A Declaração de Cambridge

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As igrejas evangélicas de hoje estão cada vez mais dominadas pelo espírito deste século em vez de pelo Espírito de Cristo. Como evangélicos, nós nos convocamos a nos arrepender desse pecado e a recuperar a fé cristã histórica.

No decurso da História, as palavras mudam. Na época atual isso aconteceu com a palavra evangélico. No passado, ela serviu como elo de união entre cristãos de uma diversidade ampla de tradições eclesiásticas. O evangelicalismo histórico era confessional. Acolhia as verdades essenciais do Cristianismo conforme definidas pelos grandes concílios ecumênicos da Igreja. Além disso, os evangélicos também compartilhavam uma herança comum nos “solas” da Reforma Protestante do século 16.

Hoje, a luz da Reforma já foi sensivelmente obscurecida. A conseqüência foi a palavra evangélico se tornar tão abrangente a ponto de perder o sentido. Enfrentamos o perigo de perder a unidade que levou séculos para ser alcançada. Por causa dessa crise e por causa do nosso amor a Cristo, seu evangelho e sua igreja, nós procuramos afirmar novamente nosso compromisso com as verdades centrais da reforma e do evangelicalismo histórico. Nós afirmamos essas verdades e não pelo seu papel em nossas tradições, mas porque cremos que são centrais para a Bíblia.

SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade

Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.

Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.

A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.

A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.

Tese 1: Sola Scriptura

Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.

Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

SOLO CHRISTUS: A Erosão da Fé Centrada em Cristo

À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.

Tese 2: Solo Christus

Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.

Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.

SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho

A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.

A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.

Tese 3: Sola Gratia

Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.

Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.

SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial

A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.

Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.

Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

Tese 4: Sola Fide

Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.

Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.

SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, o­nde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Tese 5: Soli Deo Gloria

Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.

Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Um Chamado ao Arrependimento e à Reforma

A fidelidade da igreja evangélica no passado contrasta fortemente com sua infidelidade no presente. No princípio deste mesmo século, as igrejas evangélicas sustentavam um empreendimento missionário admirável e edificaram muitas instituições religiosas para servir a causa da verdade bíblica e do reino de Cristo. Foi uma época em que o comportamento e as expectativas cristãs diferiam sensivelmente daquelas encontradas na cultura. Hoje raramente diferem. O mundo evangélico de hoje está perdendo sua fidelidade bíblica, sua bússola moral e seu zelo missionário.

Arrependamo-nos de nosso mundanismo. Fomos influenciados pelos “evangelhos” de nossa cultura secular, que não são evangelhos. Enfraquecemos a igreja pela nossa própria falta de arrependimento sério, tornamo-nos cegos aos pecados em nós mesmo que vemos tão claramente em outras pessoas, e é indesculpável nosso erro de não falar às pessoas adequadamente sobre a obra salvadora de Deus em Jesus Cristo.

Também apelamos sinceramente a outros evangélicos professos que se tenham desviado da Palavra de Deus nos assuntos discutidos nesta declaração. Incluímos aqueles que declaram haver esperança de vida eterna sem fé explícita em Jesus Cristo, os que asseveram que quem rejeita a Cristo nesta vida será aniquilado em lugar de suportar o juízo justo de Deus pelo sofrimento eterno e os que dizem que os evangélicos e os católicos romanos são um em Jesus Cristo, mesmo quando a doutrina bíblica da justificação não é crida.

A Aliança de Evangélicos Confessionais pede que todos os crentes dêem consideração à implementação desta declaração no culto, ministério, política, vida e evangelismo da igreja.

Em nome de Cristo. Amém.

Aliança de Evangélicos Confessionais.
Cambridge, Massachusetts
20 de abril de 1996.

