Pensai nas coisas que são de cima!

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Tema: A mente firme em Cristo para uma vida abundante, frutífera e agradável a Deus.

Texto base: Colossenses 3: 1-10;

Textos auxiliares: Cl 1: 10-14; 1: 21-23; 2: 6-12; 6: 18/ Fp 4: 8; Gabriel F. M. Rocha/ março de 2015.

Introdução:

Nosso tempo assiste a um gradativo esmaecer de alguns valores morais que antes se firmaram em vista de uma verdade absoluta e de um sentido. Junto do esmaecer dos bons paradigmas que regiam a forma de vida e conduta dos indivíduos em tempos atrás, percebe-se cada vez mais acentuada a fragmentação, também, dos valores cristãos em muitas sociedades. Essa fragmentação faz com que o pecado pareça cada vez mais “normal” e “natural” em nossa sociedade. De certo, a humanidade está corrompida desde o pecado de nossos pais no Édem e, a partir de então, afastada está de Deus (Rm 3: 23). Sendo assim, não se podia mesmo esperar do mundo uma postura que agrade a Deus. Impossível! Há uma humanidade escrava do pecado e totalmente inclinada para o mal.

Contudo, muitos valores morais um dia foram construídos em parcial conformidade com a vontade de Deus, considerando a existência de um Ser Supremo e Absoluto. Um exemplo específico disso é o fato de haver, embora criticado hoje por alguns, um modelo de casamento e família em total correspondência com os valores cristãos. Podemos citar outros valores cristãos que regem nossa sociedade e são defendidos até por aqueles que se dizem ateus, mas que reconhecem a eficácia de tais valores. falo dos famosos 10 Mandamentos. Poderíamos citar aqui vários outros exemplos, mas não vem ao caso agora.

A questão é: o mundo caminha para a sua condenação e o homem sem Deus, se inclina cada vez mais para o mal (1Jo: 19) . Se as verdades concernentes a Deus e a boa conduta em conformidade com o mesmo Deus vão sendo esquecidas, várias “verdades” e formas de vida virão como paradigmas nessa complexa esfera cultural de nosso tempo e esses modelos de crença, conduta, ou o próprio niilismo que se instaura, vão se esforçar ao máximo para entrar nas igrejas, nos lares e na mente dos cristãos. Essa fragmentação – ou mesmo o abandono – dos valores propriamente cristãos que atravessam os séculos (desde o advento da modernidade) se dá, principalmente, em sociedades que antes o Evangelho foi pregado com notável poder e de forma triunfante.

Relevantes homens foram usados por Deus. Homens que negaram suas vidas e aceitaram o martírio, provando por seus testemunhos pessoais e em praças públicas o que de fato é carregar a cruz de Cristo e morrer nela. Na modernidade, através da confiança depositada na razão, na racionalidade instrumental e na ciência como capazes de conferir sentido, dar respostas e dirigir a vida humana, o mundo, enfim, declarou sua inimizade com Deus, abandonando qualquer princípio que viesse sugerir uma fé e a existência de um Deus Verdadeiro, Absoluto e Bom. E agora, no seio da pós-modernidade, vemos esse alvoroço todo. Há uma crise de sentido. Muitos assumiram a postura de inimigos de Deus, sendo totalmente afastados da luz e amantes das trevas. Homens sem rumo e sem sensibilidade em relação aos seus tantos pecados. O individualismo tomou conta de nossas sociedades e a miséria de uma religião sem o amor ao próximo se espalhou entre os “cristãos pós-modernos”.

O consumismo vem ditar quem nós somos e quem devemos nos tornar; o homem busca sua auto-realização na esfera do material, do financeiro, mergulhado num hedonismo sem limites. O indivíduo pós-moderno se vê arrastado pela incessante busca por satisfação de suas carências e necessidades, pois é essa imagem de humanidade que se constrói em nosso tempo, a saber: a imagem do indivíduo que precisa se preencher (preencher o seu vazio existencial), adquirir, possuir, assumindo, então, cada vez mais sua postura como ser mundano, totalmente imanentizado e afastado da Verdade. A verdade torna-se relativa, sendo a verdade da ciência, uma verdade mutável. O verdadeiro de hoje não é mais verdadeiro amanhã. Isso, de acordo com os avanços prodigiosos da ciência. Avanços que têm, porém, esquecido a vida propriamente humana. Avanços, possibilidades e formatações que enxergam o homem como animal estruturalmente natural, sem espírito e sem qualquer valor e qualidade que venha sugerir uma dignidade essencial para além do corpo, das necessidades físicas e do utilitarismo.

Ou seja (resumindo): estamos mergulhados num pluralismo sem precedentes! Vários conceitos sobre várias coisas. Muita fragmentação de bons valores. Formações de novos conceitos… O mundo está perdido e se perdendo… Mas, e a Igreja? Para quem ela está olhando? A Igreja tem olhado para o alto! Tem buscado as coisas que são de cima! E você?

Está aí o mundo. Não é, portanto, o nosso mundo (1 Jo 4: 4, 5; 5: 4, 5)! Se Jesus venceu o mundo, nós podemos vencer o mundanismo se nossa mente for como a de Cristo. Sim! Para nós que professamos a fé em Cristo, esse não é mais nosso mundo. Estamos nele. Participamos dele. Temos uma missão nele. Ele é o nosso campo de atuação para o bom serviço do Evangelho. Mas não pertencemos e não devemos jamais tomar a forma dele. Como Paulo mesmo disse em sua carta aos Romanos, “não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12: 2). Nossa mente deve estar firmada nas coisas do alto, pois foi renovada em Cristo para a glória de Deus.

Portanto, devemos andar conforme Deus, a fim de agradá-lo e não conforme o mundo, sendo o mundo feito inimigo de Deus. Somos livres em Cristo. Livres para vivermos conforme Deus. Mas, em detrimento disso, a proposta pós-moderna tem invadido muitas igrejas. Pode até ser aceita (como algo imbatível) a corrupção do mundo, uma vez que a Bíblia não nos engana sobre o destino do mundo e sobre o pecado. Mas o que causa espanto não é a corrupção que há no mundo, mas sim a corrupção que entra nas igrejas ditas cristãs e nas vidas dos que se dizem crentes. Muitos falsos líderes tem se levantado com idéias, supostas novas revelações e ensinando doutrinas de demônio e permitindo liberalmente a entrada de muitos pecados dentro de suas congregações (1 Jo 2: 18,19). A imagem de Cristo tem se desbotado nos corações de muitos que se um dia professaram a fé em Cristo. Muitos têm caído na graça. Alguns caíram totalmente da graça, pois dela nunca fizeram e nem farão parte, mas muitos crentes genuínos deixaram-se envolver com os ditames diabólicos desse mundo e aceitaram o pecado dentro de seus corações e lares. Os argumentos segundo o mundo estão ficando cada vez mais fortes e convincentes para os que não se firmaram totalmente em Cristo.

