por nós – Gál. 3:13
Foi feito pecado por nós – 2Co. 5:21

Tais expressões deixam claro que qualidade de substituto de outro.

Ora, se Ele morreu em lugar de outros, segue-se que todos aqueles cujo lugar Ele tomou devem estar agora livres da ira e do julgamento de Deus. (Deus não pode punir justamente Cristo e aqueles a quem Ele substituiu!) Contudo, está claro que nem todos os homens estão livres da ira de Deus (ver João 3:36). Portanto, Cristo não pode ter sido o substituto de todos os homens.

Se insiste ainda que Cristo realmente morreu como um substituto de todos os

homens, então devemos concluir que Sua morte não foi um sacrifício bastante suficiente, pois nem todos os homens são salvos do pecado e do julgamento!

De fato, se Cristo realmente morreu em lugar de todos os homens, então, ou Ele Se ofereceu a Si mesmo como um sacrifício por todos os pecados deles (neste caso, todos os homens são salvos), ou foi um sacrifício por alguns dos pecados deles apenas (neste caso, ninguém é salvo, pois alguns pecados permanecem). Nem uma nem outra dessas declarações pode ser verdadeira, como nós já temos visto neste livro (Primeira Parte, capítulo três). Deve ser evidente que não podemos dizer, de maneira alguma, que Cristo morreu por todos os homens.

Argumento 7 – As Escrituras descrevem a natureza da obra que Cristo realizou, como a obra de um mediador e de um sacerdote:

Ele “é Mediador dum novo Testamento” (Hebreus 9:15). Ele age como um mediador sendo o sacerdote daqueles que Ele leva a Deus. Que Jesus Cristo não é o sacerdote de todos é óbvio, tanto pela experiência como pelas Escrituras; nós já discutimos isso na Segunda Parte, capítulo dois.

  1. Três argumentos baseados na natureza da santidade e da fé

Argumento 8 – Se a morte de Cristo é o meio pelo qual aqueles por quem Ele morreu são purificados do pecado e são santificados, então Ele deve ter morrido somente por aqueles que realmente estão limpos de pecados e santificados. É óbvio que nem todos os homens são santificados. Portanto, Cristo não morreu por todos os homens.

Talvez eu deva provar que a morte de Cristo é, de fato, o meio para obter a purificação e a santidade. Vou fazer isso de duas maneiras:

Primeira, o padrão de adoração do Velho Testamento destinava-se a ensinar verdades a respeito da morte de Cristo. O sangue dos sacrifícios do Velho Testamento fez com que aqueles por quem era derramado se tornassem adoradores aceitáveis a Deus. Se foi assim, quanto mais o sangue de Cristo deve realmente purificar do pecado aqueles por quem Ele morreu? (Hebreus 9: 13-14).

Segunda, há versículos bíblicos que declaram com clareza que a morte de Cristo faz realmente as coisas que ela intencionava fazer; o corpo do pecado é destruído, para que não mais sirvamos ao pecado (Romanos 6:6); temos redenção através do Seu sangue (Colossenses 1: 14); Ele Se deu a Si mesmo para nos remir e nos purificar (Tito 2: 14). Estes versículos, e muitos outros, enfatizam que a santidade é o resultado certo nas vidas daqueles por quem Cristo morreu. Visto que todos os homens não são santos, Cristo não morreu por todos os homens.

Alguns sugerem – inutilmente! – que a morte de Cristo não é a única causa dessa santidade. Dizem que ela somente se torna verdadeira ou real quando o Espírito Santo a traz, ou quando é recebida por fé. Mas a obra do Espírito Santo, e o dom da fé, são também o resultado ou o fruto da morte de Cristo! Assim sendo, essa sugestão não altera o fato que a verdadeira santidade é o resultado certo somente nas vidas daqueles por quem Cristo morreu. O fato do juiz dar permissão ao carcereiro para destrancar a porta da prisão, não é a causa do prisioneiro ser posto em liberdade; a causa é que alguém pagou seus débitos por ele.

Argumento 9 – A fé é essencial à salvação. Isso é claro nas Escrituras (Hebreus 11:6) e a maioria das pessoas aceita o fato. Mas, como já temos visto, tudo que é necessário para a salvação foi obtido para nós por Cristo.

Ora, se esta fé essencial é obtida para todos os homens por Cristo, então é nossa com ou sem certas condições. Se é sem condições, então todos os homens a têm. Mas isso é contrário à experiência, e também às Escrituras (2 Tessalonicenses 3:2). Se a fé é dada somente sob certas condições, então eu pergunto: sob que condições?