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Fonte:
REFORMA HOJE: Uma convocação feita pelos evangélicos confessionais
Autores: James M. Boice, Gene Edward Veith, Michael Horton, Sinclar Ferguson e outros
Editora Cultura Cristã
Reproduzido com Autorização

A teologia reformada e sua importância para a igreja do século XXI

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Falar sobre a teologia reformada e sua importância para a igreja do século XXI, é muito difícil num único dia e com tão pouco tempo. Isto por que, devemos entender a teologia reformada como uma cosmovisão e não simplesmente como uma opinião esporádica dada aqui e ali.
Uma cosmovisão, tem a ver com a forma de compreender o mundo e as coisas a sua volta e as coisas que existem nele e que englobam seu governo, as questões sociais, políticas, econômicas, morais, governamentais, dentro de uma perspectiva na qual entendemos como protestantes, sobre o que Deus pensa sobre essas coisas.
Portanto, uma cosmovisão, não é simplesmente uma opinião discorrida sobre um assunto, mas é uma forma de entender o mundo e as coisas que nele existe, a luz do que Deus pensa sobre isso, a luz da revelação do próprio Deus, comunicada a nós nas Escrituras Sagradas.
Uma cosmovisão, é a percepção de se entender a respeito do universo a nossa volta, a luz da reinterpretação que fazemos da interpretação que Deus faz sobre as coisas que existem no mundo, usando óculos coloridos que são capazes de curar nossa icterícia.
Existem somente duas cosmovisões na estrutura de mundo em que fomos colocados;
a) Cosmovisão Cristã sobre o entendimento das coisas
b) Cosmovisão pagã a respeito das coisas

Elas são auto-excludentes e mostram o incontestável e invariável modelo de antítese estabelecido por Deus na maneira em que o Senhor elaborou a construção do mundo em categorias.
Portanto, o desenvolvimento da cosmovisão pagã que tem suas raízes no Éden após a queda humana, antes de mais nada, foi se desenvolvendo e sendo elaborada sobre pontos de vista filosóficos partindo de pressupostos naturalistas e humanistas no desenvolvimento da história da humanidade, mas sempre preso a um único sentido de cosmovisão.
A tentativa de estabelecer o relacionamento do homem tendo o próprio homem como ponto de contacto, o que sem dúvidas, demonstrou o fracasso existencial de gente tentando explicar sua existência, sem saber a origem e o começo de sua própria história. Il Ao pecar, o homem corta as folhas de figueiras, idéia de autonomia.
Infelizmente eu não tenho tempo para falar um pouco sobre a ciência e a filosofia humanista ou naturalista, e nem tempo para mostrar que os grandes cientistas clássicos fundamentavam sua visão, numa ótica criacionista como Bacon, Kepler, Copérnico, Descartes, Galileu e Newton.
O que eu desejo após essa breve explicação é tentar mostrar o quanto fomos influenciados por águas poluídas no decorrer de nossa história e o quanto, isso tem se caracterizado de forma maléfica no estabelecimento da igreja evangélica dos dias de hoje, que amarga, por causa de um desvio doutrinário destruidor que é a falta de conhecimento bíblico e das afirmações do que a bíblia significa para a igreja e porquê ela deve significar o que significa para a igreja.

