Desafios da Igreja no século XXI (primeira parte)

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Tema: A batalha pela fé.

Texto base: Judas 3, 4; 17-24.

Gabriel Felipe M. Rocha

Julho/ 2015

Introdução:

Judas foi motivado e inspirado a escrever a carta que leva seu nome por causa de alguns sérios problemas dentro das igrejas. Similares aos problemas citados por Pedro em sua segunda carta, os problemas que Judas teve que enfrentar estava relacionado aos falsos mestres e aos ensinamentos desses que estavam entrando nas congregações. Tais ensinos, como tais falsos mestres, usavam da graça e da liberdade cristã para promoverem um conceito de liberdade estranha à verdade doutrinária proveniente da pregação apostólica. Usavam a livre graça e da liberdade cristã como um passaporte para uma vida imoral, carnal e sem santidade.
A Igreja, naquele contexto, experimentava não só a oposição externa dada à perseguição severa nos primeiros séculos de sua existência, mas, principalmente, experimentava a pior das oposições, a saber: a oposição interna dos falsos líderes, mestres e crentes que apresentavam suas doutrinas travestidas de fé, cheias de conveniências e humanismo, fantasiadas de evangelho e disfarçadas de piedade. A própria perseguição religiosa e a perseguição seguida de mortes e martírios pelo Império Romano significaram para a Igreja do Senhor um crescimento sem igual. A Igreja era como a mirra triturada e amassada que, em cada golpe, exalava seu perfume que atraia um numeroso povo à fé verdadeira. Mas, a pior das perseguições, geralmente, são aquelas que entram por meio de muitas brechas dentro das igrejas e assumem os púlpitos. Essas destroem comunidades, denominações e mancha completamente a sã teologia em muitos lugares. Se a igreja apostólica vivia já seus desafios, o que dizer hoje da Igreja moderna (ou pós-moderna como querem alguns)? Se já havia ali uma chuva de maus ensinamentos e uma proliferação de falsos mestres e teólogos, o que dizer de nosso tempo tão plural e diversificado? Judas escreveu a carta não só para refutar e se opor aos falsos mestres e aos falsos ensinos, mas, principalmente, para exortar a Igreja a batalhar pela fé e crescer em conhecimento da verdade, influenciando assim outros mais fracos e duvidosos na fé. Nossos desafios, embora sejam diferentes em alguns pontos e semelhantes em outros, recebem a mesma exortação dada por Judas: precisamos batalhar pela fé, urgentemente!

Desenvolvimento:

Judas, iniciando o assunto de sua carta (v.3), transmite pressa e urgência em corresponder-se com a igreja, exortando-os a batalharem pela fé.

Note que ele pretendia abordar com toda a diligência acerca da comum salvação, ou seja: Judas, em primeiro objetivo, iria propor uma carta de cunho mais teológico sobre a comum salvação. Contudo, diante dos fatos (que certamente tomou conhecimento estando longe), sentiu a obrigação de escrevê-los (e o termo obrigação no original exprime mesmo a ideia de urgência, necessidade e coação). Portanto, sabendo dos últimos fatos em relação aos falsos mestres e seus ensinamentos torpes, Judas imediatamente muda o curso de sua carta para incentivar a Igreja a batalhar, zelar e procurar crescer na fé genuína.

Essa necessária e urgente mudança de assunto significou um zelo nobre pelo Evangelho e pela Igreja, o que sinaliza um verdadeiro amor pelo rebanho e pelas coisas do Reino. A urgência de Judas nos ensina, de imediato, algumas verdades:

1) Devemos tomar conhecimento sobre tudo aquilo que está ao redor de nossa congregação e que envolve a nossa fé. Exemplo: precisamos procurar conhecer o que está sendo votado no parlamento e no senado. Precisamos saber o que nossa liderança política em geral está fazendo. Será que existe alguma proposta ou ação que vai contra a nossa fé e que poderia implicar numa futura dificuldade para a Igreja? Precisamos conhecer também os clamores de nossa sociedade. Precisamos conhecer algumas ideologias que vão contra à fé bíblica, pois essas vão querer entrar em nossas igrejas. A Igreja tem voz, a Igreja tem uma mensagem e a Igreja deve se movimentar de alguma forma. Somos sal e somos luz. Devemos penetrar bem na carne e jamais sermos pisados pelos homens. Nossa luz deve brilhar até o Dia do Senhor chegar. Lembrei-me agora dos falsos ensinos que invadiram também a igreja de Tessalônica e que certamente causaram dores de cabeça em Paulo. Lá, o problema era outro. Alguns diziam que a vinda de Jesus já havia acontecido, deixando a igreja inerte e aflita (2 Ts 2.1-3). Ou seja: todo o reboliço causado pelo próprio diabo para fazer a igreja parar a partir de falsas noções de que Cristo já veio. Inclusive, conheço grupos cristãos atuais que se fecham em si mesmos e se fecham totalmente para o mundo sob a égide que Cristo logo vem e, por causa disso, não é necessário se atentar para o atual contexto, pois tais coisas “devem mesmo acontecer”. Pois é! Muitas coisas devem mesmo acontecer. Muito há de vir ainda sobre o mundo e sobre a Igreja, mas, se o povo de Deus decidir ser passivo, ser apático e ser inerte, todas essas coisas preditas vão acontecer com mais intensidade e serão mais doloridas. A Igreja não é do mundo, mas está no mundo. Ela será tirada do mundo, mas, agora, ela se envolve com o mundo. Ou ela influencia ou é influenciada. Vemos isso acontecer em todos os cantos da terra. Existem ministérios fortes na fé, igrejas firmes na Sã Doutrina, mas existem ministérios e grupos que já se entregaram à dissolução, aceitando a proposta de nosso século. Portanto, necessário é trabalhar incessantemente pela fé. Crescer na fé. Multiplicar a compartilhar a fé.

2) Há, também, uma urgência para os nossos dias. A Igreja precisa urgentemente batalhar pela fé. Não importa de qual confissão soteriológica ela é. Não importa de qual convenção ela é. Não interessa o tipo de governo ela tem. Se for igreja, se ela está fundamentada na Santa Palavra e confessa a Cristo como único e suficiente Senhor, é santa e precisa batalhar pela fé que lhe foi dada. Judas coloca: “[…] exortando-os a batalhardes diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (v.3).

“Fé”, usada por Judas, trata-se da própria mensagem (ou o conteúdo da mensagem) ensinada pelo colégio apostólico. Não necessariamente a fé pessoal de cada crente, mas a fé comum dada a todos os eleitos (santos). Obviamente, a exortação a batalhar pela fé não implica somente numa oposição verbal ou ideológica, mas, sobretudo, pressupõe tão logo uma adesão séria à mensagem do Evangelho a fim de, com a própria vida, cada cristão viver o conteúdo da mensagem de Cristo. E, assim, a Igreja como um corpo e organismo vivo, poderá crescer em fé e se tornar sempre forte. Igreja que zela pela fé e que se mantém firme na Sã Doutrina é igreja impermeável em relação às enxurradas de nosso século.
A urgência existe, pois, como pode ser visto, há uma pluralidade de ideologias que são opostas à fé genuína e que se posicionam contra as verdades bíblicas. Se a igreja tem a Escritura como fundamento de fé e prática e não quer abrir mão de fé verdadeira, sua mensagem não pode jamais mudar. Não há negócio algum com as meias verdades e com as heresias! Não há acordo algum com as más teologias que transtornam o Santo Evangelho e o transforma em dissolução! Não há negociação alguma com os falsos líderes e seus argumentos! A Igreja deve reconhecer a urgência e se preparar a cada dia para permanecer na fé bíblica, pois o “evangelho” que temos assistido crescer (como um bolo cheio de fermento) por aí não é a real proposta de Jesus Cristo e muitos líderes e grupos que se denominam “cristãos” estão já longe de Cristo e não o têm como Senhor e Salvador. A Igreja não negocia sua verdade como alguns já fizeram! A Igreja – que permanece na fé e que batalha pela fé – está preparada para dizer não e não tomar, em hipótese alguma, a forma desse mundo.

A Bíblia é definição! Se ela é nossa regra de fé e prática, devemos ter uma posição definida! Eu devo ter uma posição definida! A Bíblia e a Igreja não têm preconceitos. Ela tem conceitos formados, definidos e verdadeiros. Portanto, o casamento correto é aquele que a Bíblia ensina e pronto! Não há negociação! O pecador não arrependido está condenado e pronto! Não há condenação e nem campanhas de bênçãos para os que não querem endireitar seus caminhos diante do Salvador. Para muitos, essa definição implica em fundamentalismo, mas não se trata de fundamentalismo. Fundamentalismo tem outra conceituação. A definição bíblica sobre diversos assuntos, temas, pecados e costumes é a mesma definição que qualquer cientista deve ter em relação aos seus pressupostos. Não há verdade científica sem pressupostos. Não há uma Igreja definida sem a definição bíblica! Não há caminho certo sem uma estrada definida. Portanto, não negociamos nossa fé, pois ela nos foi dada por nosso Senhor, ensinada pelo Espírito Santo e recebida pela Igreja para a glória de nosso Deus.

Bem, mas, diante da atual urgência e das enxurradas de ideologias, doutrinas e oposições, como se batalha pela fé? O que é batalhar pela fé?

Judas fala sobre isso. Veja que nos versículos 5 e 7, ele lembra a igreja de alguns fatos bíblicos que remetem a um juízo divino para aqueles que se opuseram e transtornaram a fé. Eis a primeira dica de se batalhar pela fé: inclinando-se para as Escrituras!

1) O alicerce da Igreja é a Bíblia! A direção segura do Espírito Santo dá-se através da própria Escritura, pois Ele nos capacita para guardarmos as palavras de Cristo (Jo 14. 16-21) e nela está revelada a vontade soberana de nosso Deus. A Bíblia é Deus falando! No versículo 17, Judas ainda diz: “[…] lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo […]. Considerando que o cânon bíblico ainda não havia sido fechado, as palavras dos apóstolos, junto com a Escritura veterotestamentária eram o paradigma para as igrejas. Judas fala no v. 17 das profecias apostólicas a respeito dos escarnecedores e opositores da fé. Isso nos ensina que, a Bíblia, como a Palavra de Deus, nos orienta e nos exorta a respeito de várias situações. Por isso, não negociamos nossa mensagem e precisamos manejar bem a Palavra da Verdade (2 Tm 3. 14-17). Pela Palavra da Verdade a igreja: a) permanece firme naquilo que aprendeu; b) vive na dependência daquele que ensina todas as coisas; b) conhece o seu Senhor e tem intimidade com Ele; c) é educada naquilo que é próprio do Reino e sabe se posicionar diante do mundo e das tantas dificuldades; d) caminha rumo à perfeição, se tornando cada vez mais próxima de Cristo.

(continua)

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O Reino, antes de tudo! (Um sermão em Lucas 12. 22-34)

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Por Gabriel Felipe M. Rocha
Junho de 2015/ Belo Horizonte- MG

Introduzindo:

Desde sua queda no Éden (Gn 3. 1-7), o homem se vê frente à tarefa de buscar, com esforço e trabalho, o próprio pão. Isso, até “voltar para o pó” de onde fora formado (Gn 3.19). Pois, diante do pecado da desobediência, o mesmo recebe do Criador uma imediata sentença, a saber, a sentença da morte (Rm 6.23). Junto dessa, a sentença da submissão à ordem natural (Gn 3. 16-19). O homem, mesmo com uma especial e determinada autoridade e inteligência para transformar seu mundo, passou a ser um subalterno da terra. Ou seja, a criatura que fora criada para um relacionamento santo e abundante com o Eterno, via-se, ali, distante e em inimizade com Deus, recebendo do Criador o justo castigo pela desobediência (ver Rm 3.23).

A humanidade dominaria a terra, sendo o homem a única criação dotada de uma imagem e de uma semelhança em relação ao Criador (Gn 1.26). Ou seja, como “imagem”, o homem – em todo o seu ser (alma e corpo) – passou a ser uma representação fiel de Deus, possuindo vida proveniente dele, razão e consciência de si próprio e potencial de intimidade com Ele (o que os outros seres criados não tinham). Como “semelhança”, o homem passou a ser uma criatura com autoridade, racionalidade e poder de deliberação, algo que as outras criaturas também não experimentavam e não experimentam ainda hoje, além do instinto próprio. Em suma, dentro da ordenação divina, o homem não teria necessidade alguma, pois todas seriam imediatamente supridas.

No entanto, com o castigo, o homem passou a ser uma criatura que, mesmo dotada ainda de uma especial estrutura (imagem e semelhança do Criador), provaria, desde então, do trabalho e da morte, como um ser finito e situado em seu mundo. Um ser que, como os outros seres, ia se submeter, agora, ao espaço-tempo de seu mundo, trabalhando incessantemente, envelhecendo e morrendo. Desse modo, surge paralelo ao seu castigo a constante e profunda aspiração pela sua auto-realização, satisfação e suprimento de suas necessidades e carências. Assim como (também) a sua profunda, essencial e instigante tentativa de evitar a morte, projetando – desde as primeiras comunidades humanas –, meios, sentido, modelos de vida, crenças, normas e condutas (ou seja, a cultura) como uma evidencia de sua constitutiva aspiração pela vida, pela transcendência, pelo infinito e pelo sentido da própria existência.

Contudo, é claro, foi vã a busca da humanidade que – afastada espiritualmente e fisicamente do Criador – nunca conseguiu alcançar sua plena realização, felicidade, liberdade, paz e re-ligação com o Criador. Por causa do nosso pecado, fomos um dia afastados do Reino celeste, pois as obras do mal e das trevas não são compatíveis com o Bem e com a Luz. Mesmo projetando para si interessantes religiões, variedades de crenças e pluralidade de deuses, o afastamento continuou como sentença imutável para os inimigos de Deus.