Falei das sociedades que antes levantaram com fervor a bandeira do Evangelho. Pois é! Muitas perderam o foco. Muitas deixaram as vãs sutilezas e filosofias entrarem deturpando a mensagem e a imagem de nosso Senhor. Muitas abandonaram a fé. Muitas igrejas têm fechado suas portas na Europa. Não sei se isso mexe com você, mas me entristeço inconformadamente com essa situação. Nos EUA mesmo, a situação também se torna crítica e digna de nota. Muitas igrejas (de bons nomes, inclusive), perderam completamente o norte e estão deixando entrar tão livremente o pecado, tomando assim, a forma desse mundo. Deixando-se levar pelo argumento demoníaco do casamento homo afetivo, pela ausência de luta em favor dos casamentos que se destroem, pela naturalização do divórcio, pela aceitação do aborto, pela juventude que se afasta de Deus, pela falta de doutrina bíblica, pelos ventos doutrinários que mancham a fé, etc. Aqui no Brasil, por sua vez, a ortodoxia muitas vezes não caminha lado a lado com a ortopraxia em alguns grupos de memoráveis nomes e, quando a ortopraxia se vê de modo dinâmico e atuante em algumas igrejas de rótulo pentecostal, a Sã Doutrina perde lugar para o experimentalismo estranho e para as tantas heresias que emergem dentre os neopentecostais.

Ah! São muitas coisas mesmo! Se a mente não estiver em Cristo, tão facilmente se perde o rumo. Muitas novelas, séries, filmes e outras mídias tentam ensinar e ditar (quase autoritariamente) o pecado como forma de vida e tem conseguido influenciar nosso povo com o argumento de que somos antiquados, que nossa fé é fundamentalista, que estamos ultrapassados pelas razões científicas e filosóficas, etc. Os jovens têm em mãos algumas ferramentas que os mantém informados de toda e qualquer novidade e muitos filhos de crentes se perdem nesse viés. A mídia é boa, a internet é boa, tudo pode ser bom se a mente estiver firme em Cristo e a vida estiver depositada em Deus. Também, muitas “novas didáticas” apresentam seus novos modelos de família; a relativização da verdade e a relativização do pecado; desconhecimento e plena ignorância bíblica entre os cristãos; ausência notável de uma vida piedosa entre os que professam a Cristo, etc. Tudo isso vai colocando muitos crentes no cativeiro e na vida cristã estática e infrutífera. Isso é sério! Enquanto os cristãos no Oriente Médio e em alguns lugares na África estão sendo perseguidos, mortos e vendo suas famílias desfeitas pela desgraça denominada de “Estado Islâmico”, muitos – aqui no Ocidente – estão passivamente cedendo e permitindo o mal criar suas raízes, vivendo um cristianismo desfigurado. Estão errando o alvo. Estão perdendo o foco. Estão olhando para baixo e não para o alto. Não sabem mais, nesse pluralismo todo, para quem olhar.

Entrando em Colossenses (breve abordagem dos capítulos 1 e 2):
O apóstolo Paulo, ao escrever sua carta à igreja de Colosso, quis exatamente advertir os crentes quanto aos ensinos falsos e mundanos que estavam entrando na igreja, suplantando a fé e também a centralidade e supremacia de Jesus Cristo na criação, na revelação, na redenção e na igreja. O apóstolo também quis ressaltar a verdadeira natureza da nova vida em Cristo e suas exigências para o crente. Embora se trate de contextos diferentes, o contexto do ministério paulino, assim como todo o contexto do primeiro século da era cristã foi marcado por uma chuva de heresias, legalismo, religiosidade e vãs filosofias que surgiam no meio do povo de Deus. A diferença para nossos dias, é que as mesmas coisas, os mesmos pecados se tornaram ainda maiores e afetaram todas as áreas da vida humana num tempo diversificado e mais complexo.

O apóstolo João mesmo, em sua primeira carta, faz a advertência: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. […] e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus […]” (1 Jo 4: 1 e 3). Segundo Paulo, eram muitas “filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (2: 8) que estavam ameaçando o real entendimento da igreja sobre a divindade de nosso Senhor e também afetando a postura em relação à Verdade. Junto dos maus ensinos, dos maus exemplos, das filosofias e ventos de doutrina, estava o legalismo judaizante que, assim como fora também entre os gálatas e outras comunidades, disputava entre os crentes a primazia da fé em detrimento do Evangelho da graça. O mundo é inimigo de Cristo e da igreja (Jo 15: 18,19). Sendo assim, os ditames do mundo sempre vão ter por intento destruir a imagem divina, santa e verdadeira de Cristo por meio do pluralismo de conceitos e pela relativização da fé e da vida cristã. Eis a astúcia-mor do adversário de nossas almas: fazer com que Cristo não seja contemplado por nossos olhos. Por isso, Cristo – em sua oração sacerdotal – foi tão enfático quando disse:

“É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste […]. Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo […]” (Jo 17: 9 e 11).

No mesmo sentido de exortação e desejo de ver guardadas as ovelhas de Cristo, Paulo faz sua admoestação à igreja. No capítulo 1(versículo 10 ao versículo 14), ele, tão logo, chama a atenção para que a igreja assuma uma vida digna diante do Senhor, procurando agradar a Deus em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus (v.10). Essa exortação para que venhamos assumir essas qualidades se dá com base na seguinte verdade: Deus já “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (1: 13). Somos, portanto, reconciliados com Deus em Cristo pelo sangue da cruz (1: 20), feitos inculpáveis, santos e irrepreensíveis. Por isso, devemos tão logo assumir tais qualidades, pois o poder do sacrifício de Jesus Cristo nos garante eficazmente essa transformação pessoal pelo auxílio e obra do Espírito Santo. Outra verdade que pode ser extraída desse contexto é a seguinte: se sua mente não está firme em Cristo e você ainda não provou da transformação pessoal em Cristo, amando o pecado, agradando a si próprio e plenamente conformado com esse mundo, a notícia para você é esta: você não tem a mente em Cristo e não pode pensar sobre as coisas do alto, pois você não se converteu ainda de seus pecados e não faz parte do rebanho de Cristo, a não ser que se arrependa e almeje viver para Deus, conforme Deus, firme em Cristo e transformado pelo Espírito Santo para uma vida santa e justa. Quanto a nós, devemos, então, permanecer na fé, alicerçados e firmes, não nos deixando afastar da esperança do Evangelho que ouvimos e aprendemos (1: 22, 23). Dessa forma, amados irmãos, não podemos – de forma alguma aceitar o mal, fazer vista grossa ao pecado (seja nosso, seja do irmão) e deixar com que as vãs filosofias e heresias adentrem nossas congregações e os maus costumes, as nossas casas.

Em Romanos 6: 12., Paulo faz a seguinte admoestação: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estão debaixo da lei, mas da graça” (Rm 6: 12- 14). Nos versículos posteriores, Paulo adverte ainda sobre a postura cristã em conformidade com a vontade de Deus e deixa a seguinte afirmação: Deus – por sua graça – foi quem nos fez idôneos, afim que sejamos livres do “império das trevas” (v. 13), pois temos a redenção e a remissão dos pecados pelo sangue de Jesus. Ou seja: somos livres em Cristo para andar conforme quer Cristo. A princípio parece não haver liberdade nisso, mas no decorrer deste texto, veremos que sim. Há liberdade em Cristo e somos livres quando nossa vida é mortificada na carne e ressurreta em espírito. Portanto, no capítulo 1 e no capítulo 2 (mais especificamente nos versos 6 ao 12 e no verso 18 do segundo capítulo), Paulo deixa uma série de afirmações quanto a nossa nova natureza em Cristo, sendo nós agora, edificados nele (2: 7), confirmados na fé, abundantes e instruídos na fé e na ação de graças (2: 7).