O Enfraquecimento das Igrejas é devido:
A perda da convicção histórica de que o que as Escrituras dizem, Deus é quem diz gerou e desenvolveu no seio da igreja evangélica um câncer teológico em que a raiz dessa doença, estende-se por todas as partes, afetando todas as pessoas e a sua condição moral. Il Casamentos desfeitos, sexo antes do casamento, pornografia virtual etc.
James D. Smart escreveu um livro intitulado, The Strange Silence of the Biblie in the church (O Estranho Silêncio da Bíblia na igreja), o título é bastante sugestivo e nele, o autor mostra o problema do enfraquecimento das igrejas em nosso tempo. Não menos sugestivo e absolutamente relevante é o livro de Francis Schaeffer intitulado, A Igreja no Século XXI, em que o autor também aborda a tragédia em que a igreja se meteu após negociar valores invioláveis das Escrituras e dá algumas saídas alternativas para sairmos desse buraco.
Gostaria de mostrar rapidamente alguns aspectos que tem feito a igreja enfraquecer-se mais e mais em nossa época.
1) A debilidade da pregação numa perspectiva do anuncio simples da mensagem do evangelho como algo central na edificação da igreja e no crescimento espiritual e na conversão de novos membros. O pregador deveria se tornar um porta voz do texto, a ponto de como diz o Diretório de Westminster: “de maneira tal que seus ouvintes possam discernir como ensino vindo de Deus”.
A dúvida sobre o que a palavra de Deus é, tem feito muitos pregadores darem suas próprias interpretações ao texto sem considerar a mensagem central que o próprio texto aborda. Precisamos seguir o exemplo de Paulo e não o exemplo dos super evangelistas, apóstolos e missionários que tem pregado a mensagem da prosperidade sendo que a vida da igreja encontra-se num profunda e densa miséria. Observem o que Paulo diz em 1Co15.3-4.
Paulo ainda interpreta a mensagem do AT sobre a ressurreição e deixa claro qual o espaço que essa mensagem já há muito abandonada deve ocupar em nossa vida At24.14-15.
2) A perda da convicção sobre a verdade divina da Bíblia, fato que também tem minado o ensino das Escrituras. Num mundo de incertezas e inverdades, em que já não há absolutos morais, em que o cavalinho de balanço impôs sua filosofia humanista relativizando o conceito de certo e errado, serviu de brecha dentro da própria teologia a partir do final do século XIX com a alta crítica deixando as pessoas em dúvida sobre o que realmente é verdade ou não.
Disso surgiram tentativas antropocêntricas de explicar a morte de Cristo, banalizando o sentido de atos históricos demonstrados dentro da história pelo grande e poderoso Deus dando então uma visão mitológica e existencial para aquilo que era tido como incontestável. A igreja perdeu a razão e a relevância de ser, quando perdeu a sua identidade como portadora da mensagem revelada e verdadeira de Deus. Il Fidelis, Gn1-11 é mito.
Nossas convicções devem voltar com rápida urgência exatamente porque a própria Escritura deixa claro, a verdade como algo verificável por nós numa dimensão sobrenatural. As escrituras são a revelação sobrenatural de Deus e podemos conhecê-la de forma sobrenatural somente na medida em que Deus se revela a nós sobrenaturalmente, portanto, como servos de Deus temos a incumbência de com convicção falar das coisas com a mais absoluta certeza. Lc 1.1-4. Em seu livro intitulado: A Inspiração e a Autoridade da Bíblia, Benjamin Warfield, diz: “ A religião da Bíblia, portanto, anuncia-se não como o produto da busca de Deus por parte dos homens, se, porventura, eles o pudessem sentir e encontrar, mas como a criação, nos homens, do Deus gracioso, formando um povo para si que possa manifestar seu louvor”. A bíblia é a verdade de Deus nunca descreia disso, ela é a grande revelação de Deus ao povo.
3) A incerteza sobre a veracidade do ensino bíblico, tem enfraquecido a fé das pessoas. A devoção religiosa só tem sentido na perspectiva de agradar a Deus, se ela expressa a fé verdadeira, do contrário é pura superstição. At17.22, Rm14.23.
De acordo com o apóstolo Paulo, fé significa a sujeição da mente e da consciência à palavra de Deus reconhecida como tal Rm10.17, 1Co2.1-5, 2Ts2.13. Quando a fé deixa de existir entramos no caminho movediço da incerteza sobre o que é a palavra de Deus.
Infelizmente grande parte da devoção nas igrejas evangélicas em nossos dias é obscura, superficial, ansiosa, triste e terrivelmente mística, pelo simples fato de as pessoas terem deixado para trás os fundamentos da fé, algo que influenciou diretamente o enfraquecimento teológico e conseqüentemente moral em nossos arraias cristãos.
A incerteza acabou gerando medo de assumirmos posturas sérias que exigem uma tomada de posição alicerçada na fé de que o que fazemos é firmado na vontade de Deus revelada nas Escrituras Sagradas, coisas que os irmãos outrora não tinham. A história de um dos patriarcas fundadores dos EUA é magnífica, para entendermos o que o temor de assumirmos a verdade das Escrituras como revelação de Deus tem gerado de ruim na igreja de hoje.
Il. Os fundadores dos EUA entendiam bem ainda que em graus variados, a relação entre cosmovisão e governo. John Witherspoon 1723-1794, um ministro presbiteriano na época foi o primeiro e único pastor a assinar a declaração de Independência dos EUA. Ele foi presidente da antiga faculdade de Nova Jersey, atual Universidade de Princeton.
Witherspoon foi um homem cristão importantíssimo para sua época, durante a fundação de seu país e isso pelo simples fato de ele ter conectado o pensamento cristão com os conceitos de governo baseados na Escritura Sagrada e no livro de Samuel Rutherford, Lex Rex.
O livro de Rutherford foi sem dúvida fundamental na elaboração e fortalecimento do conceito desse pastor que ajudou na elaboração de conceitos tidos como inalienáveis tanto pra época quanto para os dias de hoje. Samuel Rutherford nasceu em 1600-1661, ao escrever seu famoso livro Lex Rex, em 1644 ele queria dizer e o seguinte: A lei é Rei, uma frase que causou grande abalo. E vocês sabem por quê?