Alguns dizem que a fé é dada sob a condição de que nós não resistamos à graça de Deus. Contudo, não resistir significa, realmente, obedecer. Obedecer significa crer. Portanto, o que estes amigos realmente estão dizendo é: “a fé é concedida somente àqueles que crêem” (isto é, àqueles que têm fé!). Isso é completamente absurdo.

Por outro lado, alguns argumentam que a fé não é obtida para nós pela morte de Cristo. Então, seria a fé um ato de nossa própria vontade? Mas isso é bastante contrário àquilo que muitos versículos bíblicos ensinam, e ignora o fato de que os incrédulos estão mortos em pecados, incapazes de realizar qualquer ato espiritual (I Coríntios 2:14). Portanto, volto à posição de que a fé é obtida por Cristo.

A fé é uma parte essencial da santidade. No Argumento 8, mostrei que a santidade é obtida para nós pela morte de Cristo. Portanto, Ele também obteve a fé para nós. Negar isso é dizer que Ele obteve apenas uma santidade parcial, isto é, uma fé deficiente. Ninguém sugere isso seriamente. Mais ainda, Deus escolheu Seu povo, como nos é dito, a fim de que ele fosse santo; Deus “nos elegeu … para que fôssemos santos” (Efésios 1 :4). Repetindo, a fé é uma parte essencial da santidade. Ao eleger Seu povo para ser santo, necessariamente Deus decidiu que ele teria fé.

Era parte do pacto entre Deus, o Pai, e Deus, o Filho, que todos aqueles por quem Cristo morreu tivessem as bênçãos que o Pai tencionava dar-lhes. A fé é uma das bênçãos que o Pai dá (Hebreus 8:10,11).

As Escrituras afirmam claramente que a fé é obtida para nós por Jesus Cristo, que é “o autor e consumador da fé” (Hebreus 12:2). Declarações como esta e as declarações dos três parágrafos acima, que acabamos de ler, confirmam, todas elas, que a morte de Cristo obtém fé para Seu povo. Visto que não são todos os homens que a têm, Cristo não pode ter morri do por todos os homens.

Argumento 10 – O povo de Israel era, de muitas maneiras, uma espécie de ilustração da Igreja de Deus do Novo Testamento (I Coríntios 10:11). Seus sacerdotes e sacrifícios eram exemplos daquilo que Jesus viria fazer pela Igreja de Deus. Jerusalém, a cidade deles, é usada como uma figura do céu do crente (Hebreus 12:22).

Um verdadeiro israelita é um crente (João 1:47) e um verdadeiro crente é um israelita (Gálatas 3:29). Portanto, eu argumento da seguinte maneira:

Se a nação dos judeus foi escolhida por Deus, entre todas as nações do mundo, para ilustrar Suas relações com a Igreja, segue-se, então, que a morte de Cristo foi somente pela Igreja e não pelo. mundo todo. A maneira como Deus tratou o Seu povo escolhido no Velho Testamento é uma ilustração de que a salvação obtida por Cristo não é para todos os homens, mas é apenas para o Seu povo escolhido.

  1. Um argumento baseado no significado da palavra “redenção”

Argumento 11 – A maneira como a Bíblia descreve uma doutrina deve nos ajudar a entender a doutrina. Uma palavra bíblica que é usada para descrever a salvação obtida por Cristo é a palavra redenção. Exemplo: ” …temos a redenção pelo seu sangue”(Colossenses 1:14). Essa palavra significa “libertar uma pessoa do cativeiro através do pagamento de um preço”. A pessoa não está redimida a não ser que seja libertada. Por isso, a própria palavra nos ensina que Cristo não pode ter obtido a redenção para aqueles que não estão livres. A redenção universal (assim chamada!) que finalmente deixa alguns ainda no cativeiro é uma contradição de termos.

O sangue de Cristo é realmente chamado de preço, e de resgate, em alguns versículos bíblicos (vide Mateus 20:28). Ora, o propósito de um resgate é obter a libertação daqueles pelos quais o preço é pago. É inconcebível que um resgate seja pago e a pessoa ainda continue prisioneira. Por conseguinte, como pode ser argumentado que Cristo morreu por todos os homens, quando nem todos os homens são salvos? Somente os que estão realmente livres do pecado podem ser aqueles por quem Cristo morreu. “Redenção” não pode ser “universal”, como “romano” não pode ser “católico”! A redenção tem que ser particular, visto que somente alguns são redimidos.

  1. Um argumento baseado no significado da palavra “reconciliação” 

Argumento 12 – Uma outra palavra que a Bíblia usa para descrever aquilo que

Cristo obteve mediante Sua morte, é a palavra reconciliação: “…inimigos… vos reconciliou.” (Colossenses 1:21). Reconciliação quer dizer restaurar as relações de amizade entre duas partes que anteriormente eram inimigas. Na salvação, da qual a Bíblia nos fala, Deus é reconciliado conosco e nós somos reconciliados com Deus.