Portanto, o que marca a vida humana, desde os primórdios é a dinâmica (e sempre preocupante) solicitude pela própria vida. O homem é um ser que, diferente dos outros seres, está sempre preocupado com o amanhã. Ele vive ansioso. Vive trabalhando e ajuntando bens e valores para envelhecer bem e, muitas vezes, sem poder desfrutar de tudo o que juntou ao longo de sua vida temporal e limitada.

Talvez, você (homem, mulher, jovem, idoso, esteja nesta situação. Está sobrecarregado, aflito, sobremaneira ocupado ajuntando bens, sem tempo para Deus, cansado e, até mesmo, angustiado. Talvez você faz parte daqueles que já provaram da luz e já ouviram a proposta do Evangelho, mas recusaram o convite para o banquete, pois, a solicitude desse vida fez com que você não tivesse tempo, disposição, interesse ou crédito para aceitar o convite do Reino.

E é falando sobre isso que Jesus nos passa o seu ensino. Antes do contexto de “[…] Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas […]” (Lc 12. 31), nota-se que a temática abordada por Jesus sobre as solicitudes da vida humana inicia-se, na verdade, nos versículos de 13 a 21 do mesmo capítulo, quando o Mestre trata da questão da avareza.

No versículo 13, um indivíduo entre a multidão apresenta uma causa de nível judicial a Jesus:

“ordena que meu irmão reparta comigo a herança”.

Jesus tão logo o responde negando ser uma espécie de “juiz” ou “repartidor”, como ele mesmo cita. Contudo, lança um ensinamento sobre a questão da avareza e, logo, discorre a respeito do valor que há na vida humana.

Desenvolvendo:

“Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundancia dos bens que ele possui” (v. 15).

Aqui reside um ponto interessante a respeito da vida humana e da graça divina. A recomendação de Jesus para se guardar de qualquer avareza, sendo a vida humana algo que não consiste na abundancia de bens que um homem possa adquirir, nos remete a uma verdade:

A)

Há um limite entre a real solicitude pela a própria vida (que sempre vai partir da consciência da pessoal dependência de Deus como o provedor, assim como a fé operante na sua provisão. veja o que diz o Sl 23) e a avareza (que implica no amor pelo dinheiro, pelos bens materiais, pelos valores pessoais, etc.)

B)
A vida humana, mesmo culpada de seu pecado e mesmo debaixo de uma justa condenação, continua participando da ordem e da determinação divina. Olhando para o mundo hoje e vendo tantas guerras, fomes, pestilências, desastres naturais e maldade, podemos até pensar que Deus abandonou o mundo e o entregou totalmente ao maligno, mas isso não é verdade. Embora o mundo padeça no maligno (1 Jo5. 19) e o príncipe deste mundo tenha ainda poder para tentar, perseguir e atribuir-se de alguma autoridade sobre pessoas, coisas e situações (dentro dos limites impostos pelo próprio Deus), o Eterno é quem está sob o controle. Ele é soberano! Ele cuida de todas as coisas e todas as coisas estão debaixo de seu ilimitado poder (Sl 22. 28; Sl 145. 9-16). E, assim como nenhuma folha cai no chão sem o conhecimento de Deus, a vida humana está debaixo da soberania do mesmo Deus. Todo homem participa da graça comum (Mt 5.45; Rm 1.20). Portanto, para os desesperados, ansiosos, aflitos, avarentos, dispersos, ocupados, cansados, e sobrecarregados, há a provisão de Deus, mas a esperança capaz de saciar o desejo da alma humana é para os que buscarem de todo o coração o Deus Criador e Abençoador em arrependimento e genuína regeneração. Diante da grandeza de Deus, anunciada pelas obras de suas mãos, venha e se lance aos pés do Salvador. Venha a Cristo, pois, de todas as provisões, Ele é a maior provisão de Deus para aquele que ao qual o Pai desejou dar o Reino. Pode ser que Deus tenha misericórdia de sua vida, ó avarento! Pode ser que Deus te perdoe, ó disperso e ocupado com as coisas deste mundo! Pode ser que Deus te alivie e te acrescente, ó aflito e necessitado! Há um Reino cujo convite é este:

“Vinde a mim todos que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei […]” (Mt 11: 28).

Ao homem cabe buscar a cada dia seu pão, mas Deus é quem supre tudo e todos. Mas há um convite especial e esse convite se resume em crer que Jesus Cristo é a provisão de Deus para a redenção humana, sendo Ele o Filho de Deus e altamente capaz e suficiente para perdoar a nossa dívida diante do Pai e eficientemente capaz de nos oferecer paz, cuidado, descanso e, sobretudo, certeza da salvação. O convite ao Reino é esse: “vinde a mim”. Para entrar e fazer parte do Reino, é preciso passar pela porta principal e essa porta é Cristo.
Outra verdade que pode ser extraída da resposta de Cristo no v. 15 do capítulo 12 de Lucas é esta:

C)
Quando Jesus afirma que a vida humana não consiste na abundancia de bens, Ele está dizendo exatamente que a vida humana é muito mais que isso. Muito mais que bens materiais, mesmo os mais básicos para a sobrevivência humana. E quando Ele (em Mt 11. 28-30) convida a todos os cansados e sobrecarregados para virem a Ele, o Mestre está implicitamente mostrando-nos que o fim para o excesso de preocupação, ocupação e amor ao dinheiro, bens e ao bem-estar só pode ser o cansaço e a sobrecarga, pois, a vida humana é sempre mais que isso. Mesmo conseguindo tudo nesta vida, a sobrecarga continua. Mesmo rodeado de bens, a ausência de paz permanece. Por quê? Porque há em cada ser humano (crente e não crente) uma atualidade infinita de ser que o faz aspirar sempre algo exterior à sua contingência, limitação, finitude e situação. O homem (mesmo em pecado, sem Deus e, portanto, impossibilitado totalmente de “escolher” Deus), deseja profundamente a transcendência, pois, em sua estrutura há uma essencial abertura ao infinito, pois, com o sopro do infinito fora criado. Para a glória de Deus foi criado.

Dada à sua depravação e impossibilidade de discernimento espiritual, tem buscado o sentido de sua existência nas coisas contingentes que participam da mesma finitude e situação de seu mundo. Os bens materiais, o dinheiro, o conforto, etc. são importantes, mas não podem garantir a plena vida ao homem. Nada podem acrescentar ao homem no que diz respeito à sede de sua alma.

O homem não é só seu corpo, mas ele é alma e o aspecto espiritual que também forma sua estrutura pede sempre mais. O homem é, desse modo, um eterno insatisfeito. Porém, só é eterno insatisfeito quando não tem um real encontro com Cristo.

Jesus disse:

“Que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”. E “Que daria um homem em troca de sua alma?” (Mc 8. 36,37).

Como disse R. C. Sproul: “Jesus pôs uma etiqueta de preço bem alto no valor da alma humana”. E isso é verdade! Portanto, meus amados, nós não podemos desperdiçar a nossa alma no vazio, num Cristo vazio pregado pelos religiosos, pragmáticos e liberais. Não podemos oferecer nada à nossa alma edificando a nossa existência nos bens, valores e coisas deste mundo. Não podemos desperdiçar a nossa alma buscando o real sentido de nossa existência na satisfação individual.

Em 1 João, há uma clara distinção entre “os que são do mundo” e “os que são filhos de Deus” (1Jo 1. 15-17). Nós que cremos em Cristo não podemos agir como os que não crêem, pois os que não crêem nutrem suas esperanças nas coisas terrenas, mas os filhos de Deus nutrem suas esperanças nas coisas que são de cima (Cl 3. 1-4). E isso, definitivamente, implica uma postura diferente para ambos os lados.

Os filhos deste mundo são individualistas e amam a si próprios. Trabalham, ajuntam, se apegam, consomem, lucram, mas só pensam em si mesmos. Já os filhos de Deus, segundo a própria conceituação joanina, amam o seu próximo e vive em comunhão, pois têm a Deus como Pai (1 Jo 2. 1-11). Em outras palavras, há uma diferenciação drástica entre o reino das trevas e o Reino da Luz. Em qual você tem sido cidadão? Não será a sua denominação religiosa quem definirá isso, mas, tão logo, suas atitudes e as obras de sua fé. Tem buscado, antes de tudo, o Reino de Deus ou tem depositado suas esperanças nas coisas terrenas?

Atentem-se! Existe uma condenação! “O que não crê já está julgado”! (Jo 3. 18). Não esperar em Deus e não buscar nele nossos anseios, necessidades e sustento para esta vida é ausência de confiança. Ausência de confiança nada mais é do que ausência de fé. Portanto, quem não crê, está já condenado. Venha você que está cansado e sobrecarregado! Pode ser que Deus te aceite se, com todo o coração, crer e se arrepender. Há em Cristo a esperança! Há em Cristo o sentido para a existência! Há em Cristo o cuidado e o amor do Pai. Há em Cristo uma novidade de vida.

No capítulo 12 do Evangelho de Lucas, desde o versículo 13 à exortação de Cristo para se buscar, antes de tudo o Reino, há essencialmente duas classes de pessoas:

1) A primeira diz respeito da multidão, representada pelo anônimo homem que falou ao Mestre sobre a divisão da herança.

A multidão, desde o ministério de Cristo nesta terra, segue a Jesus, busca a Jesus, mas, geralmente, não quer um compromisso com o Reino. Uma prova disso está nos quatro Evangelhos. Os tais não relatam “uma multidão” integralmente envolvida nos eventos de maior comunhão em todo o relato bíblico neotestamentário. Falo, por exemplo, das missões comissionadas aos discípulos, da Santa Ceia, do dia de Pentecostes, das aparições de Cristo, da assunção de Cristo aos céus, etc. Mas, por outro lado, a multidão estava em meios aos milagres e em meio aos sermões, pois esses ativavam alguns interesses terrenos da mesma. Os milagres eram bons, pois atendiam algumas carências e necessidades entre a multidão. Alguns sermões sobre o Reino de Deus eram interessantes em alguns pontos, pois pareciam pressupor uma reação contra o governo romano estabelecido ali. Podemos lembrar-nos do sermão pregado por Cristo (em João 6. 27-65). Logo após a mesma multidão ter presenciado um milagre de multiplicação de pães e peixes (João 6. 1-14), as palavras posteriores foram bastante indigestas. Não gostaram do sermão! Escandalizaram-se quando Cristo se revelou como o Pão que desceu do céu e que era necessário comer de sua carne e beber de seu sangue. Saíram logo dali. Não conheciam o Cristo “real”, mas aguardavam um revolucionário que atendesse seus anseios imediatos, multiplicando sempre o pão e o peixe, curando e afrontando autoridades. Isso evidencia o total apego pelas coisas terrenas. A esperança estava amplamente fincada no mundo e não no céu. Jesus falava do Reino de Deus. E, para conhecer e participar do reino de Deus, seria (e continua sendo) necessário comer da carne e berber do sangue. Muitos hoje se escandalizam e voltam para os vales para tomarem conta de suas tantas e preocupantes coisas. Comer a carne de Cristo e beber de seu sangue implica total envolvimento com o Cristo. Implica participar de suas aflições e de sua glória. Implica fazer parte de seu corpo. Implica ter uma comunhão real com Ele. Implica estar cheio dele, cheio do Santo Espírito dele. E isso não tem sido para a multidão, mas apenas para os discípulos genuínos. Ser cidadão do Reino implica algumas renúncias e algumas posturas. Contudo, Jesus, nosso Senhor, aliviou toda a nossa carga quando na cruz derramou seu sangue para o perdão nosso. O convite está posto: “Vinde a mim todos que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”.

Aquele anônimo que pede para Cristo julgar uma causa sua (que envolve uma repartição de herança) conheceu o Jesus- juiz e o Jesus partidor, mas não conheceu o Cristo Libertador, Salvador, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da paz, Conselheiro, maravilhoso, etc. Ignorou o Reino, dando primazia à briga pela repartição da herança. Vale lembrar que a multidão só participou de um grande momento do Evangelho do Reino, a saber, a crucificação de Jesus na qual uma multidão brava pedia para que o crucificassem naquela hora. Nem mesmo a boa recepção de Cristo em Jerusalém diminuiu a culpa daquela multidão.

2) A segunda classe de pessoas diz respeito dos discípulos:

Citei apouco João 6. 27-65. Note que em 6. 66 está registrado que muitos discípulos abandonam a Cristo diante do duro sermão. A partir dali já não eram mais discípulos e passaram para o grupo da multidão. Discípulo segue. Simplesmente! Discípulo deixa tudo para seguir (Mt 19.29).