Em seu livro ele escreveu que a lei, e mais ninguém, é rei. Portanto as cabeças do governo sejam eles que forem, estavam sujeitos a lei. Antes disso era rex Lex, o rei é lei, o que significava que o rei estava acima da própria lei. Tanto Witherspoon quanto Rutherford foram homens que creram que a palavra de Deus abordava temas sobre coisas que envolviam a vida do homem de maneira plena em todos os campos e departamentos. Creram nas Escrituras como palavra de Deus e isso, foi fundamental na formação de uma nação que teve sob princípios cristãos a compreensão de que somente se sujeitando ao Deus das Escrituras, eles poderiam construir um mundo melhor. Leiam se puderem: Manifesto Cristão.
Quando ouvimos dizer sobre: Certos direitos inalienáveis, essa frase incrível, não pense que quem dá esses direitos é o estado ou o governo. Tanto o Estado quanto o Governo são peças mutantes de nossa sociedade, por isso, eles não podem garantir nada, ao contrário no decorrer da história vimos os governos tirarem alguns direitos que tínhamos.
Quem então pode garantir os direitos? Somente aquele que concedeu esses direitos, por isso, uma nação que nasce fundamentada sob essa perspectiva é capaz de lutar sempre enquanto tiver as Escrituras em suas mãos, para o bem estar do povo. Calvino, Institutas Livro 1, cap VI, pg 71 diz: “Exatamente como se dá com pessoas idosas, ou enfermas dos olhos, e tantos quantos sofram de visão embaçada, se puseres diante delas mesmo um vistoso volume, ainda que reconheçam ser algo escrito, contudo mal poderão ajuntar duas palavras: ajudadas porém, pela interposição das lentes, começarão a ler de forma distinta. Assim a Escritura, coletando-nos na mente conhecimento de Deus que de outra sorte seria confuso, dissipada a escuridão, nos mostra em diáfana clareza, o verdadeiro Deus.”
Quando os fundadores americanos disseram, “Em Deus Confiamos”, não havia nenhuma confusão naquilo que estavam querendo dizer. Eles entendiam e reconheciam publicamente que a lei poderia ser rei porque havia alguém que tinha dado a lei, existia alguém que deu direitos inalienáveis. Por isso enfraquecemos hoje como igreja, porque não temos a fé necessária, para enfrentarmos os leões, que rosnam a nossa volta, e que desonram a palavra de Deus.
Homens no passado morreram por suas certezas e viveram demonstrando fé inabalável na palavra de Deus e nas promessas que os seguiriam. A igreja evangélica de hoje nem mesmo sabe no que deve crer a respeito do Deus que se revela na bíblia. At7, Estevão, o grande mártir, Fl3.20. Uma coisa é fato, o fundamento apostólico e profético é o alicerce e a base, para que a igreja exista, portanto, como igreja de Cristo, devemos crer na sua inteira infalibilidade e não temer os lobos que se levantam tentando distanciar-nos da verdade revelada de Deus que é a bíblia Ef2.20.
4) O pensamento confuso sobre o que pensar e crer da bíblia e o desencorajamento que isso causa na vida da igreja. Há igrejas em que nem mesmo incentiva seus membros a levarem sua bíblia em momentos de culto. Somos nascidos da reforma protestante, e nossos irmãos do passado lutaram contra um clero que queria manter as pessoas na ignorância.
Colocar a bíblia no vernáculo foi um dos grandes desafios de Lutero, Calvino, William Tyndale e outros, pois fazendo assim, eles entendiam que o povo teria acesso muito claro sobre o que pensar sobre o pensamento de Deus claramente manifesto nas Escrituras. Naquela época a igreja sentiu o peso de sua carta de alforria e cresceu e se fortaleceu, lutando suas batalhas contra o catolicismo romano que governa a mente dos homens, levando-os a pensar que a igreja era a autoridade última sobre o que era verdade ou não, referente a palavra de Deus.
Calvino, Institutas Livro 1 capVII, pg 76 diz: “Portanto, mui fútil é a ficção de que o poder de julgar a Escritura está na alçada da igreja, de sorte que se deva entender que do arbítrio desta, a igreja, depende a certeza daquela, a Escritura.” Uma das grandes obras da reforma foi colocar a bíblia nas mãos do povo para que este saísse das trevas, hoje o povo tem a bíblia e está nas trevas por não fazer uso dela da maneira correta, agindo como os crentes de Bereia At17.2 e entender que podemos através da iluminação do Espírito Santo, conhecer a bíblia pela bíblia.
Nos dias de hoje, não há por parte da igreja católica nenhuma opressão no que diz respeito à reivindicação de que eles são os determinadores do que é a verdade bíblica ou o que não é, isso por que hoje não precisamos mais disso, infelizmente não usamos mais a Escritura da forma devida, o que significa, que a luz outrora apresentada a nós, foi com o tempo se apagando de nosso contexto evangélico.
Isso não quer dizer que a igreja católica ainda não creia que são os detentores da autoridade máxima em relação a bíblia, um teólogo católico romano chamado John Eck disse: “ As Escrituras não são autênticas, a não ser pela autoridade da Igreja”. O Papa Pio IX por ocasião do Primeiro Concílio Vaticano, em 1870 disse: “Eu sou a tradição”. Sola Scriptura, Robert Godfrey pg24.
Muitos líderes evangélicos hoje, infelizmente agem da mesma forma, trazem para si a autoridade absoluta de ensinar as Escrituras como fazia a parte do magistério da igreja, e muitos dos membros da igreja, desprezam as Escrituras e não mais lêem e se dedicam no conhecimento como deveriam. Conseqüentemente isso gera uma total descaracterização da igreja em decorrência do fato dela ter perdido o seu sentido bíblico.
O protestantismo se levantou no século XVI em reação as alegações de que a igreja seria a grande e única interprete da bíblia, juntamente com seus magistrados. A tradição da igreja era colocada no mesmo pé de igualdade da palavra de Deus, fato que foi contestado pela reforma descobrindo inclusive os reformados que a tradição, contradizia a própria bíblia.
O fato de não mais precisarmos de uma luta aguerrida contra o catolicismo romano, está associado, ao fato de nos dias de hoje, termos abandonado a própria palavra de Deus como fundamento básico de nossa comunhão com Deus e do nosso conhecimento de Deus. Mt22.29, esse é um dos pontos mais sérios em relação a morte dos evangélicos nos dias de hoje, o que acarreta grande prejuízo para a igreja de Cristo. Leiam a bíblia ouçam com atenção o que lhes está sendo ensinado, porém, examinem as Escrituras assim como o próprio apóstolo João disse em Jo 5:32.