Assim, devemos: estar aperfeiçoados nele, circuncidados nele, sepultados com ele no batismo e ressurretos nele pela fé. Assumindo, assim, a nossa liberdade com que Cristo nos libertou e vivendo conforme a nossa nova natureza em Deus, ninguém poderá nos dominar a seu arbítrio (ou bel-prazer) em pretextos de humildade. Assumindo a nossa posição como remidos por Cristo, cheios do Espírito Santo e amigos de Deus, devemos – portanto – provar a nossa fé, evidenciando diante das plurais filosofias e formas de vida ditadas pelo mundo, quem tem, de fato, a primazia de nosso ser. Como evidenciar e provar a nossa fé a fim de agradar somente a Cristo? Paulo responde no capítulo 3, no versículo 1 ao 17. Paulo inicia o terceiro capítulo com uma conjunção coordenativa conclusiva: “Portanto…”. E dá uma seqüência conclusiva ao que tratou nos dois primeiros capítulos de sua carta. O apóstolo diz:

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto…”.

Pois bem, Paulo faz, nessas palavras, um convite para a análise interior, para uma sondagem com o intuito de provarmos – em vista de nossas ações e forma de vida – se realmente estamos ressuscitados com Cristo. Evidenciamos mesmo o caráter de Cristo? É extremamente válida tal análise. E se realmente estamos firmados em Cristo, logo pensamos como Cristo. Se estivermos em Cristo, somos parte do Corpo de nosso Senhor. Se nós somos, então, parte do Corpo de Cristo, sendo Ele o cabeça desse corpo, nossas atitudes devem estar em plena conformidade com os pensamentos de Deus. Por isso, Paulo completa: “…se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto”. Estar ressuscitado com Cristo e buscar as coisas do alto trazem uma série de aprendizados que aqui menciono:

1) O ressuscitado com Cristo é aquele que já morreu para o mundo. O mundo e o pecado não o escravizam mais. É livre e vive uma vida para a glória de seu Senhor, em fidelidade à Palavra de Deus, em santidade, evidenciando uma vida frutificada pelo Espírito Santo e verdadeiramente piedosa;

2) Buscar as coisas do alto remete à busca, ao interesse e à total inclinação para aquilo que é do Reino. É aquele que vive o Reino e para o Reino de Deus. Buscar aquilo que é do alto é se interessar e se preocupar com os assuntos de Deus.

Como? Se envolvendo com a obra de Deus; se envolvendo com o evangelismo, com a pregação da Palavra. O que busca as coisas que são do alto, busca viver segundo a vontade de Deus, procurando saber qual é a perfeita e agradável vontade do Senhor. Ele lê a Bíblia, ele ora incessantemente, ele clama por sabedoria, ele roga a Deus para ser usado com poder no Evangelho, ele se preocupa em apresentar um bom testemunho na sociedade na qual se insere, ele se preocupa com as questões que envolvem sua congregação, ele busca melhorias para os irmãos, ele desenvolve seus talentos e dons, ele edifica, ele trabalha, ele oferta, etc. Sua mente está voltada para a glória de Deus e sua vida familiar, profissional, financeira, etc. reflete o seu movimento para Deus e sua firme adesão; 3) O que está ressuscitado com Cristo e busca as coisas que são do alto, está em plena sintonia com a mente de Cristo. Se ele está em plena sintonia com as coisas de Cristo, tem os mesmos interesses de Deus, a saber, o resgate de muitas almas. Quem tem a mente firme em Deus e busca as coisas do alto, conseqüentemente não suporta uma vida estática e vai ao encontro do perdido e do desamparado para evangelizá-lo, pois é o que Jesus faz. Portanto, se somos ressuscitados com Cristo, nossa vida frutifica. E essa é a prova de que somos ressurretos para Deus e firmados em Cristo: quando buscamos as coisas de do alto e mantemos nossa mente voltada para as coisas do reino. Eis o exemplo em João 15: 2-4 e 5:

“Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado;permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. […] Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto[…]”.

No versículo 2, a exortação continua assim: “pensai nas coisas que são de cima”. O termo usado no original, traduzido como “pensai”, é “phroneo” e pode ser traduzido também por: “exercitar a mente”, “alimentar a mente” e mesmo “interessar-se por algo”. E a advertência que nos cabe é exatamente essa: precisamos exercitar a nossa mente para desenvolvermos melhor nossos pensamentos sobre Deus a fim de melhorarmos a nossa postura cristã. Há uma profunda ligação entre o nosso pensamento e a nossa atitude. Nossas atitudes nada mais são o reflexo daquilo que pensamos. Se não temos nenhum conhecimento de Deus, não temos nenhum pensamento em conformidade com a vontade de Deus, o que poderemos esperar de nossas atitudes? Como exercitar a mente para pensar nas coisas que são de cima e buscar as coisas que são do alto? Lendo a Escritura! Isso! Lendo, estudando e examinando a Bíblia! Ela fala de Jesus. Ela é a revelação de Jesus Cristo, o Verbo de Deus!

Conhecendo a Palavra de Deus, podemos agir conforme Deus e ter uma visão correta sobre nosso Senhor. Atitudes que nos afastam de Deus são atitudes cujos pensamentos estão longe das coisas de Deus. Não pensamos no próximo, não observamos a vontade de Deus, não trabalhamos e nem desejamos trabalhar no Evangelho, etc. Tudo isso por não ter uma mente firmada em Cristo. Se Deus não ocupa nossa mente, nosso ser poderá ser regido, então, pelo pecado. Isso é sério! Não somos mais escravos do pecado! Somos livres em Cristo para exercitar e desenvolver nossa salvação. Precisamos desde já alimentar a nossa mente e pensar nas coisas que são de cima, ou seja: precisamos fazer como Cristo. Precisamos nos alimentar de fazer a obra do Pai (João 4: 33,34), se envolver com as coisas de cima. Esse é o interesse de Cristo. Se nós estamos mesmo com Cristo e enxertados nele, os interesses de nosso Senhor passam a ser nosso interesse também.

Uma curiosidade: a filosofia grega clássica e helenística exercia forte influencia na sociedade e nas comunidades onde Paulo exerceu seu apostolado. Não tenho dúvidas de que Paulo era conhecedor, pelo menos em parte, da filosofia grega, uma vez que ele tinha uma relevante desenvoltura entre os gregos na evangelização e no ensino. O modelo de vida realizada na sociedade grega clássica e helenística era o modelo do Sábio, a saber, o homem que era inteiramente realizado para os gregos era o que exercitava o pensamento em vista do bem da polis. Esse era o que exercia a phrónesis (phroneo), ou seja, sabedoria sobre as coisas que transcendiam o ser. Era a sabedoria do alto. Paulo, como era pregador bom, em consonância com essa forma de pensamento, lançou a verdade cristã sob o mesmo viés conceitual: o que se realiza em Deus é aquele que pensa sobre as coisas que são de cima. Esse é o sábio! A sabedoria do cristão é estar no centro da vontade de Deus e não mergulhado no pecado. A sabedoria verdadeira consiste em fazer boas escolhas (nesse aspecto, a escolha humana tem o seu lugar). Podemos lembrar de Salomão quando pediu a Deus sabedoria para reinar.

No entanto, muitos problemas, adversidades, e situações diversas tendem a roubar nossa atenção, nossa fé e até mesmo conseguem apagar a chama de nosso coração. Porém, não fomos chamados para uma vida de inconstância, mas sim de perseverança.

No versículo 3, Paulo deixa um importante alento:

“porque morrestes e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus”.