O discípulo é aquele que, se preciso for, deixa casa, pais, irmão e irmã, mulher e filhos por amor de Cristo. Isso parece muito duro! É uma proposta duríssima e até soa um pouco injusta. “Como assim? Deixar casa, pais, esposa, filhos…”. Pois é! Se for preciso, essa é a proposta na qual o verdadeiro discípulo está disposto a cumprir. Logicamente, Deus não nos tem pedido isso. Muito pelo contrário, a Bíblia está cheia de admoestações a respeito dos cuidados que devemos ter com a nossa família, nossa casa e, até mesmo, nossas riquezas, bens, valores, etc. A proposta do Evangelho não é uma vida marcada por um tipo de platonismo, totalmente desligada das coisas terrenas. Isso se chama alienação e Evangelho não implica em alienação. Mas a força da expressão de Cristo é exatamente essa: se necessário for, o discípulo deve deixar tudo e seguir. Isso fala também de: a carreira do discípulo (algo que é proposto a todo crente sem exceção) implica na primazia ao reino de Deus. O que é dar primazia ao Reino de Deus? É valorizar acima de tudo os interesses do Reino. Lembremo-nos das palavras de Jesus sobre os dois principais mandamentos (Mt 22. 38). Ambos pressupõem o cumprimento de toda a Lei, certo? Pois então, veja que estão neles os interesses centrais do Reino. Primeiro: amar a Deus acima de todas as coisas. Isso implicará em uma série de posturas como:

1) Guardar os mandamentos (Jo 15. 10-15);
2) Santificação;
3) Vida de oração e leitura bíblica;
4) Vida de testemunho e real adesão ao Evangelho;
5) Vida frutificada para a glória de Deus.

Segundo: amar o próximo como a si mesmo. E isso, igualmente, implica numa série de posturas que, também, condizem com a proposta do Reino de Deus, a saber:

1) Vida que evidencia os frutos do Espírito Santo;
2) Vida piedosa;
3) Vida que compartilha;
4) Vida que acolhe;
5) Vida que evangeliza e ganha almas para Cristo.

Está aí, portanto, o cumprimento de toda a justiça! Está aí o Reino de Deus como a prioridade na vida do verdadeiro discípulo de Cristo. O cidadão do Reino ama o seu Senhor e Rei acima de tudo, pois está convencido pelo Espírito Santo de que Jesus Cristo é Filho do Deus Altíssimo, Senhor e Rei. O cidadão do Reino ama o seu Deus e ama as suas leis. O cidadão do Reino, enquanto (ainda) habitante deste mundo, sabe que o seu Deus provê tudo e não anda sobremaneira preocupado a ponto de se afastar da luz. Suas preocupações são logo depositadas em oração e súplicas aos pés do Rei. Em Deus ele espera. Em Deus ele também sabe padecer de algumas faltas. Como disse Paulo: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado, de tudo e em todas as circunstâncias […] posso todas as coisas naquele que me fortalece”, (Fp 4. 12,13). O cidadão do Reino vê o outro como um “outro eu”, por isso é cheio de compaixão e misericórdia. O cidadão do Reino se coloca tão logo no lugar do outro. O cidadão do Reino prega a Palavra, ama as almas perdidas e busca trazê-las para a Luz. Eis o Reino estabelecido na vida daquele que ama o seu Deus acima de todas as coisas e ama o próximo como a si mesmo. Uma nação santa se estabelece através da vida do real discípulo de Jesus Cristo.

Logo após Jesus falar sobre a avareza, partindo da resposta que deu àquele homem entre a multidão, solícito pela sua herança, discorre para a importância de se valorizar primeiro o Reino, antes de todas as outras coisas.

Note que no versículo 22 Jesus dirige-se aos seus discípulos. Há uma verdade a ser considerada neste ponto: a admoestação para se priorizar o Reino é dada aos discípulos à parte da multidão. Por quê? Porque, como falamos agora a pouco, a multidão não quer decisivamente um compromisso com o Reino, pois não quer assumir um compromisso com o Cristo. Mas o discípulo verdadeiro sim. Por isso, a advertência para se valorizar o reino pertence aos que foram chamados para o Reino. Valorizar o Reino é questão que envolve, sobretudo, fé e, sabemos que a fé não pertence a todos. De igual modo, nós sabemos que a falta de fé faz com que o homem permaneça em sua própria condenação. E a vida sem fé é evidenciada, principalmente, pela falta de confiança em Deus para todas as coisas.

Do versículo 22 ao versículo 27, algumas considerações podem ser tiradas:

1) A preocupação com as riquezas deste mundo é, portanto, sinal de incredulidade: “Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais se tratando de vós, homens de pequena fé!” (v. 28). A exacerbada solicitude pela vida supõe falta de confiança em Deus, falta de fé na Palavra de Deus e tais modos revelam a vida daquele que não atendeu o convite para o Reino. Há uma condenação!

2) A preocupação com as coisas desta vida podem implicar em infidelidade a Deus, pois o crente fiel sabe que Deus cuida dos seus e, portanto, segue a Cristo e anseia por um relacionamento com seu Deus. Pelo contrário, o solícito se afasta de Deus quando se volta para suas preocupações e ocupações terrenas, esquecendo-se de Deus e de seu próximo. Ou seja, ele descumpre os dois importantes mandamentos ensinados por Cristo. Portanto, o Reino não o pertence. O mundo sim o pertence:

“Não ameis o mundo nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne e a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 Jo 3. 15-17).

3) O excesso de preocupação e a falta de zelo pelas coisas mais importantes, como o cuidado da própria alma e a missão cristã (que cabe a todo crente sem exceção no Evangelho), produz uma vida estática e improdutiva. Por que improdutiva? Porque, embora os solícitos pela vida trabalhem e produzem muito, nada acrescentam para a vida eterna e seus dias são dias que, naturalmente, mais se aproximam para a morte e para a condenação. O ansioso, conforme diz Cristo, não pode acrescentar nenhum côvado ou nenhuma hora a mais para sua vida (v. 25). Pelo contrário, o discípulo que valoriza o Reino, acrescenta à sua vida, além dos cuidados e provisões de Deus (Sl 145. 9-16), a abundancia de vida eterna, sendo essa a finalidade do Reino. Como disse nosso Senhor:

“Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com seu selo” (Jo 6. 27).

4) A excessiva solicitude pela vida pode fazer com que o crente caia em diversas tentações, pecados, ruínas e perdições. Pois, como Paulo adverte a Timóteo, “os que querem ser ricos caem em tentação e em laço e em muitas concupiscências loucas e nocivas que submergem os homens na perdição e ruína, Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se transpassaram a si mesmo com muitas dores” (1Tm 6. 9,10).

5) A exagerada solicitude pela vida, além de significar ausência de fé e confiança e evidenciar um preocupante amor ao mundo, é também uma espécie de rebelião. Por quê? Porque a vida humana tem muito mais valor que todos os exemplos dados por Cristo nesta passagem bíblica. A erva, o corvo, os lírios e o próprio corpo corruptível do homem não são maiores que a própria vida humana e desta cabe a Deus cuidar e prover. O homem insensato não confia na provisão divina e evidencia desse modo a sua inimizade com o Criador. Evidencia sua rebeldia. Evidencia sua auto-suficiência.

Mas, embora muitas coisas sejam importantes para a nossa existência neste mundo, para nossa saúde, bem estar, etc., a maior importância está na busca pelo Reino. A busca (ou a primazia) pelo Reino implica em:

1) Buscar a Deus e depositar nele toda a confiança;
2) Amar a Deus sobre todas as coisas, amando e seguindo seus mandamentos;
3) Se fiel em tudo;
4) Crescer em graça e conhecimento e dar muitos frutos;
5) Procurar o caminho da santidade;
6) Realizar a obra do Pai e proclamar o Evangelho
7) Servir o seu próximo/ amparar o próximo em tudo que for necessário e possível;
8) Aguardar em fidelidade e serviço a volta de Jesus Cristo.

Valorizar, antes de tudo, o Reino de Deus, não supõe jamais o descaso com as outras coisas. Em todo país ou reino, a família, o trabalho, os filhos, a saúde, o bem-estar, e boa educação e formação acadêmica, o entretenimento e tantas outras coisas são importantes para a qualidade do país ou do reino. No Reino de Deus é semelhante. Cuidando e valorizando as coisas de Deus, todas as outras estão já incluídas. Porém, com uma considerável diferença: enquanto aqui, corremos atrás da boa saúde, da boa educação, do bom trabalho, da comida, da bebida, das roupas, do lazer, etc. Mas no reino celestial seremos satisfeitos em tudo, pois receberemos com Cristo a Herança eterna.

Na carta aos colossenses, Paulo fala com os santos que foram chamados para a salvação para que esses dêem graças ao Pai que os fizeram “idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz” (Cl 1. 12). De fato, há uma herança eterna! Se há uma herança eterna prometida para os que estão em Cristo, há – também para esta vida – a certeza do cuidado e da provisão de Deus. Não importa o muito ou o pouco, Deus cuida daqueles que fazem parte do Reino. Citei agora a carta aos colossenses. Pois bem, veja que Paulo registra tal esperança pela herança dos santos, mas antes os convida a participarem efetivamente do Reino que a eles também foi oferecido por Deus (Cl 1. 9-11). O convite ao reino é um convite para uma nova postura em Cristo! O Reino pertence aos que foram perdoados e remidos pelo sangue de Cristo. Vir ao Reino implica numa vida santa, honesta, fortalecida e firmada em Cristo, digna, exemplar e em constante crescimento para a glória de Deus. O Reino é para os que estão com Cristo e Cristo é o sentido de nossa existência.

Cristo é o sentido! É o perdão. Ele é a reconciliação pelo seu sangue com o Criador. Ele é a esperança nossa para vencer a morte. Ele venceu a nossa morte! Ele é a esperança da vida eterna! Seu Reino é eterno! Ele é quem faz com o homem creia que há um Deus que cuida de tudo e que, antes de tudo, há um Reino. Se há um Reino, há uma “nova cultura”, a saber, a cultura do Reino. Existindo uma “nova cultura”, há uma nova postura quando – por fé – se adere à mensagem do Reino. A saber, a mensagem do santo Evangelho.
O convite, então, continua posto:

“Vinde a mim todos que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei […]” (Mt 11: 28).

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Aquietai-vos (Sl 46: 10)

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“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus […]” (Salmos 46:10)