Estas duas coisas têm que ser verdadeiras; a reconciliação de uma parte e da outra são dois atos separados, mas ambos são necessários para tornar uma reconciliação completa. É uma tolice sugerir que Deus, por intermédio da morte de Cristo, agora está reconciliado com todos os homens, mas que somente alguns homens estão reconciliados com Ele. Espero que ninguém sugira que Deus e todos os homens estão reconciliados desta maneira. Isso seria uma reconciliação capenga! Não há verdadeira reconciliação a menos que ambas as partes estejam reconciliadas uma com a outra.

O efeito da morte de Cristo foi a reconciliação tanto de Deus com os homens como os homens com Deus; “fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho” (Romanos 5:10) e “nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.”(Romanos 5:11). Ambas as reconciliações são, também, mencionadas em II Coríntios 5:19-20 – “Deus … reconciliando consigo”, e “vos reconcilieis com Deus”.

Ora, como esta dupla reconciliação pode ser “reconciliada” com a noção de que

a morte de Cristo é para todos os homens, eu não posso entender! Porque, se todos os homens são, pela morte de Cristo, assim duplamente reconciliados, como pode acontecer que a ira de Deus esteja sobre alguns? (João 3:36). Sem dúvida alguma, Cristo somente pode ter morri do por aqueles que estão realmente reconciliados.

  1. Um argumento baseado no significado da palavra ” satisfação

Argumento 13 – E verdade que a palavra satisfação não é usada na versão inglesa da Bíblia, com referência à morte de Cristo. Mas, aquilo que a palavra significa, isto é, “um pagamento total daquilo que é devido a um credor por um devedor” é um pensamento frequentemente usado no Novo Testamento, quando se refere à morte de Cristo.

Em nosso caso, os homens são devedores a Deus, pois falharam em obedecer aos Seus mandamentos. A satisfação requerida para pagar nosso pecado é a morte – “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). As leis de Deus nos acusam, expressando a justiça e a verdade de Deus. Perante elas estamos convictos de que somos seus transgressores, merecendo, portanto, morrer. A salvação só é possível se Cristo pagar nosso débito e, assim, satisfazer a justiça de Deus. Sua morte é chamada de uma”oferta” (Efésios 5:2) e de “propiciação” (l João 2:2). A palavra oferta significa um sacrifício de expiação ou um sacrifício para fazer reparação devido o pecado.

Propiciação significa uma oferta para satisfazer a justiça ofendida. Dessa forma, podemos usar corretamente a palavra satisfação para abranger todo o ensino bíblico quanto ao significado da morte de Cristo.

Ora, se Cristo pela Sua morte realmente fez uma satisfação por alguns, então Deus precisa agora estar completamente satisfeito com eles. Deus não pode requerer licitamente um segundo pagamento de qualquer espécie. Então, como pode ser que Cristo tenha morrido por todos os homens e ainda muitos vivam e morram como pecadores sob a condenação da lei de Deus? Reconciliem essas coisas aqueles que podem! Afirmo que somente os que estão realmente livres do débito nesta vida podem ser aqueles pelos quais Cristo pagou a satisfação.

  1. Dois argumentos baseados no valor da morte de Cristo

Argumento 14 – O Novo Testamento fala, frequentemente, do valor da morte de Cristo, com a qual Ele pôde comprar e obter certas coisas. Exemplo: é dito que a redenção eterna é obtida “por seu próprio sangue” (Hebreus 9:12); é dito que a Igreja de Deus foi resgatada “com seu próprio sangue.” (Atos 20:28); e os cristãos são chamados “povo adquirido” (I Pedro 2:9).

Cristo por Sua morte, então, comprou para todos aqueles por quem Ele morreu, todas aquelas coisas que a Bíblia salienta como resultados de Sua morte. O valor da Sua morte comprou a libertação do poder do pecado e da ira de Deus, da morte e do poder do diabo, da maldição da lei e da culpa do pecado. O valor da Sua morte obteve a reconciliação com Deus, paz e redenção eterna. Estas coisas são agora dons gratuitos de Deus, porque Cristo as comprou. Se Cristo morreu por todos os homens, por que então todos os homens não têm essas coisas? Será que o valor da Sua morte não é suficiente?

Será que Deus é injusto por não dar a todos aquilo que Cristo comprou? Tem que ser óbvio que Cristo não pode ter morrido para adquirir essas coisas para todos os homens, e sim somente para aqueles que realmente desfrutam delas.