As aflições desta vida, as lutas e provas que aparecem, junto com a força e o intento do pecado tentam ofuscar nossa visão e fazer com que abaixemos nossas cabeças e erremos o alvo. Nossa vida aqui é constante batalha. Contudo, devemos ter bem certo em nós a esperança de que Cristo está conosco e temos aliança com Deus através do sangue de Jesus Cristo. Estamos escondidos, agora, em Deus. Temos livre acesso a Ele pela graça e pelo sangue. Nenhum mal, nenhum ataque, nenhum desanimo, nenhuma provação, nenhum pecado que ainda cativa nosso ser pode ser mais forte que Jesus em nós. Por isso a importância de uma vida firmada a cada dia em Deus. Pois, buscando sempre as coisas do alto, nos fortalecemos e crescemos em fé e em graça para suportarmos firmes qualquer desafio que possa surgir. Em Deus, estamos protegidos. Não livres dos ataques, não livre das aspirações de nossa carne, não livres do pecado. Aliás, o pecado é uma constante possibilidade de perdermos o foco. Mas, tendo o foco em Deus e nas coisas de Deus, não há como ceder para o pecado.

Há o sofrimento, mas há a esperança. Há a tristeza, mas há a alegria que sempre vem pelo amanhecer; existe a provação e a dificuldade, mas há a certeza que em Deus podemos tudo, a nudez, a fome, o perigo, a espada, etc. Tudo nós podemos, naquele que nos fortalece.

> Buscar as coisas do alto é, portanto: constante negação de nós mesmos (Cl 3: 5), pois esse é o sentido real da nossa morte e ressurreição. Vida virtuosa é isso: negação de suas aspirações e paixões para fazer aquilo que agrada a Deus. Olhar para as coisas que são de cima e focar nas coisas do alto é assumir o chamado; é esquecer das coisas que para trás ficam; é avançar para o alvo; é procurar não errar o alvo; é crescer em graça e em conhecimento; é se encher do Espírito Santo; é se preocupar com as coisas do Reino; é se alimentar de Jesus; é se envolver e se relacionar com nosso Senhor. Buscar as coisa de cima pressupõe uma vida que está determinada a carregar a cruz. Buscar as coisas de cima é poder orar com firmeza de coração: “venha a nós o teu Reino e seja feita a tua vontade!”.

> Buscar as coisas que são de cima é buscar em Deus e em sua Palavra o sentido para viver e poder olhar para o próximo com mais compaixão. Em Mateus 5: 1-48, Jesus nos deixa o modelo da vida bem-aventurada, ou da “beata vita”, que supõe uma vida de plena realização pessoal. E nos ensinamentos do Sermão da Montanha, Jesus ensina que a bem-aventurança (felicidade plena) está na constante negação de nós mesmos para o serviço do Reino de Deus e no servir o próximo e amar o próximo como marca de uma vida que conheceu a liberdade em Cristo. E não só isso: conheceu a graça e a própria miserabilidade diante do amor de Jesus Cristo.

> Buscar as coisa do alto e pensar nas coisas de cima é, portanto: disposição mental, física e espiritual para morrer de vez para o mundo e viver uma vida ressurreta para Deus. Nossa bem-aventurança está no entendimento da mensagem da cruz. Na cruz consiste a verdadeira liberdade em Cristo. Por quê? Porque morrer para o mundo e para o pecado e vencer a carne, dizendo não para as paixões, inclinações e desapontando nossos fortes desejos em vista da glória de Deus, implica total domínio de si mesmo, numa vida frutificada pela obra do Espírito Santo. Poder dizer para a oferta do maligno e da própria carne que “eu vou agradar a Deus e não a mim mesmo” é vencer – como Cristo – a tentação do Diabo e se portar como verdadeiro liberto. O escravo não consegue. O livre sim, pois seu olhar está firme em Deus e tem constantemente buscado as coisas do alto. Assumir, portanto, a liberdade que Cristo nos concedeu na cruz. Somos livres quando nossa mente está buscando as coisas do alto e pensando nas coisas do alto, pois o pecado não mais nos domina. Temos vitória sobre o maligno! Veja em 1 João, 2: 12-17. Em continuidade de sua admoestação e ensino, Paulo ainda adverte sobre a importância de ainda morrermos totalmente em nossa velha natureza terrena, buscando superar e vencer toda prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e avareza. (3: 5), pois, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os homens. Muitos ainda não acordaram para a seriedade dessas palavras e vivem praticando uma ou todas essas coisas citadas. Mas a palavra de Deus para esses é: condenação! Morte eterna! Inferno.

A não ser que se arrependam agora e busquem a Deus. Buscai as coisas do alto! Perto está o Senhor daqueles que o invocam (Is 55: 6). Paulo ainda insiste: “despojai-vos, igualmente, de tudo isto” (v.8). Notemos que Paulo está falando para a igreja. Isto! Para a congregação de crentes. Amados, somos seres de pecado (1 Jo 1: 8). Temos tendência ao erro, enquanto tivermos esse corpo mortal, pois a morte está instaurada como salário (Rm 6: 23) de nosso pecado. Contudo, temos um advogado diante de Deus (1 Jo 2: 1), a saber, o próprio Cristo. Por isso devemos ter a mente voltada para Cristo, pois Ele é o intercessor, o que advoga e o que nos traz justificação (Rm 6:7).

Contudo, devemos – agora – despojar de tudo que ainda nos faz cativos. Ou vivemos livres para a glória de Deus, ou somos ainda escravos. O céu é para os livres em Cristo. Preocupe-se com isso! Despojando de todo o pecado e de tudo que rouba a primazia de nossa atenção, impedindo-nos de buscar e pensar nas coisas do alto, devemos, tão logo, assumir a forma da nova criatura (novo homem), pois essa nova natureza em espírito nos fará chegar ao pleno conhecimento de Deus e ao modelo de Cristo (v. 10). O velho homem não pode enxergar e conhecer os mistérios de Deus. Portanto, não pode entrar em sua glória, pois Deus é Santo. Mas o novo homem, em espírito e assumindo a cada instante a forma perfeita de Cristo, pode ver a Deus e já aqui, participar da glória e de Jesus Cristo. “não que eu tenha já recebido ou obtido a perfeição, mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.

[…] esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo

[…]” (Fp 3: 12-14). Uma excelente noite e auto-análise, reflexão, súplicas e paz!

Gabriel F. M. Rocha.

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Estudar teologia

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Estudar teologia não implica apenas no acréscimo de conhecimento. É muito mais!

Estudar teologia (com verdadeira devoção) acrescenta a dívida de amor de quem a estuda.

O conhecimento da Verdade se torna eficaz no momento que se propõe pagar a dívida de amor.

Conhecer a Verdade implica na adesão ao bem. Conhecer a Verdade é estar livre para praticar o bem. Conhecer a Verdade é estar liberto do próprio ego para servir melhor o próximo. Esse é o sentido de estudar teologia.

Conhecer mais sobre Deus deve supor viver mais conforme Deus.

Quanto mais se conhece, mais forte se torna a necessidade de engajamento. E quem não se engana ao bem que conhece, peca.

E é isso que me preocupa….