Existem momentos em que é preciso, às vezes, deixar Deus trabalhar sozinho. Não que Deus dependesse da nossa miserável ajuda para efetuar algo, pois até o fato de hoje querermos Deus é porque Ele nos capacitou a isso. Mas, dentro dos decretos eternos de Deus que envolvem toda a nossa vida, temos livre agência (não “livre arbítrio”) e podemos tomar algumas decisões no que tangem os tantos fins e meios na esfera de nosso existir. Contudo, existem momentos em que devemos ficar quietos e deixar Deus tomar conta de tudo. Baixar a guarda totalmente. Seja isso numa determinada área de nossa vida, seja numa situação mais abrangente. Tem momentos em que Deus quer nos dar a conhecer de sua divindade e assim se revelar de uma forma ainda mais profunda, fazendo gerar em nós uma nova postura, um novo entendimento, uma nova perspectiva e uma nova ação. No entanto, o ato de deixar Deus trabalhar não implica total inércia. Não significa cruzar os braços e simplesmente esperar acontecer algo ou aguardar que caia alguma coisa do céu.
Enquanto os demais animais apenas têm necessidades e carências naturais, agindo por instinto para supri-las, nós, seres humanos (crentes ou não), temos sonhos, desejos, aspirações, vontades e sentimentos que ultrapassam os limites corporais e psíquicos da natureza humana. Somos seres espirituais. O que nos difere, inclusive, dos animais irracionais. Muitas vezes nossos desejos e vontades não passam de uma carência carnal, sentimental, etc. Por outro lado, muitas vezes se manifesta em nosso íntimo alguma carência espiritual ou alguma sobrecarga espiritual, algo que as vezes falta ou mesmo algo que as vezes sobeja e que precisa ser tirado. Quando temos fome, tão logo sabemos que precisamos comer e, não desejando delongas, comemos e tornamo-nos satisfeitos. Porém, alguns sentimentos, algumas carências espirituais, alguns sonhos que incomodam a alma, a ansiedade por algo que muito se quer, dentre tantas outras coisas parece vir para nos deixar confusos, tristes, ansiosos sobremaneira, preocupados, angustiados e incomodados. Enfim, entramos para o estágio da inquietação.
Portanto, a ordem descrita no salmo 46: 10 torna-se pertinente para tais situações. “Aquietai-vos!”. No hebraico, a expressão é igual a: “raphah”, um termo cujo significado é variado e pode ser atribuído em várias aplicações. Mas o que chama a atenção aqui é o fato do termo “aquietai-vos” (raphah), além de significar “permanecer parado“, estar ligado também aos termos: “soltar”,“deixar ir” ou “deixar cair”. E em vários momentos de nossas vidas, quando estamos diante de uma guerra travada ou quando a provação está num alto nível onde parece que não vamos suportar, queremos logo agir. É tipo nosso mesmo. Muitas vezes, quando deixamos apenas a nossa vontade (escrava, limitada e totalmente influenciada pelas circunstâncias) falar mais alto, a tendência é esquecermos que há um Deus soberano em glória e majestade. Quando não buscamos a Deus e quando não entregamos nossa vida por inteiro à Ele, nos submetemos (de forma cativa) a nós mesmos e ao que nos cerca e fracassamos. Precisamos deixar ir toda a prepotência, todo o orgulho, toda a incredulidade, todo o questionamento, toda a murmuração e todo o desânimo. Precisamos “soltar” tudo! Aquietar o espírito totalmente. Isso só se dá quando nos apropriamos de um importante meio de graça, a saber: oração. Quando oramos, quando confiamos e quando entregamos, estamos – de forma concomitante – aquietando-nos para que assim Deus venha agir. Não que Deus precisa exatamente de alguma postura nossa para agir ou deixar de agir. Não! Ele quer que aprendamos e cresçamos em cada situação que venhamos nos encontrar nesta vida. A vida cristã é uma escola, cujo objetivo é a perfeição. Como Paulo mesmo disse (em Fp 3: 12), nós não alcançamos ainda a perfeição (gr. teleiotes) e essa se dará de forma completa na ressurreição. No entanto, caminhamos em postura constante para que alcancemo-la.
Nesse ínterim, portanto, a oração não é uma opção. A oração é uma necessidade. É fundamental. Ela – quando feita em fé, de forma constante e firmada nas Escrituras, nos leva ao entendimento da situação que nos cerca, dos propósitos de Deus na situação e à conclusão de toda provação e batalha diante de uma nova postura e uma maturidade ainda maior. Até porque, é na oração que o Espírito Santo (Consolador/ “parákletus“) “ensina todas as coisas” (João 14: 26) e, muitas vezes, Ele nos mostra ou nos faz discernir por nós mesmos que algo pode estar errado, algo deve ser mudado, alguma nova postura devemos tomar, etc. Contudo, o primeiro ato é: aquietar-se!
Na oração, Deus comunica ao nosso espírito a segurança que há nele (Sl 46: 1-7); na oração, Deus nos faz entender pelo seu Santo Espírito que Ele é poderoso em obras (Sl 46: 9); na oração, Deus nos faz sentir sua presença e dá a certeza que Ele está conosco (Sl 46: 11). Enfim, na oração, Deus nos exorta à quietação (Sl 46: 10).
A oração é, essencialmente, trinitária. O cristão ora no poder habilitador de Deus o Santo Espírito, que torna apropriado, como é Seu privilégio, a obra expiatória de Deus o Filho, o qual, sozinho, lhe dá acesso ao trono de Deus o Pai. Orando, portanto, nós estamos nos sujeitando, agora, ao mesmo poder que criou todo o universo e tudo que nele há. Muita coisa, não é? Pois é! Aquieta-te!
Nós podemos nos dirigir ao Pai através dos méritos de Seu Filho, e unicamente por Ele (Jo 14:6). Charles Haddon Spurgeon, em um sermão em Lucas 11:9-10 disse: “Nunca houve uma verdadeira oração dedicada a Ele que não foi ouvida. As orações mais aceitáveis em seu nível mais elevado chegam a Ele pelo caminho dos ferimentos de Cristo.” Como a Pessoa que aplica a grande salvação de Deus aos eleitos em regeneração e conversão, o Espírito Santo energiza as orações a serem dedicadas. Quando não sabemos nem mesmo como orar mais, Deus nos ajuda e nisso também nos aquietamos. Em Sua onisciência, o Espírito Santo é perfeitamente familiar com a profundidade de nossos espíritos e com a santa vontade de nosso Pai (Rm 8:26-27).
Quando, em nossa quietação, nos faltam palavras, Ele sabe imediatamente como orar por nós. Ele sabe como compor orações de modo que sejam aceitáveis ao Pai das luzes. Nós podemos descansar no conhecimento de que a oração sincera do coração do crente não será desprezada pelo Pai, que nos convida a que Lhe falemos. E nisso paramos para Deus agir! Desde o incentivo e a exortação à oração até a resposta e a conclusão de tudo, Deus age de forma soberana. Precisamos buscar uma sensibilidade tal para entendermos e discernirmos quando é o momento de deixar apenas Deus obrar.
> “Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, senão de Deus” (2 Cr.20:15).
> “Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Salmo 139:10).
> “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará” (Salmo 37:05).
Outra questão interessante e relevante no salmo 46: 10 é o resultado do ato de ficar quieto e deixar Deus trabalhar, a saber, o conhecimento da divindade do Criador: “aquietai-vos e sabeis…”; “…sabeis que eu sou Deus”. Como já falamos aqui, a vida cristã é uma escola. Nesse processo, vamos crescendo em graça e conhecimento (2 Pd 3: 18). Deus vai completando sua obra em nossas vidas ( Fp 1: 6). Conhecer a Deus está totalmente ligado ao fato de experimentar sua poderosa ação em nossas vidas. Não falo dos experimentalismos e das diversas experiências carismáticas onde se intenta conhecer Deus por um viés estranho. Mas, “aquietar e saber quem é Deus” pode ser empregado no mesmo sentido de: parar e orar. Aqui, acrescenta-se: parar, orar e se apegar à leitura das Escrituras.
É necessário, algumas vezes, diminuir nossa atuação, sairmos um pouco de cena e deixar Deus advogar. Conforme João Batista, falando de seu ministério, precisamos também diminuirmos para que Cristo se evidencie em nossas vidas. Quando estamos ansiosos, quando estamos inquietos, preocupados, tristes, desanimados, etc., Cristo deve viver em nossa vida para que não venhamos a viver por nós mesmos e debaixo do jugo que muitas vezes o mundo (e também nós mesmos) nos impõe. Cristo é exemplo para nosso agir e também é exemplo para aquietarmos. Basta lembrar da cruz e das acusações. Houve o momento de parar para que a glória do \pai se manifestasse na História. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”(Gálatas 2:20). Deixemos o “eu” para que possamos conhecer o “Eu Sou”.
Moisés quando foi chamado por Deus para a libertação de Israel do Egito, ele, querendo dar uma boa explicação a Faraó sobre quem estava ordenando a saída do povo, perguntou: “qual é o seu nome”? (Ex.3:13). Poderia ter pensado: “mesmo vendo essa sarça em fogo e não se consumindo, devo saber quem me ordena por essa voz” (conjectura minha). Moisés convivia com os egípcios e em meio aos deuses tiranos e falsos do Egito. Embora educado segundo os preceitos hebreus, ele não havia tido ainda um encontro com o Deus vivo. Não havia acontecido ainda algo que marcasse sua história.
Algo capaz de mudar os rumos de sua existência. Mas a resposta do Criador foi satisfatória: (Ex.3:14) “EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós”. Não havia espaço para argumentação, mas sim para a fé. As vezes, ficar quieto é atitude. A atitude de Cristo mais expressiva para nós foi sua morte substitutiva. Foi Deus agindo para a salvação de muitos, sendo que toda a humanidade nada podia fazer para ser salva. Enquanto o mundo se aquietou, Deus mostrou, através de Jesus Cristo, que Ele é Deus. Deu-se a conhecer a muitos por sua majestosa generosidade. Jesus assim se fez quieto, como Cordeiro mudo. Mas o céu e a terra estremeceram…e a Igreja agora sabe que Deus é Deus e é Soberano e justo, tanto para nos salvar, como também para nos ajudar em todas as intempéries de nossa vida segundo seus próprios propósitos e justiça.

Pode ser que, diante daquilo que você está agora vivendo, o momento seja de parar, aquietar o coração, orar, exercer a fé, ler a Palavra de Deus, pois Deus anela ajudar os seus escolhidos e não lança fora ninguém que fora comprado pelo sacrifício de Cristo. No momento certo e em sua própria economia, Deus conclui toda e qualquer situação e aumenta mais em nós o conhecimento de sua glória. Pode ter certeza: na próxima batalha você estará mais preparado e com a fé mais desenvolvida, pois tem mais conhecimento do Deus que te salvou.

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus; credes também em mim […]” (João 14: 1).
Que Deus abençoe as nossas vidas, amém.

Gabriel Felipe M. Rocha*

* Gabriel F. M. Rocha é professor, graduado em História (licenciatura e bacharelado); pós graduado em Sociologia (lato sensu) e mestrando em Filosofia (stricto sensu) nas áreas de Ética e Antropologia.

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Lendo as Escrituras

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“Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo” (Ef 3.4).

Nosso texto de hoje possui íntima ligação com o versículo seguinte:

“O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” (Ef 3.5).

Lembramos que, originalmente, a Bíblia não fora separada em capítulos e versículos, de modo que usamos estas divisões simplesmente por facilitar a localização. Desse modo, ninguém deve ler a Bíblia como se fosse o intento de Deus nos deixar “fragmentos” ou versículos isolados, textos que geram pretextos, etc. afinal, tal qual como corriqueiramente fazemos em livros diversos, a leitura deve ser completa e una, a fim de não entendermos de maneira errada a mensagem bíblica.

Paulo escreve para os crentes de Éfeso que, ao lerem a carta em questão, poderiam compreender que nela havia o conhecimento do mistério de Cristo. Podemos ver sobre este mistério em Efésios 1.9, quando Paulo reafirma que Deus teve por bem revelar as coisas que permaneceram ocultas nos tempos passados.
Devemos entender corretamente um precioso detalhe: o que devemos conhecer “do mistério de Cristo”? Tal mistério não diz respeito há algo indecifrável, e sim à revelação de Deus, que é o próprio Cristo. Próprio Cristo que está revelado na Escritura. A Escritura testifica do Cristo! Paulo registra que, ao lerem sua carta, os cristãos poderiam perceber que nela havia grande conhecimento da pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus e Salvador de todos os eleitos. Aqueles cristãos teriam uma carta repleta de abundante sabedoria vinda de Deus, a qual explicitava a pessoa de Cristo e tudo que Ele fizera pelos judeus e gentios, de forma que os gentios não deveriam a ler como sendo palavras de homens, mas, sim, buscando encontrar o Cristo nela contida.

Mas o fato é que a Bíblia carrega em si um conteúdo relevantemente poderoso. Se ela testifica do Cristo, ela – pela ação do Espírito Santo de Deus – chama o homem (eleito) de volta à Vida pelo conhecimento da Verdade, a saber, que Jesus Cristo é Senhor e Salvador.
Ela, portanto, chama o homem de volta a Deus e aponta o caminho. Basicamente podemos defini-la assim. Partindo desses dois pólos, Jesus é o caminho que leva o homem de volta a Deus. Nessa perspectiva, temos o real ‘avivamento’ que é exatamente a volta para Deus e para sua Palavra. Como disse certa vez Luiz Sayão, o verdadeiro avivamento leva o crente a Deus e o faz desejar conhecer mais sobre a Palavra de Deus, pois o conteúdo do avivamento é espiritual e, se leva o crente para as Escrituras, se dá porque ela – a Escritura – é espiritual. É a própria voz de Deus pela ação do Espírito Santo. Espírito Santo que revela o Cristo vivo e ressurreto à igreja.
O versículo que está separado para esta análise (Ef. 3:4) nos ensina três coisas de vital importância para nossa vida espiritual: devemos ler a Escritura e devemos perceber algo divino. A quem buscamos compreender?

Devemos ler a Escritura – “Por isso, quando ledes”

Freqüentemente temos visto como a leitura da Palavra de Deus tem sido negligenciada pelos cristãos. Muitíssimos têm preferido revelações extra-bíblicas. Encarando os fatos de modo sincero, podemos dizer que todo aquele que não se satisfaz com o que o Senhor nos deixou legado, ainda não amou a Cristo com completa inteireza de coração. Buscar uma revelação além da Escritura ou que venha ferir a sã doutrina de Cristo é ultrajar a Deus e afirmar que Ele nos deixou um conhecimento incompleto, de maneira que precisamos, supostamente, ir a homens para obter uma maior graça. Jamais podemos, entretanto, advogar novas revelações aos homens no que tange à administração da Palavra e em matéria de salvação, pois firmemente lemos que só é lícito praticar e ordenar as coisas prescritas (Dt 12.32). Reforçamos, ainda, que o Espírito Santo é livre para agir da maneira como lhe convém (Jo 3.8), de maneira que não estamos afirmando que o Ele não mais age em nosso meio; pelo contrário, afirmamos que Ele está firmemente presente em Sua Igreja, aperfeiçoa a mesma para triunfar com Cristo e é plenamente ativo, se limitando, apenas, a agir de acordo com o que foi revelado em Sua Palavra, isto é, porque o Senhor não pode mentir e nem se contradizer (Tg 1.17), jamais agirá contrariamente ao que nos deixou para o ensino (2Tm 3.16-17).

As consequências de não se conhecer a Bíblia são graves e os homens constantemente a distorcem por não a conhecerem. O Senhor afirma que o desconhecimento de Sua Palavra é a causa de entendimentos errôneos. Por exemplo, quando o Mestre foi inquirido acerca de quem estaria eternamente unido com a viúva que se casou com seus cunhados, respondeu aos saduceus, os quais não criam na ressurreição (Mt 22.23): “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29). Noutro lugar, afirmou sobre a acusação de Seus discípulos não lavarem as mãos antes das refeições (Mt 15.2), demonstrando cristalinamente que a adoração daqueles escribas e fariseus (Mt 15.1) era falsa e não recebida por Deus: “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens” (Mt 15.8-9).

Observemos como o Senhor usa de uma expressão precisa para aqueles que com sua boca o professam, mas na realidade sequer o conhecem: “em vão me adoram”. A palavra traduzida por “vão” é deveras incisiva, significando uma ideia através da tentativa de manipulação, ou seja, uma busca sem sucesso, ou então de punição. O que Cristo diz é que se alguém se achega a Ele simplesmente dizendo fazer parte de Sua família, quando não possui o correto conhecimento de Deus, pois o “seu coração está longe de mim”, acaba por adorar sem qualquer sucesso em ter acesso a Deus, pois o que estão a realizar “são preceitos dos homens”.

Tal ensinamento deve nos levar à reflexão se o que temos pensado acerca de Deus e de tudo o que foi criado, é de fato vindo da Palavra de Deus. Noutras palavras, devemos olhar para nossos pressupostos internos e refletir sobre como temos encarado o mundo, a fim de verificar se estamos como que olhando com as lentes de Deus. Isto foi dito pelo apóstolo, quando afirmou: “nós temos a mente de Cristo” (1Co 2.16).