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Rev. Nelson/ Igreja Presbiteriana Betânia

O mistério de Cristo e a unidade da Igreja

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“Ao lerem isso vocês poderão entender a minha compreensão do mistério de Cristo.”

“prout potestis legentes intellegere prudentiam meam in mysterio Christi.”

“εξ ων δυνασθε αναγινωσκοντες να νοησητε την εν τω μυστηριω του Χριστου γνωσιν μου.”

“In reading this, then, you will be able to understand my insight into the mystery of Christ.”

(Efésios 3.4)

Leitura recomendada para a contextualização do artigo: Efésios 3.1-21; 4.1-17. Devemos lembrar que Paulo escreveu originalmente cartas, sem as nossas tradicionais divisões em capítulos e versículos; aqui, ele faz alusão a todo o seu arrazoado anterior. Assim, devemos considerar que, por tudo o que Deus tem realizado, Paulo compreende que é prisioneiro de Cristo e jamais dos homens. Seguindo vários historiadores e biblistas, Paulo estava sob prisão domiciliar na época em que escreveu essa carta (At 28.16,30), e isto, por causa da sua insistência em obedecer às orientações de Cristo, apesar das oposições judaicas e romanas. Curiosamente, após esse versículo, Paulo interrompe sua primeira linha de raciocínio para explicar “o mistério de Cristo” (v.4), mas retoma o pensamento inicial no v.14.

O mistério é descrito e explicado no v.6, e pode ser assim resumido: “Cristo em vós (não-judeus ou gentios) a esperança da glória” (Cl 1.27).