Gabriel Felipe M. Rocha

10 princípios para maridos e pais cristãos

Man reading the bible
Man reading the bible

(POR JASON HELOPOULOS | 14 de julho de 2015)

A maioria dos homens cristãos em círculos conservadores abraçam a verdade bíblica de que eles devem liderar suas famílias em Cristo. Embora a maioria abrace essa realidade e esteja convencida da sua necessidade, é igualmente verdade que a maioria de nós não tem certeza de como fazer isso. Poucos de nós cresceram em lares cristãos com pais cristãos fortes e piedosos para nos modelar. Como um marido e pai cristão lidera bem a sua família em Cristo? Eu sugiro que os princípios abaixo são um ponto de partida:

Busque a santidade: essa é a chave para liderar as nossas famílias em Cristo. Um marido e pai cristão não pode liderar onde ele não pisou. Assim como Paulo admoestou Timóteo a respeito do pastorado, “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina” (1 Timóteo 4.16), o mesmo se aplica ao “pastor” da casa. Se falta santidade em nossas vidas, então ela também faltará nos membros da nossa família. O maior impulso para o crescimento deles é o nosso próprio crescimento em Cristo.

Reconheça o que você pode e não pode controlar: aquele que pensa que pode controlar o coração dos outros é um tolo. Nós não temos tal capacidade e graças a Deus por isso. Podemos encorajar, exortar e ensinar nossas esposas e filhos na fé, mas não podemos controlar o seu envolvimento e crescimento na fé. Mas é nossa responsabilidade manter nossos próprios corações. Não negligencie o que você tem por responsabilidade enquanto persegue as coisas pelas quais você não é responsável. Maridos e pais servem melhor suas famílias quando estão tentando controlar a sua própria raiva, egoísmo, orgulho e língua. Que saibamos o que somos habilitados a fazer e aquilo que somente o Senhor pode fazer.

Proveja em todos os meios: a maioria dos maridos e pais cristãos reconhece a necessidade de sustentar as suas famílias materialmente. “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1 Timóteo 5.8). Mesmo que isso seja verdade no reino físico, também o é no reino espiritual. Por favor, traga para casa o bacon! Mas não pare por aí. Pratique um culto familiar consistente e regular; lidere a sua família na leitura das Escrituras, orando e cantando. Alegremente, leve a sua família à igreja a cada semana, envolva a sua família no ministério da Igreja, busque a hospitalidade convidando outras pessoas para sua casa, ore com e por sua esposa e filhos. Não pense que seu trabalho está feito apenas ao garantir um teto sobre suas cabeças, roupas nos seus corpos e comida em seus estômagos. Eles são corpo e alma, eles precisam da sua provisão no reino espiritual.

Pratique a humildade: liderar em Cristo é diferente do que o mundo entende por liderança. O mundo promove um tipo de liderança que exige ser servido. A visão cristã de liderança exige o servir. Caro marido e pai cristão, você é o servo chefe de sua casa. Parabéns! Em Cristo, “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mateus 20.26). Lideramos ao servir e muitas vezes esse serviço é sacrificial (Efésios 5.25).

Persista em alegria e ação de graças: defina o tom da sua casa. Um marido e pai cristão estabelece a cultura de sua casa mais do que ninguém. O adolescente temperamental, a criança exigente ou mesmo a esposa mal-humorada não são os fatores determinantes. Você é. Prossiga na alegria do Senhor e persista em ação de graças a Deus por todas as Suas boas dádivas (Tiago 1.17). Este é um grande ponto de partida para moldar a sua casa.

Seja efusivo no amor: Nenhuma esposa ou filho já disse: “Eu fui amado além da conta!”. Não seja o marido ou pai que é reservado em expressar seu amor. Faça a sua esposa se sentir preciosa. Nutra e a acalente (Efésios 5.29). Honre a sua vida com elogios, flores, presentes e carinho constante. Abrace-a por trás enquanto ela está lavando os pratos, encontre um tempo regular para ela escapar das demandas da casa, incentive-a a buscar amizades femininas piedosas, agradeça o cuidado que ela dá a você e seus filhos, planeje e execute encontros. Que ela nunca duvide que você a estima mais do que todos os outros. Permita que seus filhos vejam esse carinho. Os pequenos olhos de seus filhos devem te ver abraçar sua esposa constantemente. Quanto aos seus filhos, tenha por eles um amor implacável e infalível. Não importa as falhas, fraquezas, ou lutas que eles possam ter, o seu amor vai ser uma constante em suas vidas. Ele é fixo e nada pode roubá-lo. Você não vai ser um pai perfeito, mas banhar os seus filhos em amor é um passo para ser um grande pai.

Viva pela graça: Pedro diz: “vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil…” (1 Pedro 3.7). Paulo diz: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6.4). Modele e pratique a graça em sua casa. Seja sensível ao pecado e ainda mais sensível para estender aos outros a mesma graça que você recebeu. Sua esposa e filhos devem te ver como alguém acessível, amável, gentil e gracioso. Ao ouvirem a palavra graça, ela não deve ser um conceito estranho às suas mentes. Eles devem conhecer e receber isso de você consistentemente.

Proteja e seja forte: Sua esposa e filhos precisam da sua força. Não só eles precisam da sua força, como também precisam saber que você está disposto a usar essa força para o bem deles. Você serve como seu defensor. Você deve defender a sua família com boa vontade e de bom grado, mesmo que isso lhe custe social, profissional, emocional ou mesmo fisicamente.

Glorie-se na fraqueza: mesmo quando você procura ser forte, deve reconhecer a glória em sua própria fraqueza. Sua esposa e filhos devem conhecê-lo como um homem que alegremente depende do Senhor. Quando eles refletirem sobre sua força, devem sempre entendê-la como vinda da parte do Senhor. E você deve se alegrar por eles conhecerem a fonte da sua força. Um marido cristão e pai fiel não vai mergulhar na sua fraqueza, mas glorificará nela. Ele irá continuamente olhar para Cristo e modelar essa virtude cristã suprema em sua família. Ele será um homem de oração, sabendo que grande parte de seu pastoreio ocorre de joelhos. Ele vai liderar o caminho ao pedir perdão em casa, tanto a sua esposa e filhos. Ele será rápido em conceder o perdão quando ofendido, vai refrear-se em ter expectativas muito altas sobre sua esposa e filhos, reconhecendo suas próprias falhas e fraquezas e estenderá a eles a mesma graça de que ele mesmo precisa.

Viva contemplando a Glória de Deus: esteja você no trabalho, descansando ou brincando, procure glorificar o Senhor. Paulo disse: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10.31). Modele a sua família para viver com propósito. Estamos sempre vivendo à sombra da glória de Deus. Mostre a eles que cada momento é importante, cada pessoa é significativa, cada tarefa é importante. Ria ao brincar com seus filhos, sue ao trabalhar e cante alto ao adorar. Faça todas as coisas contemplando a Glória de Deus e as faça com todo o seu coração e alma, especialmente ao liderar a sua família.

Maridos e pais cristãos, a vocês foi dada a tarefa gloriosa e maravilhosa de liderar suas casas em Cristo. Liderar requer pensamento e intencionalidade. Como você está liderando a sua família no Senhor? Que princípios, práticas e atividades você está empregando para o bem deles e para a glória de nossa Cabeça, Cristo Jesus?

Traduzido por Kimberly Anastacio

Reforma21.org

Uma necessária advertência (Gabriel F. M. Rocha)

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“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” (2 Tm 3. 1-5).

A alerta que Paulo faz a Timóteo (no texto acima) é pertinente, pois, o propósito de Paulo para com Timóteo era prepará-lo para exercer bem o ministério e administrar bem a igreja e as coisas de Deus. Portanto, as advertências e exortações nunca giravam em torno apenas de problemas de natureza doutrinária. Nem mesmo se pautava no cuidado que as igrejas deviam ter em relação aos falsos líderes. Tampouco, as perseguições políticas e religiosas eram o assunto principal entre os apóstolos. Havia também, como lemos aqui, a advertência para se afastar dos vaidosos, orgulhosos, soberbos. Dos homens e mulheres cheios de si. Inchados em seus orgulhos e obstinações. Por quê?