Como alguns professos da fé cristã podem afirmar ter a mente de Cristo, ou seja, enxergarem o mundo e nele viverem como o próprio Cristo, se os tais não meditam dia e noite nas Escrituras (Sl 1.2)? Para agravar ainda mais a situação destes miseráveis homens, quando afirmam ser cristãos, mas não leem a Escritura e sequer se deleitam na Lei de Deus, acabam por ferir o terceiro mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êx 20.7). Tal mandamento possui, dentre outras nuances, o condão de levar os homens a não professarem terem o Senhor como seu Salvador, se assim não vivem; também faz com que os homens refreiem suas atitudes, afinal, carregam o bom nome de Cristo consigo – “vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas” (Pv 22.1).

A única maneira de entendermos a vida cristã será mediante a firme leitura. Poderíamos exemplificar com a falsa noção de céu que por vezes acabamos nutrindo. Ora, no que consiste o céu? Quer dizer, o que haverá no céu de mais excelso? Não há qualquer erro em dizer que ele será um lugar de bem aventuranças eternas, onde “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor” (Ap 21.4). Todavia, notemos qual o fundamento da vida eterna: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). A exclusão das lágrimas, choro e dores, não é o a essência do céu; a essência será o conhecer o único e verdadeiro Deus, de maneira infinitamente mais bela e perfeita do que o podemos conhecer nesta terra!

Devemos perceber algo divino – “podeis perceber”

Quando lemos a Escritura é preciso ter um senso do que estamos lendo. A expressão bíblica “podeis perceber”, poder-se-ia se traduzir, para nós, em forma de pergunta: o que temos percebido? Ou: temos percebido que ela transcende a humanidade? Temos percebido o que o Espírito está falando e orientando? Temos conhecido o projeto divino? Quando lemos o Pentateuco, isto é, os cinco primeiros livros da Bíblia, o “compêndio da Lei de Deus”, enxergamos a bondade, beleza, suavidade e misericórdia de Deus em Jesus Cristo? Quando lemos os provérbios escritos por Salomão, entendemos que a sabedoria é como que o próprio Cristo personificado? Quando lemos Cantares, entendemos quão grande é o amor de Cristo por sua Igreja?

Como cristãos, é necessário averiguar o que diz a Escritura: “podeis perceber”. O tempo da sentença não diz respeito a “poderão” ou “poderiam”, mas, sim, “podeis”. Mostra uma possessão que nos é possível. Mas possível como se somos pecadores e espiritualmente limitados em relação à grandeza do Criador? Podemos perceber pelo Espírito Santo! Compreender a divindade das palavras registradas (2Tm 3.16-17) é algo possível e deve ser buscado por todos os filhos do Senhor. Em nossa responsabilidade, devemos rogar ao Senhor para que nos agracie com o correto entendimento de Sua Palavra, pois quantas são as vezes que nos achegamos à Escritura de modo leviano, displicente, sem praticarmos o nosso culto racional (Rm 12.1), isto é, com entendimento do que estamos realizando?

Precisamos ler a Escritura e termos nossos corações impactados. A leitura bíblica individual deve transformar a vida interior e as atitudes exteriores. Quando isto acontece, não raro é fruto de nossa má compreensão sobre a que as palavras de Deus são a verdadeira comida e bebida. A necessidade imperiosa é buscarmos ler Escritura de modo a poder a manejar corretamente. Porque vivemos em uma época de facilidades e automatismos, lamentavelmente transpomos este conceito para a vida de cristã, como se a leitura bíblica, por si só, como um dever, fosse trazer todos os benefícios do Espírito Santo.

A quem buscamos compreender – “a minha compreensão do mistério de Cristo”

Devemos buscar somente a Cristo. Ele é o princípio e o fim. Seu Nome está implícito e explícito de Gênesis a Apocalipse. Vemos aí o mistério de Cristo!

A Escritura sem o conhecimento efetivo de Cristo e sem o resultado prático desse conhecimento em nossa vida, não frutificará em nada. “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (Jo 5.39 – grifo meu). Se não buscamos encontrar Cristo em cada pormenor da revelação de Deus, então estamos a lendo somente para proveito egoísta, como se fora uma livro de agradáveis pensamentos e norteador de boas ações. Se Cristo não estiver não estiver em preeminência em nossa vida cristã e em especial quando lemos a Palavra, então há de muito errado conosco.

É necessário recordar que Ele é a fonte da água da vida: “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” (Jo 4.14). Não homem que vá com sede à Palavra e retorne dela sem ter sido saciado. Não obstante esta realidade, devido ao pecado, inúmeras vezes os cristãos se dirigem à Escritura e em vez de voltarem “com alegria, trazendo consigo os seus molhos” (Sl 126.6), não se visualizam qualquer mudança em suas mentes e corações. Isto acontece porque não a lemos de maneira convicta e olhando para o trono da graça. Somos ávidos por Suas bênçãos, mas não desejamos Suas admoestações; cremos em Seu poder salvífico, mas não em sua santificação; O louvamos pelo poder criador, mas nos esquecemos da mão sustentadora.

Não fosse Cristo, nada existiria, pois a Escritura também atribui a criação ao Filho: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Tão grandiosa é a obra de Cristo, que o Reino é comparado ao mais excelente tesouro:”Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo” (Mt 13.44). Anotemos a importância de vender tudo o que se tem, para comprar o preciso campo – assim devemos ir até a Escritura, deixando, como o homem que fora curado e que abandonou a sua capa que o impedia de correr (Mc 10.50), todo o embaraço e passando a procurar por Cristo Jesus, porque temos a promessa: “E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração” (Jr 29.13).

Muitos, infelizmente têm buscado viver de experimentalismos e “novas revelações”. Isso é perigoso. Não podemos deturpar o verdadeiro e sadio sentido do termo “Palavra revelada”. Nosso foco, na verdade, é mostrar o que de fato é “revelação bíblica”, pois vemos em muitas igrejas certa deturpação, exagero e mau uso do termo “revelação”, dando assim brechas (talvez intencionais) para chover sobre a igreja “novas revelações doutrinárias”. A heresia cavalga aí.
Se formos para a Escritura buscando encontrar qualquer coisa que não seja Cristo ou buscando somente aquilo que agrada ao nosso enganoso coração, então estamos errando em nosso o alvo. Devemos fazer como prescreve a Palavra de Deus:

“prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus” (Fp 3.12). O crente genuíno só pode prosseguir firme e olhando para o alvo e pensando nas coisas de cima, se a Palavra de Deus nortear os seus caminhos.

Sejamos agraciados, segundo a boa medida com que o Senhor intenta nos abençoar, a buscarmos ao Senhor somente em Sua palavra.

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Pensai nas coisas que são de cima!

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Tema: A mente firme em Cristo para uma vida abundante, frutífera e agradável a Deus.

Texto base: Colossenses 3: 1-10;

Textos auxiliares: Cl 1: 10-14; 1: 21-23; 2: 6-12; 6: 18/ Fp 4: 8; Gabriel F. M. Rocha/ março de 2015.

Introdução:

Nosso tempo assiste a um gradativo esmaecer de alguns valores morais que antes se firmaram em vista de uma verdade absoluta e de um sentido. Junto do esmaecer dos bons paradigmas que regiam a forma de vida e conduta dos indivíduos em tempos atrás, percebe-se cada vez mais acentuada a fragmentação, também, dos valores cristãos em muitas sociedades. Essa fragmentação faz com que o pecado pareça cada vez mais “normal” e “natural” em nossa sociedade. De certo, a humanidade está corrompida desde o pecado de nossos pais no Édem e, a partir de então, afastada está de Deus (Rm 3: 23). Sendo assim, não se podia mesmo esperar do mundo uma postura que agrade a Deus. Impossível! Há uma humanidade escrava do pecado e totalmente inclinada para o mal.

Contudo, muitos valores morais um dia foram construídos em parcial conformidade com a vontade de Deus, considerando a existência de um Ser Supremo e Absoluto. Um exemplo específico disso é o fato de haver, embora criticado hoje por alguns, um modelo de casamento e família em total correspondência com os valores cristãos. Podemos citar outros valores cristãos que regem nossa sociedade e são defendidos até por aqueles que se dizem ateus, mas que reconhecem a eficácia de tais valores. falo dos famosos 10 Mandamentos. Poderíamos citar aqui vários outros exemplos, mas não vem ao caso agora.

A questão é: o mundo caminha para a sua condenação e o homem sem Deus, se inclina cada vez mais para o mal (1Jo: 19) . Se as verdades concernentes a Deus e a boa conduta em conformidade com o mesmo Deus vão sendo esquecidas, várias “verdades” e formas de vida virão como paradigmas nessa complexa esfera cultural de nosso tempo e esses modelos de crença, conduta, ou o próprio niilismo que se instaura, vão se esforçar ao máximo para entrar nas igrejas, nos lares e na mente dos cristãos. Essa fragmentação – ou mesmo o abandono – dos valores propriamente cristãos que atravessam os séculos (desde o advento da modernidade) se dá, principalmente, em sociedades que antes o Evangelho foi pregado com notável poder e de forma triunfante.

Relevantes homens foram usados por Deus. Homens que negaram suas vidas e aceitaram o martírio, provando por seus testemunhos pessoais e em praças públicas o que de fato é carregar a cruz de Cristo e morrer nela. Na modernidade, através da confiança depositada na razão, na racionalidade instrumental e na ciência como capazes de conferir sentido, dar respostas e dirigir a vida humana, o mundo, enfim, declarou sua inimizade com Deus, abandonando qualquer princípio que viesse sugerir uma fé e a existência de um Deus Verdadeiro, Absoluto e Bom. E agora, no seio da pós-modernidade, vemos esse alvoroço todo. Há uma crise de sentido. Muitos assumiram a postura de inimigos de Deus, sendo totalmente afastados da luz e amantes das trevas. Homens sem rumo e sem sensibilidade em relação aos seus tantos pecados. O individualismo tomou conta de nossas sociedades e a miséria de uma religião sem o amor ao próximo se espalhou entre os “cristãos pós-modernos”.

O consumismo vem ditar quem nós somos e quem devemos nos tornar; o homem busca sua auto-realização na esfera do material, do financeiro, mergulhado num hedonismo sem limites. O indivíduo pós-moderno se vê arrastado pela incessante busca por satisfação de suas carências e necessidades, pois é essa imagem de humanidade que se constrói em nosso tempo, a saber: a imagem do indivíduo que precisa se preencher (preencher o seu vazio existencial), adquirir, possuir, assumindo, então, cada vez mais sua postura como ser mundano, totalmente imanentizado e afastado da Verdade. A verdade torna-se relativa, sendo a verdade da ciência, uma verdade mutável. O verdadeiro de hoje não é mais verdadeiro amanhã. Isso, de acordo com os avanços prodigiosos da ciência. Avanços que têm, porém, esquecido a vida propriamente humana. Avanços, possibilidades e formatações que enxergam o homem como animal estruturalmente natural, sem espírito e sem qualquer valor e qualidade que venha sugerir uma dignidade essencial para além do corpo, das necessidades físicas e do utilitarismo.

Ou seja (resumindo): estamos mergulhados num pluralismo sem precedentes! Vários conceitos sobre várias coisas. Muita fragmentação de bons valores. Formações de novos conceitos… O mundo está perdido e se perdendo… Mas, e a Igreja? Para quem ela está olhando? A Igreja tem olhado para o alto! Tem buscado as coisas que são de cima! E você?

Está aí o mundo. Não é, portanto, o nosso mundo (1 Jo 4: 4, 5; 5: 4, 5)! Se Jesus venceu o mundo, nós podemos vencer o mundanismo se nossa mente for como a de Cristo. Sim! Para nós que professamos a fé em Cristo, esse não é mais nosso mundo. Estamos nele. Participamos dele. Temos uma missão nele. Ele é o nosso campo de atuação para o bom serviço do Evangelho. Mas não pertencemos e não devemos jamais tomar a forma dele. Como Paulo mesmo disse em sua carta aos Romanos, “não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12: 2). Nossa mente deve estar firmada nas coisas do alto, pois foi renovada em Cristo para a glória de Deus.

Portanto, devemos andar conforme Deus, a fim de agradá-lo e não conforme o mundo, sendo o mundo feito inimigo de Deus. Somos livres em Cristo. Livres para vivermos conforme Deus. Mas, em detrimento disso, a proposta pós-moderna tem invadido muitas igrejas. Pode até ser aceita (como algo imbatível) a corrupção do mundo, uma vez que a Bíblia não nos engana sobre o destino do mundo e sobre o pecado. Mas o que causa espanto não é a corrupção que há no mundo, mas sim a corrupção que entra nas igrejas ditas cristãs e nas vidas dos que se dizem crentes. Muitos falsos líderes tem se levantado com idéias, supostas novas revelações e ensinando doutrinas de demônio e permitindo liberalmente a entrada de muitos pecados dentro de suas congregações (1 Jo 2: 18,19). A imagem de Cristo tem se desbotado nos corações de muitos que se um dia professaram a fé em Cristo. Muitos têm caído na graça. Alguns caíram totalmente da graça, pois dela nunca fizeram e nem farão parte, mas muitos crentes genuínos deixaram-se envolver com os ditames diabólicos desse mundo e aceitaram o pecado dentro de seus corações e lares. Os argumentos segundo o mundo estão ficando cada vez mais fortes e convincentes para os que não se firmaram totalmente em Cristo.