Aprouve a Deus demonstrar seu poder e sabedoria por meio do milagre de unir num único organismo: a Igreja, judeus e gentios convertidos a Cristo. Essa capacidade da Igreja de Cristo de unir todos os povos, raças e culturas, revela a multiforme sabedoria do Senhor, como as diversas facetas do mais belo e puro diamante. Paulo afirma que tanto os anjos fieis ao Senhor quanto as hostes subjugadas pelo Diabo contemplam a vida da Igreja (Ef 1.21; Ef 4.1; 6.12; Jó 1.11). A supremacia de Cristo, revelada por meio da união da sua Igreja, é uma antevisão do plano eterno de Deus: absoluto domínio de Cristo sobre o universo (Ef 3.11; Mt 28.18).

A palavra “família” e “paternidade” derivam do vocábulo grego original pater (pai). Deus é nosso Pai e o arquétipo de toda a paternidade, a fonte de todos os povos e a divisão familiar na criação.

Assim como nosso corpo natural retira força e energia dos alimentos físicos, nosso ser interior, semelhantemente, deve ser alimentado e fortalecido pelo Espírito de Cristo (v.17) que vive (habita) no íntimo de todo crente (Jo 15.5; 1Co 12.8-28).

Paulo ensinou como Deus resgatou judeus e não-judeus (gentios) para um novo e maravilhoso relacionamento com Ele, e como sua Igreja (união de todos os cristãos da terra num único Corpo). Agora, o apóstolo passa a mostrar como os crentes em Cristo devem se desenvolver e amadurecer na fé. Somos chamados a viver de tal modo exemplar que o mundo não possa negar que somos filhos de Deus e cidadãos do céu. As qualidades de Ef 4.2 são imprescindíveis (Fl 2.1-4).

Os cristãos têm a máxima responsabilidade de evitar que a unidade da Igreja, produzida por Deus mediante o sacrifício expiatório de Cristo, seja de alguma forma perturbada ou difamada (2.14-22). A esperança tem diversos aspectos, mas não deixa de ser uma só, basicamente vinculada ao futuro triunfante e glorioso de Cristo e sua Igreja (Ef 1.5,10; Ef 2.7). Paulo não se refere exatamente ao batismo no Espírito (1Co 12.13), que é sempre um milagre interior e, portanto, invisível. Considerando que Paulo está ensinando sobre o novo símbolo de iniciação consciente à verdadeira fé em Deus (abolindo a circuncisão e qualquer outro), o qual identifica todos os crentes como irmãos; naturalmente, está também fazendo referência ao mandamento eclesiástico, segundo o qual todo novo convertido deveria participar publicamente. Na época de Paulo, essa cerimônia e testemunho públicos representavam, mais do que hoje, uma marca evidente de novo nascimento e discipulado em Cristo. Um dos motivos era que tal manifestação pública, certamente, implicaria em perseguições de todo tipo e grande risco de vida.

O AT fala do reinado triunfante de Deus no templo de Jerusalém, uma figura do trono do Senhor nos céus (Sl 68.18). Paulo amplia esse conceito ao falar da ascensão de Jesus Cristo ao céu. A expressão em hebraico “receber” ou “trazer” era interpretada pelos antigos rabinos em seu sentido espiritual: “dar e receber” ou “trazer e levar”, como uma pista de duas mãos (Gn 15.9; 18.5;27.13; Êx 25.2; 1Rs 17.10,11).

O surgimento de falsos mestres não é apenas um fenômeno atual, nem exclusivo ao final dos tempos; Paulo e mesmo Jesus já lutavam contra pregadores de má índole, que não eram inocentes mal-orientados, mas pessoas perversas, egoístas, avarentas e fraudulentas; cujo objetivo maior era afastar os crentes imaturos do Caminho do Senhor por meio de sofismas e heresias bem engendradas (deduções falsas e mentirosas a partir de algumas bases reais e verdadeiras). Paulo usa uma figura de linguagem da área náutica para comparar o comportamento confuso e inseguro de certos cristãos instáveis como pequenas embarcações em meio ao mar revolto (1Tm 4.1,2).