Porque esses são tão perigosos quantos aqueles líderes e falsos doutores que deturpavam a mensagem da cruz. Arrisco dizer que os vaidosos, orgulhosos, obstinados, presunçosos e avarentos são mais perigosos que os ataques e as perseguições frontais, pois esses são como o câncer que vai proliferando sua presença maligna. Como Paulo mesmo cita no texto, esses vaidosos, orgulhosos e cheios de si mesmo, são irreconciliáveis. Não aceitam a exortação. Não aceitam a doutrinação. São também invejosos. Querem estar por cima. Querem ter a razão. O vaidoso e orgulhoso quer ser os melhor e o “sabidão”. Ignora o verdadeiro conhecimento que parte do pressuposto da humildade e dependência. Nesses não podemos confiar, pois como Paulo mesmo diz, são traidores e mais amigos de seus deleites do que de Deus. São perigosos, pois – como também denuncia Paulo – eles têm aparência de piedade, mas negam a eficácia dela em suas vidas e ações diárias.

Portanto, para que possamos cuidar das coisas de Deus, servir a Deus melhor e viver um Evangelho autêntico, é necessário afastar-se desses. Mas creio que a advertência é bem mais que isso!
Não tenho dúvida alguma de que Paulo queria provocar em Timóteo (também) uma análise interior. Timóteo estava sendo preparado para exercer uma séria liderança em sua congregação. Portanto, era necessário não só se afastar desses, mas – jamais – ser como esses. Paulo chega a dizer a Timóteo: “mas tu, porém, tem seguido minha doutrina…”. Ou seja, “sua postura não condiz com a vaidade, o orgulho e soberba desses tantos”. Portanto, “permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido…”.
É comum alguns sentimentos de vaidade e orgulho tomarem nosso coração. Tem momentos que achamos que somos bons demais. Sabemos demais! Tem hora que assumimos uma convicção de que somos top demais e bons demais para fazer coisas tão simplórias… E a “bola de neve” começa a rolar… Se sou bom demais, pra quê visitar o irmão “zé”? Deixe que outro faça isso, ora… Para quê ir à escola bíblica? Para quê frequentar reuniões de capacitações pessoal se sou o “super capacitado”. E a “bola de neve” vai rolando… Daí começo com a soberba e termino na maledicência, ingratidão, traição, etc.

A vida cristã é o oposto disso tudo. Por quê? Porque o cristão para ser mesmo um discípulo, ele precisa renunciar a muitas coisas, negar a si mesmo, pegar a sua cruz e seguir o Mestre. Isso implica no esvaziamento de si mesmo. Logo, pegar a cruz implica fazer como Cristo fez: deixar Deus prosseguir com seu plano em nossas vidas. Foi isso que Cristo fez quando assumiu a cruz: deixou o Pai executar seu plano eterno. Não que Deus necessite de minha permissão (pois seus planos não podem ser frustrados), mas o cristão cheio do Espírito Santo, remido por Cristo, passa a entender a necessidade de ser guiado pelo Espírito e nunca pela carne.
Paulo mesmo faz tal distinção em Gálatas 5 entre os que são da carne e os que são do Espírito. Note que ele diz em Gl 5. 24 que os que são realmente de Cristo já crucificaram a carne a fim de viverem em Espírito. E, para viver em Espírito e frutificar pelo Espírito (Gl 5.22) é necessário o percurso da humildade, do esvaziamento, da dependência de Deus.

Portanto, a vaidade, o orgulho, a soberba, a arrogância, a obstinação desenfreada, e outras tantas obras da carne “bem alimentada” não pode levar o indivíduo ao Eterno lar de Deus. Antes, esses estão já condenados em seus delitos como Paulo diz a Timóteo.

Mas os que são de Cristo e são como Cristo estão crucificando a carne dia-a-dia, sofrendo as aflições de Cristo, esvaziando de si mesmos para viver uma vida abundante na presença de Deus.
A humildade e a submissão do cristão refletem o seu temor a Deus. Temor que, por sua vez, reflete uma vida obediente e solícita para as coisas de Deus. Essa é a verdadeira sabedoria! Não há orgulho e nem vaidade! Há a certeza de que estamos bem e estamos trilhando o caminho certo, mesmo com as adversidades próprias de nosso século.

“Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência, Perseguições e aflições […]. Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 3:10-15).

Gabriel Felipe M. Rocha
Gabriel Felipe M. Rocha

Reflexão de quem quer servir a Deus melhor (ou de verdade)

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(Gabriel F. M. Rocha)

Quando Jesus dita a parábola do “bom samaritano” para um intérprete da Lei (Lc 10. 30-36), Ele queria fazer o magistrado olhar para além da teologia, da religião e da religiosidade. Como era esperado de um intérprete da Lei, aquele homem sabia muito sobre as Escrituras. Certamente ele conhecia bem os aspectos políticos, econômicos e sociais de sua nação também. Além de tudo isso, ele tinha uma excelente posição social e religiosa pelo título que carregava. Mas faltava para ele conhecer quem era o seu próximo!

O que é interessante nessa passagem bíblica é que, quando o intérprete da Lei testa Jesus perguntando sobre como herdar a vida eterna, Jesus pergunta ao mesmo sobre o que a própria Lei diz. Tipo: “você deve conhecer a resposta que está procurando, pois não é o conhecimento da Lei que define o seu título?”. E, como é esperado de um bom teólogo e conhecedor das escrituras, o homem respondeu corretamente:

“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo”.

Porém, existe um abismo enorme entre conhecer e praticar.

O homem, então, logo retruca: “quem é meu próximo?”

Não posso especular muito, mas creio que essa a segunda pergunta desse homem poderia partir de duas intenções básicas. Primeiro: ele realmente não sabia quem era o seu próximo. Segundo: ele talvez tenha perguntado: “quem é o meu próximo” no sentido de: “quem é semelhante a mim ou próximo a mim no que diz respeito ao meu conhecimento, meu magistrado e minha posição religiosa para que eu possa, de fato, chamar de ‘meu próximo? ’” Essa segunda hipótese supõe “o próximo segundo as minhas conveniências”, o que muitos têm conhecido. Exemplo: “Meu próximo é o que professa a mesma fé que eu professo!” e por aí vai…

Bem, na verdade tanto faz qual tenha sido a intenção real da pergunta daquele homem! As duas possibilidades significam a miséria da religião sem amor. Conhecer teologicamente a religião e não praticar a verdadeira religião é miséria e vergonha.

Será que a minha teologia e a minha missão têm partido do amor como única intencionalidade? Ou será que as intenções de meu coração são outras? Será que o muito estudar e conhecer só tem servido para alimentar o meu ego? Será que a minha missão tem servido para eu convencer a mim mesmo e aos outros de como bom e generoso eu sou? Será que ambas têm sido moedas de troca para fins superiores.

A verdadeira teologia é um bem em si mesmo, pois a verdadeira teologia (a Sã Teologia) supõe o amor. Conhecer a Verdade e o Bem e não conseguir amar é impossível! Conhecer a Deus e desprezar a sua vontade é condenação! Da mesma forma, a verdadeira missão é um bem em si mesmo. Fazer o bem porque ama é realizar-se com o próprio bem, sabendo que a missão é louvor a Deus e possibilidade de edificação do outro! Nunca o “eu” deve ser visto! Não mesmo!