Falei das sociedades que antes levantaram com fervor a bandeira do Evangelho. Pois é! Muitas perderam o foco. Muitas deixaram as vãs sutilezas e filosofias entrarem deturpando a mensagem e a imagem de nosso Senhor. Muitas abandonaram a fé. Muitas igrejas têm fechado suas portas na Europa. Não sei se isso mexe com você, mas me entristeço inconformadamente com essa situação. Nos EUA mesmo, a situação também se torna crítica e digna de nota. Muitas igrejas (de bons nomes, inclusive), perderam completamente o norte e estão deixando entrar tão livremente o pecado, tomando assim, a forma desse mundo. Deixando-se levar pelo argumento demoníaco do casamento homo afetivo, pela ausência de luta em favor dos casamentos que se destroem, pela naturalização do divórcio, pela aceitação do aborto, pela juventude que se afasta de Deus, pela falta de doutrina bíblica, pelos ventos doutrinários que mancham a fé, etc. Aqui no Brasil, por sua vez, a ortodoxia muitas vezes não caminha lado a lado com a ortopraxia em alguns grupos de memoráveis nomes e, quando a ortopraxia se vê de modo dinâmico e atuante em algumas igrejas de rótulo pentecostal, a Sã Doutrina perde lugar para o experimentalismo estranho e para as tantas heresias que emergem dentre os neopentecostais.

Ah! São muitas coisas mesmo! Se a mente não estiver em Cristo, tão facilmente se perde o rumo. Muitas novelas, séries, filmes e outras mídias tentam ensinar e ditar (quase autoritariamente) o pecado como forma de vida e tem conseguido influenciar nosso povo com o argumento de que somos antiquados, que nossa fé é fundamentalista, que estamos ultrapassados pelas razões científicas e filosóficas, etc. Os jovens têm em mãos algumas ferramentas que os mantém informados de toda e qualquer novidade e muitos filhos de crentes se perdem nesse viés. A mídia é boa, a internet é boa, tudo pode ser bom se a mente estiver firme em Cristo e a vida estiver depositada em Deus. Também, muitas “novas didáticas” apresentam seus novos modelos de família; a relativização da verdade e a relativização do pecado; desconhecimento e plena ignorância bíblica entre os cristãos; ausência notável de uma vida piedosa entre os que professam a Cristo, etc. Tudo isso vai colocando muitos crentes no cativeiro e na vida cristã estática e infrutífera. Isso é sério! Enquanto os cristãos no Oriente Médio e em alguns lugares na África estão sendo perseguidos, mortos e vendo suas famílias desfeitas pela desgraça denominada de “Estado Islâmico”, muitos – aqui no Ocidente – estão passivamente cedendo e permitindo o mal criar suas raízes, vivendo um cristianismo desfigurado. Estão errando o alvo. Estão perdendo o foco. Estão olhando para baixo e não para o alto. Não sabem mais, nesse pluralismo todo, para quem olhar.

Entrando em Colossenses (breve abordagem dos capítulos 1 e 2):
O apóstolo Paulo, ao escrever sua carta à igreja de Colosso, quis exatamente advertir os crentes quanto aos ensinos falsos e mundanos que estavam entrando na igreja, suplantando a fé e também a centralidade e supremacia de Jesus Cristo na criação, na revelação, na redenção e na igreja. O apóstolo também quis ressaltar a verdadeira natureza da nova vida em Cristo e suas exigências para o crente. Embora se trate de contextos diferentes, o contexto do ministério paulino, assim como todo o contexto do primeiro século da era cristã foi marcado por uma chuva de heresias, legalismo, religiosidade e vãs filosofias que surgiam no meio do povo de Deus. A diferença para nossos dias, é que as mesmas coisas, os mesmos pecados se tornaram ainda maiores e afetaram todas as áreas da vida humana num tempo diversificado e mais complexo.

O apóstolo João mesmo, em sua primeira carta, faz a advertência: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. […] e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus […]” (1 Jo 4: 1 e 3). Segundo Paulo, eram muitas “filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (2: 8) que estavam ameaçando o real entendimento da igreja sobre a divindade de nosso Senhor e também afetando a postura em relação à Verdade. Junto dos maus ensinos, dos maus exemplos, das filosofias e ventos de doutrina, estava o legalismo judaizante que, assim como fora também entre os gálatas e outras comunidades, disputava entre os crentes a primazia da fé em detrimento do Evangelho da graça. O mundo é inimigo de Cristo e da igreja (Jo 15: 18,19). Sendo assim, os ditames do mundo sempre vão ter por intento destruir a imagem divina, santa e verdadeira de Cristo por meio do pluralismo de conceitos e pela relativização da fé e da vida cristã. Eis a astúcia-mor do adversário de nossas almas: fazer com que Cristo não seja contemplado por nossos olhos. Por isso, Cristo – em sua oração sacerdotal – foi tão enfático quando disse:

“É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste […]. Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo […]” (Jo 17: 9 e 11).

No mesmo sentido de exortação e desejo de ver guardadas as ovelhas de Cristo, Paulo faz sua admoestação à igreja. No capítulo 1(versículo 10 ao versículo 14), ele, tão logo, chama a atenção para que a igreja assuma uma vida digna diante do Senhor, procurando agradar a Deus em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus (v.10). Essa exortação para que venhamos assumir essas qualidades se dá com base na seguinte verdade: Deus já “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (1: 13). Somos, portanto, reconciliados com Deus em Cristo pelo sangue da cruz (1: 20), feitos inculpáveis, santos e irrepreensíveis. Por isso, devemos tão logo assumir tais qualidades, pois o poder do sacrifício de Jesus Cristo nos garante eficazmente essa transformação pessoal pelo auxílio e obra do Espírito Santo. Outra verdade que pode ser extraída desse contexto é a seguinte: se sua mente não está firme em Cristo e você ainda não provou da transformação pessoal em Cristo, amando o pecado, agradando a si próprio e plenamente conformado com esse mundo, a notícia para você é esta: você não tem a mente em Cristo e não pode pensar sobre as coisas do alto, pois você não se converteu ainda de seus pecados e não faz parte do rebanho de Cristo, a não ser que se arrependa e almeje viver para Deus, conforme Deus, firme em Cristo e transformado pelo Espírito Santo para uma vida santa e justa. Quanto a nós, devemos, então, permanecer na fé, alicerçados e firmes, não nos deixando afastar da esperança do Evangelho que ouvimos e aprendemos (1: 22, 23). Dessa forma, amados irmãos, não podemos – de forma alguma aceitar o mal, fazer vista grossa ao pecado (seja nosso, seja do irmão) e deixar com que as vãs filosofias e heresias adentrem nossas congregações e os maus costumes, as nossas casas.

Em Romanos 6: 12., Paulo faz a seguinte admoestação: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estão debaixo da lei, mas da graça” (Rm 6: 12- 14). Nos versículos posteriores, Paulo adverte ainda sobre a postura cristã em conformidade com a vontade de Deus e deixa a seguinte afirmação: Deus – por sua graça – foi quem nos fez idôneos, afim que sejamos livres do “império das trevas” (v. 13), pois temos a redenção e a remissão dos pecados pelo sangue de Jesus. Ou seja: somos livres em Cristo para andar conforme quer Cristo. A princípio parece não haver liberdade nisso, mas no decorrer deste texto, veremos que sim. Há liberdade em Cristo e somos livres quando nossa vida é mortificada na carne e ressurreta em espírito. Portanto, no capítulo 1 e no capítulo 2 (mais especificamente nos versos 6 ao 12 e no verso 18 do segundo capítulo), Paulo deixa uma série de afirmações quanto a nossa nova natureza em Cristo, sendo nós agora, edificados nele (2: 7), confirmados na fé, abundantes e instruídos na fé e na ação de graças (2: 7).

Assim, devemos: estar aperfeiçoados nele, circuncidados nele, sepultados com ele no batismo e ressurretos nele pela fé. Assumindo, assim, a nossa liberdade com que Cristo nos libertou e vivendo conforme a nossa nova natureza em Deus, ninguém poderá nos dominar a seu arbítrio (ou bel-prazer) em pretextos de humildade. Assumindo a nossa posição como remidos por Cristo, cheios do Espírito Santo e amigos de Deus, devemos – portanto – provar a nossa fé, evidenciando diante das plurais filosofias e formas de vida ditadas pelo mundo, quem tem, de fato, a primazia de nosso ser. Como evidenciar e provar a nossa fé a fim de agradar somente a Cristo? Paulo responde no capítulo 3, no versículo 1 ao 17. Paulo inicia o terceiro capítulo com uma conjunção coordenativa conclusiva: “Portanto…”. E dá uma seqüência conclusiva ao que tratou nos dois primeiros capítulos de sua carta. O apóstolo diz:

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto…”.

Pois bem, Paulo faz, nessas palavras, um convite para a análise interior, para uma sondagem com o intuito de provarmos – em vista de nossas ações e forma de vida – se realmente estamos ressuscitados com Cristo. Evidenciamos mesmo o caráter de Cristo? É extremamente válida tal análise. E se realmente estamos firmados em Cristo, logo pensamos como Cristo. Se estivermos em Cristo, somos parte do Corpo de nosso Senhor. Se nós somos, então, parte do Corpo de Cristo, sendo Ele o cabeça desse corpo, nossas atitudes devem estar em plena conformidade com os pensamentos de Deus. Por isso, Paulo completa: “…se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto”. Estar ressuscitado com Cristo e buscar as coisas do alto trazem uma série de aprendizados que aqui menciono:

1) O ressuscitado com Cristo é aquele que já morreu para o mundo. O mundo e o pecado não o escravizam mais. É livre e vive uma vida para a glória de seu Senhor, em fidelidade à Palavra de Deus, em santidade, evidenciando uma vida frutificada pelo Espírito Santo e verdadeiramente piedosa;

2) Buscar as coisas do alto remete à busca, ao interesse e à total inclinação para aquilo que é do Reino. É aquele que vive o Reino e para o Reino de Deus. Buscar aquilo que é do alto é se interessar e se preocupar com os assuntos de Deus.

Como? Se envolvendo com a obra de Deus; se envolvendo com o evangelismo, com a pregação da Palavra. O que busca as coisas que são do alto, busca viver segundo a vontade de Deus, procurando saber qual é a perfeita e agradável vontade do Senhor. Ele lê a Bíblia, ele ora incessantemente, ele clama por sabedoria, ele roga a Deus para ser usado com poder no Evangelho, ele se preocupa em apresentar um bom testemunho na sociedade na qual se insere, ele se preocupa com as questões que envolvem sua congregação, ele busca melhorias para os irmãos, ele desenvolve seus talentos e dons, ele edifica, ele trabalha, ele oferta, etc. Sua mente está voltada para a glória de Deus e sua vida familiar, profissional, financeira, etc. reflete o seu movimento para Deus e sua firme adesão; 3) O que está ressuscitado com Cristo e busca as coisas que são do alto, está em plena sintonia com a mente de Cristo. Se ele está em plena sintonia com as coisas de Cristo, tem os mesmos interesses de Deus, a saber, o resgate de muitas almas. Quem tem a mente firme em Deus e busca as coisas do alto, conseqüentemente não suporta uma vida estática e vai ao encontro do perdido e do desamparado para evangelizá-lo, pois é o que Jesus faz. Portanto, se somos ressuscitados com Cristo, nossa vida frutifica. E essa é a prova de que somos ressurretos para Deus e firmados em Cristo: quando buscamos as coisas de do alto e mantemos nossa mente voltada para as coisas do reino. Eis o exemplo em João 15: 2-4 e 5:

“Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado;permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. […] Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto[…]”.

No versículo 2, a exortação continua assim: “pensai nas coisas que são de cima”. O termo usado no original, traduzido como “pensai”, é “phroneo” e pode ser traduzido também por: “exercitar a mente”, “alimentar a mente” e mesmo “interessar-se por algo”. E a advertência que nos cabe é exatamente essa: precisamos exercitar a nossa mente para desenvolvermos melhor nossos pensamentos sobre Deus a fim de melhorarmos a nossa postura cristã. Há uma profunda ligação entre o nosso pensamento e a nossa atitude. Nossas atitudes nada mais são o reflexo daquilo que pensamos. Se não temos nenhum conhecimento de Deus, não temos nenhum pensamento em conformidade com a vontade de Deus, o que poderemos esperar de nossas atitudes? Como exercitar a mente para pensar nas coisas que são de cima e buscar as coisas que são do alto? Lendo a Escritura! Isso! Lendo, estudando e examinando a Bíblia! Ela fala de Jesus. Ela é a revelação de Jesus Cristo, o Verbo de Deus!

Conhecendo a Palavra de Deus, podemos agir conforme Deus e ter uma visão correta sobre nosso Senhor. Atitudes que nos afastam de Deus são atitudes cujos pensamentos estão longe das coisas de Deus. Não pensamos no próximo, não observamos a vontade de Deus, não trabalhamos e nem desejamos trabalhar no Evangelho, etc. Tudo isso por não ter uma mente firmada em Cristo. Se Deus não ocupa nossa mente, nosso ser poderá ser regido, então, pelo pecado. Isso é sério! Não somos mais escravos do pecado! Somos livres em Cristo para exercitar e desenvolver nossa salvação. Precisamos desde já alimentar a nossa mente e pensar nas coisas que são de cima, ou seja: precisamos fazer como Cristo. Precisamos nos alimentar de fazer a obra do Pai (João 4: 33,34), se envolver com as coisas de cima. Esse é o interesse de Cristo. Se nós estamos mesmo com Cristo e enxertados nele, os interesses de nosso Senhor passam a ser nosso interesse também.