Argumento 15 – Há frases que são frequentemente empregadas para se fazer referência à morte de Cristo, tais como: morrendo por nós; suportando nossospecados; sendo nossa segurança. O significado evidente de tais frases é que Cristo, em Sua morte, foi um substituto de outros para que eles pudessem ser livres.

Se, em Sua morte, Cristo foi um substituto de outros. como podem eles mesmos morrerem também, carregando ainda seus próprios pecados? Assim sendo, Cristo não pode ter sido um substituto a favor deles. Daí, fica claro que Ele não pode ter morrido por todos os homens.

De fato, dizer que Cristo morreu por todos os homens é a maneira mais rápida de provar que Ele não morreu por ninguém. Porque se Ele morreu em lugar de todos, e, contudo, nem todos são salvos, então Ele falhou em Seu propósito.

  1. Um argumento geral baseado em versículos específicos das Escrituras 

Argumento 16 – Há um grande número de versículos bíblicos que eu poderia usar para argumentar que Cristo não morreu pelos pecados de todos os homens. Vou selecionar apenas nove, e, com eles, encerrar nossos argumentos nesta parte.

  1. Gênesis 3: 15. Este é o primeiro versículo bíblico no qual Deus indica que há uma diferença entre o povo de Deus e seus inimigos. “…sua semente” (da mulher) significa Jesus Cristo e, portanto, também todos os crentes em Cristo. (Isto é claro a partir do fato de que a profecia sobre a semente da mulher é cumprida em Cristo e em Seu povo). “…tua semente”(da serpente) significa todos os homens incrédulos do mundo (Vide João 8:44). Desde que Deus prometeu somente inimizade entre a semente da serpente e a semente da mulher, é óbvio que Cristo, a semente da mulher, não morreu pela semente da serpente!
  1. Mateus 7:23. Cristo aqui declara que há pessoas que Ele jamais conheceu. Contudo, em outro lugar (João 10:14 a 17) Ele diz que conhece todo o Seu povo. Será que Ele não conhece todos aqueles por quem morreu? Se há alguns que Ele não conhece, então Ele não pode ter morrido por eles.
  1. Mateus 11:25-27. Conforme estas palavras, é claro que há alguns dos quais Deus esconde o evangelho. Se é a vontade do Pai que o evangelho não seja revelado a eles, Cristo não pode ter morrido por eles. E nós devemos notar que Cristo, aqui, agradece ao Pai por fazer esta diferença entre homens – uma diferença que somente alguns homens ainda se recusam a acreditar!
  1. João 10:11, 15-16, 27-28. Destes versículos fica bastante claro que:

    I. Nem todos os homens são ovelhas de Cristo.
    II. A diferença entre os homens um dia será óbvia.
    III. As ovelhas de Cristo são identificadas como “aquelas que ouvem a voz de Cristo”; outros não a ouvem.
    IV. Alguns que ainda não são identificados como ovelhas já estão escolhidos e se tornarão conhecidos (“outras ovelhas”).
    V. Cristo morreu, não por todos, mas especificamente por Suas ovelhas.
    VI. Aqueles por quem Cristo morreu são os que Lhe foram dados pelo Pai. Ele não pode, então, ter morrido por aqueles que não Lhe foram dados.

    5.Romanos 8:32-34. Destes versículos entendemos com clareza que a morte de Cristo pertence somente ao povo eleito de Deus e, também, que a intercessão de Cristo é somente em favor desse mesmo povo.

  1. Efésios 1: 7. A partir deste versículo, podemos dizer que se o sangue de Cristo foi derramado por todos, então todos devem ter esta redenção e este perdão. Mas, certamente, nem todas as pessoas os possuem.
  1. II Coríntios 5:21. Portanto, em Sua morte Cristo foi feito pecado por todos aqueles que nEle foram feitos justiça de Deus. Se Ele foi feito pecado por todos, então, por que todos não são feitos justiça?
  2. João 17:9. A intercessão de Cristo não é por todos os homens, e, portanto, nem a Sua morte o foi. (Ver Segunda Parte, capítulos quatro e cinco).
  1. Efésios 5:25. Cristo ama a Igreja e isto é um exemplo de como um homem deve amar a sua esposa. Mas se Cristo amou outros tanto quanto a Sua Igreja, até ao ponto de morrer por eles, então os homens podem certamente amar outras mulheres além de suas esposas!

Pensei que poderia acrescentar outros argumentos – mas, considerando aquilo que já disse, estou certo de que o que já foi argumentado é bastante para satisfazer os que se satisfarão com argumentos; no entanto, aqueles que são obstinados não se satisfarão ainda que eu inclua outros argumentos. Portanto, encerro meus argumentos aqui.

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Fonte: John Owen, Por quem Cristo morreu, págs. 49-70. Editora PES – 1986.