A verdadeira teologia e a verdadeira missão é uma afronta ao ego. A verdadeira teologia transcende as letras e as teorias. A verdadeira Teologia vence as barreiras que a religião impõe. A verdadeira teologia deságua na missão. E a missão, por sua vez, é o sentido da verdadeira Teologia! Ambas são compostas pelo sentido da cruz. Isso mesmo: elas refletem a mensagem da cruz. Primeiro porque ela pede para o “eu” morrer para o Espírito guiar. Segundo, porque é nossa tarefa e nossa missão, como a cruz foi a missão de Cristo na terra. Eis, portanto a cruz! A Teologia como um relacionamento vertical entre Deus e eu vai de encontro com a missão que, tão logo, implica no relacionamento horizontal (eu e o próximo). A missão, portanto, dá sentido à Teologia e a torna eficaz.

Essa é a eficácia da mensagem da cruz: o “eu” está crucificado com Cristo e não vive mais. Mas Cristo vive em mim e a vida que agora vivo, eu vivo pela fé. Cristo vive em mim! Se Ele vive em mim, sua missão se estende por meio de mim.

Aquele homem conhecia muito, mas estava cheio de si e longe de Deus. Muitos estão longe de Deus! Eu também posso estar longe de Deus se tudo isso que escrevi até aqui for vazio de sentido e de amor…

Portanto, responder com clareza e com convicção “quem é o meu próximo” é impossível sem o pressuposto do amor. É possível amar e discernir o próximo sem religião e dogmas, mas é impossível servir o próximo sem amor. Por isso, diante de muitos fatos, eu creio que existem muitas teologias sem amor. Não quero que a minha seja uma delas…Não quero que minha missão seja vazia…

Quem conhece a Deus, de fato, o ama e quem o ama guarda os seus mandamentos. Quem ama a Deus serve o outro, pois reconhece o seu próximo.

A Sã Teologia triunfa na missão!

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A cruz e o “eu”

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(Por Arthur W. Pink)

Antes de abordarmos o tema deste versículo, desejamos fazer algumas considerações sobre os seus termos. “Se alguém” — o termo utilizado refere-se a todos os que desejam unir-se ao grupo dos seguidores de Cristo e alistar-se sob a bandeira dEle. “Se alguém quer” — o grego é muito enfático, significando não somente a anuência da vontade, mas também o propósito completo do coração, uma resolução determinada. “Vir após mim” — como um servo sujeito a seu Senhor, um aluno, ao seu Mestre, um soldado, ao seu Capitão. “Negue” — o vocábulo grego significa negue-se completamente. Negue-se a si mesmo — a sua natureza pecaminosa e corrupta. “Tome” — não quer dizer leve ou suporte passivamente, e sim assuma voluntariamente, adote ativamente. “A sua cruz” — que é desprezada pelo mundo, odiada pela carne, mas, apesar disso, é a marca distintiva de um verdadeiro crente. “E siga-me” — viva como Cristo viveu, para a glória de Deus.

O contexto imediato é ainda mais solene e impressionante. O Senhor Jesus acabara de anunciar aos seus apóstolos, pela primeira vez, a aproximação de sua morte de humilhação (v. 21). Pedro, admirado, disse-Lhe: “Tem compaixão de ti, Senhor” (v. 22). Estas palavras expressaram a política da mentalidade carnal. O caminho do mundo é a satisfação e a preservação do “eu”. “Poupa-te a ti mesmo” é a síntese da filosofia do mundo. Mas a doutrina de Cristo não é “salva-te a ti mesmo”, e sim sacrifica-te a ti mesmo. Cristo discerniu no conselho de Pedro uma tentação da parte de Satanás (v. 23) e, imediatamente, a repeliu. Jesus disse a Pedro não somente que Ele tinha de ir a Jerusalém e morrer ali, mas também que todos os que desejassem tornar-se seguidores dEle tinham de tomar a sua cruz (v. 24). Existia um imperativo tanto em um caso como no outro. Como instrumento de mediação, a cruz de Cristo permanece única; todavia, como um elemento de experiência, ela tem de ser compartilhada por todos os que entram na vida.

O que é um “cristão”? Alguém que possui membresia em uma igreja na terra? Não. Alguém que afirma um credo ortodoxo? Não. Alguém que adota certo modo de conduta? Não. Então, o que é um cristão? É alguém que renunciou o “eu” e recebeu a Cristo Jesus como Senhor (Cl 2.6). O verdadeiro cristão é alguém que tomou sobre si o jugo de Cristo e aprende dEle, que é “manso e humilde de coração” (Mt 11.29). O verdadeiro cristão é alguém que foi chamado à comunhão do Filho de Deus, “Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Co 1.9): comunhão em sua obediência e sofrimento agora; em sua recompensa e glória no futuro eterno. Não existe tal coisa como o pertencer a Cristo e viver para satisfazer o “eu”. Não se engane nesse ponto. “Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lc 14.27) — disse o Senhor Jesus. E declarou novamente: “Aquele que [em vez de negar-se a si mesmo] me negar diante dos homens [e não para os homens — é a conduta, o andar que está em foco nestas palavras], também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt 10.33).

A vida cristã tem início com um ato de auto-renúncia, sendo continuada por automortificação (Rm 8.13). A primeira pergunta de Saulo de Tarso, quando Cristo o deteve, foi esta: “Que farei, Senhor?” (At 22.10.) A vida cristã é comparada a uma corrida, e o atleta é chamado a desembaraçar-se “de todo peso e do pecado que tenazmente… assedia” (Hb 12.1) — ou seja, o pecado que está no amor ao “eu”, o desejo e a resolução de seguir nosso próprio caminho (Is 53.6). O grande e único alvo, objetivo e tarefa colocados diante do cristão é seguir a Cristo: seguir o exemplo que Ele nos deixou (1 Pe 2.21); e Ele não agradou a Si mesmo (Rm 15.3). Existem dificuldades no caminho, obstáculos na jornada, dos quais o principal é o “eu”. Portanto, ele tem de ser “negado”. Este é o primeiro passo em direção a seguir a Cristo.

O que significa negar completamente a si mesmo? Primeiramente, significa o completo repúdio de sua própria bondade: cessar de confiar em quaisquer de nossas obras para recomendar-nos a Deus. Significa uma aceitação irrestrita do veredicto divino de que todos os nossos melhores feitos são “como trapo da imundícia” (Is 64.6). Foi neste ponto que Israel falhou, “porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus” (Rm 10.3). Esta afirmativa deve ser contrastada com a declaração de Paulo: “E ser achado nele, não tendo justiça própria” (Fp 3.9).

Negar completamente a si mesmo significa renunciar de todo a sua própria sabedoria. Ninguém pode entrar no reino de Deus, se não se tornar como uma “criança” (Mt 18.3). “Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!” (Is 5.21.) “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1.22). Quando o Espírito Santo aplica o evangelho com poder em uma alma, Ele o faz “para destruir fortalezas, anulando… sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Co 10.4,5). Um lema sábio que todo cristão deve adotar é: “Não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv 3.5).

Negar completamente a si mesmo significa renunciar suas próprias forças: não ter qualquer confiança na carne (Fp 3.3). Significa prostrar o coração à afirmativa de Cristo: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Foi neste ponto que Pedro falhou (Mt 26.33). “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). Quão necessário é que estejamos sempre atentos! “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Co 10.12). O segredo do vigor espiritual se encontra em reconhecermos nossa fraqueza pessoal (ver Is 40.29; 2 Co 12.9). Sejamos, pois, fortes “na graça que está em Cristo Jesus” (2 Tm 2.1).