Uma curiosidade: a filosofia grega clássica e helenística exercia forte influencia na sociedade e nas comunidades onde Paulo exerceu seu apostolado. Não tenho dúvidas de que Paulo era conhecedor, pelo menos em parte, da filosofia grega, uma vez que ele tinha uma relevante desenvoltura entre os gregos na evangelização e no ensino. O modelo de vida realizada na sociedade grega clássica e helenística era o modelo do Sábio, a saber, o homem que era inteiramente realizado para os gregos era o que exercitava o pensamento em vista do bem da polis. Esse era o que exercia a phrónesis (phroneo), ou seja, sabedoria sobre as coisas que transcendiam o ser. Era a sabedoria do alto. Paulo, como era pregador bom, em consonância com essa forma de pensamento, lançou a verdade cristã sob o mesmo viés conceitual: o que se realiza em Deus é aquele que pensa sobre as coisas que são de cima. Esse é o sábio! A sabedoria do cristão é estar no centro da vontade de Deus e não mergulhado no pecado. A sabedoria verdadeira consiste em fazer boas escolhas (nesse aspecto, a escolha humana tem o seu lugar). Podemos lembrar de Salomão quando pediu a Deus sabedoria para reinar.

No entanto, muitos problemas, adversidades, e situações diversas tendem a roubar nossa atenção, nossa fé e até mesmo conseguem apagar a chama de nosso coração. Porém, não fomos chamados para uma vida de inconstância, mas sim de perseverança.

No versículo 3, Paulo deixa um importante alento:

“porque morrestes e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus”.

As aflições desta vida, as lutas e provas que aparecem, junto com a força e o intento do pecado tentam ofuscar nossa visão e fazer com que abaixemos nossas cabeças e erremos o alvo. Nossa vida aqui é constante batalha. Contudo, devemos ter bem certo em nós a esperança de que Cristo está conosco e temos aliança com Deus através do sangue de Jesus Cristo. Estamos escondidos, agora, em Deus. Temos livre acesso a Ele pela graça e pelo sangue. Nenhum mal, nenhum ataque, nenhum desanimo, nenhuma provação, nenhum pecado que ainda cativa nosso ser pode ser mais forte que Jesus em nós. Por isso a importância de uma vida firmada a cada dia em Deus. Pois, buscando sempre as coisas do alto, nos fortalecemos e crescemos em fé e em graça para suportarmos firmes qualquer desafio que possa surgir. Em Deus, estamos protegidos. Não livres dos ataques, não livre das aspirações de nossa carne, não livres do pecado. Aliás, o pecado é uma constante possibilidade de perdermos o foco. Mas, tendo o foco em Deus e nas coisas de Deus, não há como ceder para o pecado.

Há o sofrimento, mas há a esperança. Há a tristeza, mas há a alegria que sempre vem pelo amanhecer; existe a provação e a dificuldade, mas há a certeza que em Deus podemos tudo, a nudez, a fome, o perigo, a espada, etc. Tudo nós podemos, naquele que nos fortalece.

> Buscar as coisas do alto é, portanto: constante negação de nós mesmos (Cl 3: 5), pois esse é o sentido real da nossa morte e ressurreição. Vida virtuosa é isso: negação de suas aspirações e paixões para fazer aquilo que agrada a Deus. Olhar para as coisas que são de cima e focar nas coisas do alto é assumir o chamado; é esquecer das coisas que para trás ficam; é avançar para o alvo; é procurar não errar o alvo; é crescer em graça e em conhecimento; é se encher do Espírito Santo; é se preocupar com as coisas do Reino; é se alimentar de Jesus; é se envolver e se relacionar com nosso Senhor. Buscar as coisa de cima pressupõe uma vida que está determinada a carregar a cruz. Buscar as coisas de cima é poder orar com firmeza de coração: “venha a nós o teu Reino e seja feita a tua vontade!”.

> Buscar as coisas que são de cima é buscar em Deus e em sua Palavra o sentido para viver e poder olhar para o próximo com mais compaixão. Em Mateus 5: 1-48, Jesus nos deixa o modelo da vida bem-aventurada, ou da “beata vita”, que supõe uma vida de plena realização pessoal. E nos ensinamentos do Sermão da Montanha, Jesus ensina que a bem-aventurança (felicidade plena) está na constante negação de nós mesmos para o serviço do Reino de Deus e no servir o próximo e amar o próximo como marca de uma vida que conheceu a liberdade em Cristo. E não só isso: conheceu a graça e a própria miserabilidade diante do amor de Jesus Cristo.

> Buscar as coisa do alto e pensar nas coisas de cima é, portanto: disposição mental, física e espiritual para morrer de vez para o mundo e viver uma vida ressurreta para Deus. Nossa bem-aventurança está no entendimento da mensagem da cruz. Na cruz consiste a verdadeira liberdade em Cristo. Por quê? Porque morrer para o mundo e para o pecado e vencer a carne, dizendo não para as paixões, inclinações e desapontando nossos fortes desejos em vista da glória de Deus, implica total domínio de si mesmo, numa vida frutificada pela obra do Espírito Santo. Poder dizer para a oferta do maligno e da própria carne que “eu vou agradar a Deus e não a mim mesmo” é vencer – como Cristo – a tentação do Diabo e se portar como verdadeiro liberto. O escravo não consegue. O livre sim, pois seu olhar está firme em Deus e tem constantemente buscado as coisas do alto. Assumir, portanto, a liberdade que Cristo nos concedeu na cruz. Somos livres quando nossa mente está buscando as coisas do alto e pensando nas coisas do alto, pois o pecado não mais nos domina. Temos vitória sobre o maligno! Veja em 1 João, 2: 12-17. Em continuidade de sua admoestação e ensino, Paulo ainda adverte sobre a importância de ainda morrermos totalmente em nossa velha natureza terrena, buscando superar e vencer toda prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e avareza. (3: 5), pois, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os homens. Muitos ainda não acordaram para a seriedade dessas palavras e vivem praticando uma ou todas essas coisas citadas. Mas a palavra de Deus para esses é: condenação! Morte eterna! Inferno.

A não ser que se arrependam agora e busquem a Deus. Buscai as coisas do alto! Perto está o Senhor daqueles que o invocam (Is 55: 6). Paulo ainda insiste: “despojai-vos, igualmente, de tudo isto” (v.8). Notemos que Paulo está falando para a igreja. Isto! Para a congregação de crentes. Amados, somos seres de pecado (1 Jo 1: 8). Temos tendência ao erro, enquanto tivermos esse corpo mortal, pois a morte está instaurada como salário (Rm 6: 23) de nosso pecado. Contudo, temos um advogado diante de Deus (1 Jo 2: 1), a saber, o próprio Cristo. Por isso devemos ter a mente voltada para Cristo, pois Ele é o intercessor, o que advoga e o que nos traz justificação (Rm 6:7).

Contudo, devemos – agora – despojar de tudo que ainda nos faz cativos. Ou vivemos livres para a glória de Deus, ou somos ainda escravos. O céu é para os livres em Cristo. Preocupe-se com isso! Despojando de todo o pecado e de tudo que rouba a primazia de nossa atenção, impedindo-nos de buscar e pensar nas coisas do alto, devemos, tão logo, assumir a forma da nova criatura (novo homem), pois essa nova natureza em espírito nos fará chegar ao pleno conhecimento de Deus e ao modelo de Cristo (v. 10). O velho homem não pode enxergar e conhecer os mistérios de Deus. Portanto, não pode entrar em sua glória, pois Deus é Santo. Mas o novo homem, em espírito e assumindo a cada instante a forma perfeita de Cristo, pode ver a Deus e já aqui, participar da glória e de Jesus Cristo. “não que eu tenha já recebido ou obtido a perfeição, mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.

[…] esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo

[…]” (Fp 3: 12-14). Uma excelente noite e auto-análise, reflexão, súplicas e paz!

Gabriel F. M. Rocha.

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Um Chamado Para o relacionamento

“Tu me amas?”

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Tema:despertamento para um relacionamento com Jesus.
Texto base: João 21: 15-17
Por Gabriel Felipe M. Rocha

Pedro foi um dos mais queridos apóstolos de Jesus. Sua presença nos evangelhos não é a mesma presença firme e peremptória das cartas que levam o seu nome. Muito pelo contrário, o Pedro dos evangelhos é o homem como qualquer um de nós. Não que o Pedro restaurado das cartas, do fiel apostolado e do heróico martírio não fosse também o mesmo homem no que tange as paixões, limitações e temporalidade, mas, nos evangelhos, mostra-se um Pedro com todo o destaque na figura do discípulo, aprendiz e vacilante. Simão de Betsaida – a quem Jesus chamava de Pedro – era um homem inconstante, errôneo e afoito, embora em seu coração houvesse declaradamente um altar erguido para Deus.

Contudo, na ocasião da prisão de seu Mestre, Pedro cometeu – podemos afirmar a partir da Escritura – um dos mais marcantes desvios de conduta de sua vida, a saber, a negação pública de seu Senhor (Jo 18: 17, 25, 27). Como disse certa vez o reverendo Alceu Cunha, certamente não bastavam os espinhos da coroa, os impropérios da multidão, a bofetada em seu rosto, ser cravado numa cruz com agudos pregos, Cristo ainda teve de enfrentar mais uma dor, a saber, a dor da negação pública por parte de um de seus discípulos mais íntimos.
No entanto, para Pedro, a dor gerou amargura de espírito, sentimento de remorso e um visível arrependimento quando esse se pôs a chorar. Segundo as Escrituras, Pedro chorou amargamente (Mt 26: 75). Cristo, embora conhecedor da situação e do propósito da mesma, certamente sofreu pelo ato de Pedro, mas pôde, dentre as tantas dores, sofrer esse acréscimo de suplício em sua alma e, como cordeiro mudo, entregar seu espírito e o pecado de sua Igreja na cruz. Mas Pedro não tinha o controle de situação alguma. Nem mesmo de sua vida e de suas ações, como prova os evangelhos. Podemos imaginar o quanto Pedro sofreu a dor, o remorso, o arrependimento, a culpa pela negação e tudo isso sem um imediato consolo. \talvez, se não fosse a graça divina na firmeza da eleição, Pedro teria o mesmo destino de Judas Iscariotes. Viu seu chamado perder o brilho. Viu seu ministério perder o sentido. Viu sua comunhão com Cristo como algo irreconciliável. Viu sua vida como uma vida imerecida da glória de um Deus tão Santo, tão Bom e tão misterioso. Tão misterioso que permitiu que o Cristo, Filho do Deus Vivo, fosse à cruz e morresse. Foi-se, por um momento, a esperança.

Mas, certa vez, após algum tempo de sua ressurreição, Jesus surge irreconhecível diante de alguns discípulos (v. 4-8), no entanto, com a mesma autoridade. Estavam todos no barco, pescando pela madrugada. Jesus, então, se revela mostrando-os mais um milagre no meio deles. Estavam todos precisando de um milagre. Estavam todos precisando de algum renovo e consolo. Seus ministérios não prosperariam (talvez nem saíssem do lugar) se não fosse a Palavra de Deus se revelar, a saber, o próprio Cristo em autoridade divina. Uma primeira lição que tiramos disso é: Jesus se importa com os seus escolhidos. Se Ele se entregou numa cruz, levando sobre si pecados que não eram seus, sofrendo a dor que seria nossa e morrendo a morte que seria também nossa, por que Ele simplesmente nos abandonaria? Não escaparemos de sua mão (João10: 17,18). Ainda bem que nada depende de nós no que tange a salvação, pois, se dependesse, o mais provável seria, diante das circunstâncias, deixarmos o Mestre e esquecermo-nos de suas palavras. Nossa escrava vontade só poderia nos levar para longe de Deus e nos fazer voltar pelo caminho, voltar para a origem, para os lugares de onde um dia nós fomos chamados e praticar as velhas coisas (João 21: 3). Embora erremos, falhemos, e sempre pequemos, Deus nos dá a oportunidade do arrependimento e, diante da sua graça e misericórdia, crescemos em novidade de vida, perseverança e firmes rumo à perfeição (Fp 3: 12-16). Embora venha o desânimo, a incerteza, alguma aflição, tristeza e, junto com tudo isso, a desesperança, Cristo surge com um milagre. Surge no tempo dele, surge na oração nossa, surge na perseverança, surge pela promessa e pelos decretos de um Deus soberano, justo e generoso. Jesus se revela! Jesus se revela na situação e no contexto de nossa prova, luta, embaraço ou mesmo desânimo.

Jesus, ali, pergunta aos seus discípulos se eles tinham algo para comer. Logo eles respondem que não. Ele, com sua Palavra, vai direto naquilo que nos incomoda e nos atribula. Ele arranca de nós a resposta e dá a solução. E da solução, vem o avivamento. Assim é a Palavra de Deus na vida do cristão: é a atuação e a revelação (o surgimento) de um Jesus vivo que transforma tudo, começando de nós mesmos.
Um momento interessante dessa passagem é quando João (identificado ali como o “discípulo a quem Jesus amava”) reconhece a Jesus e vai tão logo, em notável entusiasmo, a Pedro e diz: “é o Senhor!”. Imaginemos a cena da seguinte maneira: Pedro certamente podia ter compartilhado com João de sua angústia desde o trágico dia da negação. Algo muito natural, quando a própria Bíblia mostra que João e Pedro tinham certa proximidade, uma vez que os dois aparecem juntos em várias situações extras aos momentos de comunhão, banquetes e viagens (Mc 14: 33; Atos 3: 1). Quando João, então, percebe o Cristo, logo diz a Pedro em tom de esperança renovada: “É o Senhor”! Foi como dizer: “é o Mestre, Pedro! Não tem nada perdido! Ânimo!”. Posso imaginar o sentimento de esperança em Pedro mesclada com o medo de alguma reprovação por parte de seu Senhor, o que seria justo. Entretanto, o que se sabe é que Pedro se lançou ao mar e foi ao encontro de seu Senhor. Certamente esse ato evidencia o desespero de Pedro por Cristo e sua indisfarçável vontade de reconciliar-se tão logo com seu Senhor.