Os seres humanos foram criados por Deus para exercer ao máximo e livremente sua capacidade intelectual. Entretanto, quando o uso da inteligência e da criatividade é realizado longe do amor e da direção do Espírito de Deus, torna-se inócuo,frustrante e, muitas vezes, perigoso (Rm 1.21; Ec 1.2). Paulo acaba de considerar a unidade e a maturidade v.13, (literalmente no original grego “homem maduro”), como objetivos gêmeos e simultâneos para o ministério do Corpo de Cristo: a Igreja, a qual Deus gerou pela morte e ressurreição de Cristo. Agora, o apóstolo do Senhor, passa a demonstrar que a pureza também é essencial entre os que pertencem a Deus (4.17 – 5.20).

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A Igreja versus o Mundo

Por que os evangélicos tentam cortejar desesperadamente o favor do mundo? As igrejas planejam seus cultos com o objetivo de agradar as pessoas que não freqüentam qualquer igreja. Artistas cristãs imitam todas os estilos efêmeros do mundo tanto na música como no entretenimento. Os pregadores estão horrorizados com o fato de que a ofensa do evangelho pode colocar alguém contra eles, por isso omitem deliberadamente partes da mensagem que o mundo não aprovara.

O evangelicalismo parece ter sido sequestrado por legiões de porta-vozes carnais que estão fazendo o melhor que podem para convencer o mundo de que a igreja pode ser tão inclusiva, pluralista, mente aberta como as pessoas mais mundanas.

A busca pela aprovação do mundo é o mesmo que prostituição espiritual. De fato, essa foi exatamente a figura que o apóstolo Tiago usou para descrevê-la. Ele escreveu: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4.4).

Sempre existiu e existirá uma incompatibilidade fundamental entre a igreja e o mundo. O pensamento cristão não se harmoniza com todas as filosofias do mundo. A fé genuína em Cristo envolve uma negação de todos os valores mundanos. A verdade bíblica contradiz todas as religiões do mundo. O cristianismo é, por essa razão, oposto a quase tudo que este mundo admira.

Jesus disse aos seus discípulos: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (João 15.18-19).

Observe que nosso Senhor considerou uma realidade absoluta o fato de que o mundo desprezaria a igreja. Em vez de ensinar seus discípulos a tentarem conquistar o favor do mundo, por reformularem o evangelho, para que este se adequasse às preferências do mundo, Jesus advertiu expressamente que a busca pelos louvores do mundo é uma característica dos falsos profetas: “Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas” (Lucas 6.26).

Depois, ele esclareceu: “O mundo… me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más” (João 7.7). Em outras palavras, o desprezo do mundo para com o cristianismo origina-se de motivos morais, e não intelectuais: “O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras” (João 3.19-20). Essa é a razão por que, não importando quão profundamente diversa seja a opinião do mundo, a verdade cristã nunca será popular no mundo.

No entanto, em quase toda a era da história da igreja, tem havido pessoas na igreja que estão convencidas de que a melhor maneira de ganhar o mundo para Cristo é satisfazer os gostos do mundo. Essa maneira de agir sempre trouxe detrimento à mensagem do evangelho. As únicas épocas em que a igreja causou impacto significante no mundo foram aquelas em que o povo de Deus permaneceu firme, recusou comprometer-se e proclamou com ousadia a verdade, apesar da hostilidade do mundo. Quando os cristãos se esquivaram da tarefa de confrontar as ilusões mundanas populares com as verdades bíblicas impopulares, a igreja perdeu a sua influência e mesclou-se impotentemente com o mundo. Tanto a Escritura como a história atestam esse fato.

E a mensagem cristã não pode simplesmente ser mudada para se conformar com as vicissitudes das opiniões do mundo. A verdade bíblica é fixa e constante, não sujeita a mudança ou adaptação. Por outro lado, a opinião do mundo está em fluxo constante. As tendências e as filosofias que dominam o mundo mudam radicalmente, com regularidade, de geração a geração. A única coisa que permanece constante é o ódio do mundo para com Cristo e o seu evangelho.

Com toda a probabilidade, o mundo não adotará por muito tempo qualquer ideologia em voga neste ano. Se o padrão da história serve como indicador, quando os nossos netos se tornarem adultos, a opinião do mundo será dominada por um sistema completamente novo de crença e todo um novo sistema de valores. A geração de amanhã renunciará todas as modas e filosofias passageiras de hoje. Todavia, uma coisa se manterá inalterada: até que o Senhor volte e estabeleça seu reino na terra, qualquer ideologia que ganha popularidade no mundo será hostil à verdade bíblica, como o foram as suas antecessoras.