E, diferente de qualquer tipo de reprovação ou mesmo a retribuição da negação, Jesus, recebe a Pedro com a mesma igualdade com que recebe os demais discípulos e os convida a comer.
Uma segunda lição pode-se tirar dessa passagem bíblica: Deus está sempre pronto a perdoar, apagando toda a transgressão (Is 43: 25,26) quando o buscamos de coração contrito. Jesus está sempre pronto a se revelar e nos auxiliar quando damos ouvidos à Sua Palavra (João 21: 6-8). Ele está sempre disposto a nos receber quando vamos ao seu encontro (João 21: 7; João 10: 9).

Mas, a partir do verso 15, Pedro terá um acerto de contas com seu Senhor. Haverá um confronto onde toda a angústia, desesperança, crise, maus pensamentos, desânimo, etc. irão desaparecer para dar lugar ao avivamento que todo o discípulo e servo de Cristo precisam um dia, ou sempre. Uma terceira lição adianta-se: existem momentos e situações em que, em vista de algum panorama ruim, deixamo-nos levar por algum descontentamento, por alguma frieza no serviço cristão, por alguma aparente derrota, por um objetivo que não é realizado, maus pensamentos, etc. Todos nós – que professamos a fé em Cristo – estamos sujeitos à frieza. Podemos lembrar aqui do exemplo dos dois discípulos no caminho de Emaús (Lc 24: 13-35). Deixaram-se guiar pela desesperança das “últimas notícias” (v. 18) e, desanimados e angustiados (v. 17-21), deixaram Jerusalém indo de volta para Emaús. A ordem de Jesus, antes de sua ascensão, era para que ninguém se ausentasse de Jerusalém (Atos 1: 4), pois ali se cumpriria uma importante promessa para a efetivação da missão da Igreja (Atos 1: 4,5; 2: 1-47). Mas a primazia às circunstâncias, o não desenvolvimento da fé, o sentimento de culpa, a ausência de oração, a não vigilância e a desesperança provocam a perda de foco. Isso é algo, infelizmente, comum no seio de tantas igrejas, líderes, ministérios e grupos. Contudo, os decretos de Deus para com nossas vidas (incluindo a salvação) não podem ser minados, pois Cristo nos comprou com total suficiência e jamais escaparemos de suas mãos (Jo 10: 28; Fp 1: 6), mas, existem momentos onde exercer a nossa vocação e fazê-la firme só é possível através de um “impulso no motor” para fazer mover toda a máquina. Então, Cristo surge!

Assim foi também com Pedro. Houve, portanto, o marcante diálogo entre Jesus e Pedro. Foi uma interrogação feita na terceira aparição de Jesus após sua ressurreição (João 21: 1-14).

Jesus faz três perguntas a Pedro. Pela dinâmica do relato, pode-se entender que essas interrogações se deram ali mesmo diante dos outros discípulos. Assim como Pedro negara a Jesus em público, Pedro confessaria seu amor por Cristo em público. Obviamente Jesus não queria dar algum “troco” a Pedro e nem mesmo expor o mesmo diante do colégio apostólico ali reunido. Era mesmo um necessário momento de confronto!
Foi feita a primeira pergunta: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros?” (v. 15). Pedro respondeu: “sim, Senhor, tu sabes que te amo”. É interessante notar que a mesma boca que negou Jesus em público, diante de pessoas escarnecedoras e carentes de Deus, confessava o amor ao mesmo Cristo diante da congregação de santos. Não estamos aqui negando ou duvidando da sinceridade da resposta de Pedro, pois, a Bíblia não nos permite essa afirmação e acreditamos na total sinceridade de Pedro ao dar sua resposta. Mas o texto nos convida a refletir sobre uma quarta lição: a mesma boca pode professar benção e maldição (Tg 3: 10).

Talvez, para alguns, seja difícil confessar seu chamado, sua vocação e sua postura diante do mundo e acaba negando a Cristo, mas – incrivelmente – confessa o seu incoerente amor a Cristo em sua congregação, cantando louvores, levantando as mãos para o alto em sinal de reverência e quebrantamento. Pregam a Cristo com total facilidade e talento, vestem a camisa da igreja, cuja estampa diz: “eu amo Jesus”, mas seu coração está longe dessa afirmação, pois as obras não manifestam e comprovam essa confissão. Esse não foi o caso de Pedro, pelo menos a Bíblia não nos dá margem para tais afirmações através da vida do mesmo. No caso de Pedro, a boca proferiu aquilo que estava latente no coração (Lc 6: 45). Por isso, Pedro respondeu dizendo: “tu sabes”. Isso pôde revelar uma coisa: o que tentar dizer com palavras no desgaste espiritual de uma vida que certa hora afirmou que morreria por Cristo (Mt 26: 33-35) e, no mesmo episódio, o negou três vezes? Mas há uma semelhança entre Pedro e nós mesmos, a saber, a humanidade, o pecado, a passividade em relação a algumas coisas, a vaidade, o orgulho, a descrença, o medo, etc. Embora possa haver isso, o chamado de Cristo às nossas vidas continua de pé. Ele nos chama para o serviço. Pedro, assim que respondeu a primeira pergunta, foi surpreendido com a ordem de Cristo: “apascenta os meus cordeiros” (v. 15). Pedro podia – com algumas razões – ter pensado que seu ministério, seu chamado, sua vocação, sua instrumentalidade estariam esgotados ou perdidos. Mas Jesus sempre dá novas chances. Ele nos chama para servir. Jesus como o Sumo Pastor da Igreja, convoca a Pedro para pastorear as suas ovelhas. Isso é o mesmo que dizer: “vem sofrer as minhas aflições” (2 Tm 4:5; Cl 1: 24). Pedro foi chamado para pastorear, para ser um ministro do Evangelho.
Cada um de nós tem um chamado, um talento ou um dom a ser desenvolvido para o Reino de Deus. Então, vem a quinta lição: Cristo quer restaurar nossa instrumentalidade para o serviço do Reino. Ele está disposto a esquecer o que se passou e avivar nossas vidas para a glória de seu Nome. Seu Espírito Santo – Consolador (parakletos) – faz-nos esquecer de tudo que para trás fica, dando o devido consolo e renovo. E admoesta-nos a prosseguir para o alvo. Como o “parakletos” (advogado, o que anda junto, consolador), Ele coloca o alvo novamente à nossa frente e nos ajuda a mirar e atirar corretamente. Essa analogia é de fundamental relevância aqui, pois, o “errar o alvo” é nada mais e nada menos que o significado do termo “hamartia” que se traduz também por “pecado”. Esse foi o renovo de Pedro e é também o nosso: Cristo faz com que esqueçamos o passado e nos faz mirar para o futuro, para agora, atirar certo, melhor e eficazmente.

Logo, veio a segunda pergunta: “Pedro, amas-me?”, E Pedro novamente respondeu: “sim, Senhor, tu sabes…”.

Semelhante à primeira, a segunda pergunta de Jesus foi transcrita para o grego através do mesmo termo, a saber, “agapao”, que vem de “agan” (muito). Esse termo traduzido para o português como “amas-me” remete, em vista do original, a um amor social e moral. Remete também ao amor por veneração, respeito, obrigação. Sua raiz, “ágape”, trata-se de um amor sublime. É o mesmo amor citado nas Escrituras para definir o amor ao próximo, por exemplo. Vamos para a sexta lição: responder diante da igreja, do mundo, dos amigos e da família esse amor não tem sido tão difícil quando não se tem a disposição para vivê-lo na íntegra. É o tipo de amor que se banalizou na fala, nas pregações, nos cânticos de vários cristãos (e até mesmo não cristãos). Para vestir uma camisa ou pegar um microfone e dizer “eu amo Jesus” não necessita de uma adesão tão séria a essa afirmação. Na verdade, necessitaria sim, mas o simples dizer com os lábios “sim, Senhor, eu te amo” pode não implicar um real compromisso com a confissão. Muitos que dizem “eu te amo” não têm a vida transformada pelo Evangelho. Vivem de fantasias, experimentalismos ou, até mesmo, participam de alguma forma, da graça de Deus.

Mas, suas vidas são infrutíferas. São capazes de responder as duas primeiras perguntas, mas são incapazes de apascentar as ovelhas de Deus, ou, em outras palavras, trabalhar e se envolver – em diferentes modos – no serviço cristão. Suas bocas professam um nobre sentimento e uma declaração comum às pessoas piedosas, mas suas atitudes revelam rebelião contra Deus em várias áreas. Para a conclusão da sexta lição, colocamos o seguinte: deve haver uma coerência entre a nossa confissão e a nossa atitude. O fato de Jesus, nas três interrogações, ter imediatamente convocado ao serviço nada mais é para mostrar que a confissão deve se estreitar com a atitude. Só prova que ama o Senhor quem a Ele serve (João 15: 2-15; Mc 3: 35; Mt 7: 21).
Mas a terceira pergunta causa confronto. Ela mexe no íntimo. Causa reboliço e auto-análise. Leva para o arrependimento e causa a tristeza segundo Deus.

Tendo Pedro respondido já a segunda pergunta com aparente facilidade, Jesus tão logo reafirma a convocação para o serviço. Mas faltava a última pergunta. No verso 17, Jesus faz a terceira interrogação: “Simão, filho de João, tu me amas?” O relato bíblico deixa evidente que a tristeza surgiu diante dessa terceira pergunta. Mas, por quê?

Diferente das duas primeiras perguntas, Jesus usou o termo, que transcrito para o grego, foi “phileo”, e que traduzido para o nosso português, ficou, como nas duas perguntas, “me amas”. Porém, o amor “phíleo” tem outra conotação. “Phíleo” significa “ser amigo”, “gostar de”, “ter prazer em”, “sentir afeto”. Pode expressar a deliberada concordância da vontade com aquilo que se conhece e deseja. A tradução mais popular para “phíleo” é “amigo”, ou, “amor de amigo”. Também pode conotar “relacionamento” e “intimidade”, como a intimidade e o relacionamento entre um casal.

Essa expressão – na terceira pergunta – deixou Pedro triste, pois, era exatamente o que faltava em sua vida: correspondência de sua vontade com a vontade de Deus. Havia em Pedro o amor por Jesus Cristo, mas era um amor ainda estático, sem crescimento, influenciável, volúvel e insuficiente para assumir em sua vida o ministério. Diante do relato da terceira pergunta de Jesus a Pedro, deixamos a sétima e última lição: a escrava e corrupta vontade apenas levaram a Pedro ao pecado e à angústia, ao desânimo e à vergonha, mas, a vontade de Deus se manifestou na revelação de Jesus Cristo, tocando em seu espírito, comunicando-o a sua vocação, fazendo-o desejar servir a Deus com mais intensidade, amor, devoção, amizade, relacionamento, intimidade, etc. Por isso, confiantemente, embora com tristeza, Pedro respondeu à terceira interrogação: “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo” (v. 17). “Tu sabes” havia sido ainda a única argumentação possível a Pedro diante do confronto. Dizer ao Senhor “tu sabes” é um convite que podemos fazer ao nosso Deus em oração para sondar nosso coração (Sl 7: 9; Sl 17: 3; Sl 139: 1). É o mesmo que dizer a Deus que não podemos nada por nós mesmos, mas, Ele sabe que há um pequeno fogo aceso em nosso coração e basta só uma ação e palavra Sua para fazer arder o nosso coração (Lc 24: 32).

Ainda nessa sétima e última lição, o amor com que Cristo nos convida a amá-lo é o amor que implica não só as palavras e declarações. Mas, sobretudo, o amor que implica relacionamento, intimidade, serviço, atitudes, piedade, compromisso, afeto, zelo, reverência, fidelidade, obediência, resignação, santificação e perseverança. Quando a “terceira pergunta” é feita a muitos, a tristeza toma conta e muitos não prosperam nesse amor (Mt 16: 19-22). Por outro lado, alguns repensam se realmente amam ao Senhor e perseveram.
Para quem não é capaz de responder com total certeza a essa terceira pergunta, Jesus surge! Há uma chama acesa, pois o próprio Senhor nos batizou com o Seu Santo Espírito para que possamos ser efetivamente seus. As provações ministeriais, pessoais e familiares sempre virão. O desânimo e a desesperança poderão bater aas portas. Contudo, Cristo está ao nosso lado como esteve com os discípulos no barco. Ele nos ensina a pescar. Ele – através da Palavra – se revela com autoridade e muda a situação. Ele responde nossa oração e renova a alma, removendo a tristeza. Ele, portanto, nos faz capazes de cumprir aquilo que Ele mesmo nos chamou para fazer.

Para quem já pôde responder e para quem ainda vai responder á pergunta de Jesus, a convocação está posta: “apascenta as minhas ovelhas!”. Em outras palavras, “participe de minhas aflições e da minha glória”. “Se relacione comigo”. “Seja meu amigo”. “Ande comigo sempre”. “Não perca o foco em mim”.

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo o quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (João 15: 15);

“Mas, como está escrito: nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Co 2: 9).

Com orações,

Gabriel Felipe M. Rocha

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Gabriel F. M. Rocha é professor, graduado em História (licenciatura e bacharelado); pós graduado em Sociologia (lato sensu) e mestrando em Filosofia (stricto sensu) nas áreas de Ética e Antropologia.

Referências:
Bíblia de Estudos de Genebra (Edição Revista e Ampliada/ Almeida revista e atualizada);

Bíblia de Estudos Palavras-chave/ Hebraico e Grego (Almeida revista e corrigida).