Negar completamente a si mesmo significa renunciar de todo a sua própria vontade. A linguagem de uma pessoa não-salva é: “Não queremos que este reine sobre nós” (Lc 19.14). A atitude de um verdadeiro cristão é: “Para mim, o viver é Cristo” (Fp 1.21) — honrar, agradar e servir a Ele. Renunciar a nossa própria vontade significa dar atenção à exortação de Filipenses 2.5: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”; e isto é definido nos versículos seguintes como auto-renúncia. Renunciar a nossa própria vontade é o reconhecimento prático de que não somos de nós mesmos e de que fomos “comprados por preço” (1 Co 6.20); é dizermos juntamente com Cristo:

“Não seja o que eu quero, e sim o que tu queres” (Mc 14.36).

Negar completamente a si mesmo significa renunciar as suas próprias concupiscências ou desejos carnais. “O ego de um homem é um pacote de ídolos” (Thomas Manton), e esses ídolos têm de ser repudiados. Os não-crentes amam a si mesmos (2 Tm 3.2 – ARC). Todavia, alguém que foi regenerado pelo Espírito diz, assim como Jó: “Sou indigno… Por isso, me abomino” (40.4; 42.6). A respeito dos não-crentes, a Bíblia afirma: “Todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” (Fp 2.21). Mas, a respeito dos santos de Deus, está escrito: “Eles… mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11). A graça de Deus está nos educando “para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente” (Tt 2.12).

Este negar a si mesmo que Cristo exige dos seus seguidores é total. Não há qualquer restrição, quaisquer exceções — “Nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm 13.14). Este negar a si mesmo tem de ser contínuo e não ocasional — “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). Tem de ser espontâneo, não forçado; realizado com alegria e não com relutância — “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Cl 3.23). Oh! quão perversamente tem sido abaixado o padrão que Deus colocou diante de nós! Como este padrão condena a negligência, a satisfação carnal e a vida mundana de muitos que se declaram (inutilmente) “cristãos”!

“Tome a sua cruz.” Isto se refere à cruz não como um objeto de fé, e sim como uma experiência na alma. Os benefícios legais do Calvário são recebidos por meio de crer, quando a culpa do pecado é cancelada, mas as virtudes experimentais da cruz de Cristo são desfrutadas apenas quando somos conformados, de modo prático, “com ele na sua morte” (Fp 3.10). É somente quando aplicamos a cruz, diariamente, ao nosso viver e regulamos nosso comportamento pelos princípios dela, que a cruz se torna eficaz sobre o poder do pecado que habita em nós. Não pode haver ressurreição onde não há morte; não pode haver um andar prático, “em novidade de vida”, enquanto não levamos “no corpo o morrer de Jesus” (2 Co 4.10). A cruz é a insígnia, a evidência do discipulado cristão. É a cruz de Cristo e não o credo dEle que faz a distinção entre um verdadeiro seguidor de Cristo e os religiosos mundanos.

Ora, em o Novo Testamento a “cruz” representa realidades definidas. Primeiramente, a cruz expressa o ódio do mundo. O Filho de Deus não veio para julgar, e sim para salvar; não veio para castigar, e sim para redimir. Ele veio ao mundo “cheio de graça e de verdade”. O Filho de Deus sempre estava à disposição dos outros: ministrando aos necessitados, alimentando os famintos, curando os enfermos, libertando os possessos de espíritos malignos, ressuscitando mortos. Ele era cheio de compaixão — manso como um cordeiro, totalmente sem pecado. O Filho de Deus trouxe consigo boas-novas de grande alegria. Ele buscou os perdidos, pregou aos pobres, mas não desprezou os ricos; e perdoou pecadores. De que modo Cristo foi recebido? Que boas-vindas os homens Lhe ofereceram? Os homens O desprezaram e rejeitaram (Is 53.3). Ele disse: “Odiaram-me sem motivo” (Jo 15.25). Os homens sentiram sede do sangue de Jesus. Nenhuma morte comum lhes satisfaria. Exigiram que Jesus fosse crucificado. Por conseguinte, a cruz foi a manifestação do ódio inveterado do mundo para com o Cristo de Deus.

O mundo não se alterou, assim como o etíope ainda não mudou a sua pele e o leopardo, as suas manchas. O mundo e Cristo ainda estão em antagonismo. Por isso, a Bíblia afirma: “Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). É impossível andarmos com Cristo e gozarmos de comunhão com Ele, enquanto não tivermos nos separado do mundo. Andar com Cristo envolve necessariamente compartilhar de sua humilhação — “Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hb 13.13). Foi isso o que Moisés fez (ver Hb 11.24-26). Quanto mais intimamente eu estiver andando com Cristo, tanto mais incorretamente serei compreendido (1 Jo 3.2), tanto mais serei ridicularizado (Jó 12.4) e odiado pelo mundo (Jo 15.19). Não cometa erro neste ponto: é totalmente impossível ser amigo do mundo e andar com Cristo. Portanto, tomar a cruz significa que eu desprezo voluntariamente a amizade do mundo, recusando conformar-me com ele (Rm 12.2). Que me importa a carranca do mundo, se estou desfrutando do sorriso do Salvador?

Tomar a cruz significa uma vida de sujeição voluntária a Deus. No que concerne à atitude de homens ímpios, a morte de Cristo foi um assassinato. Mas, no que se refere à atitude do próprio Senhor Jesus, a sua morte foi um sacrifício espontâneo, uma oferta de Si mesmo a Deus. Foi também um ato de obediência a Deus. Ele mesmo disse: “Ninguém a tira de mim [a vida dEle]; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la” (Jo 10.18). E por que Ele a entregou espontaneamente? As próximas palavras do Senhor Jesus nos dizem: “Este mandato recebi de meu Pai”. A cruz foi a suprema demonstração da obediência de Cristo. Nisto, Ele é nosso exemplo. Citamos novamente Filipenses 2.5: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. Nas palavras seguintes, vemos o Amado do Pai assumindo a forma de um servo e “tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”.

Ora, a obediência de Cristo tem de ser a obediência do cristão — voluntária, alegre, irrestrita, contínua. Se esta obediência envolve vergonha e sofrimento, menosprezo e perdas, não devemos vacilar; pelo contrário, temos de fazer o nosso “rosto como um seixo” (Is 50.7). A cruz é mais do que um objeto da fé do cristão, é a insígnia do discipulado, o princípio pelo qual a vida do crente deve ser regulada. A cruz significa entrega e dedicação a Deus — “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1).

A cruz representa sofrimento e sacrifício vicários. Cristo entregou sua própria vida em favor de outros; e os seguidores dEle são chamados a fazerem espontaneamente o mesmo — “Devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1 Jo 3.16). Esta é a lógica inevitável do Calvário. Somos chamados a seguir o exemplo de Cristo, à comunhão de seus sofrimentos, a sermos cooperadores em sua obra. Assim como Cristo “a si mesmo se esvaziou” (Fp 2.7), assim também devemos nos esvaziar. Cristo “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20.28); temos de agir da mesma maneira. Assim como Cristo “não se agradou a si mesmo” (Rm 15.3), assim também não devemos agradar a nós mesmos. Como o Senhor Jesus sempre pensou nos outros, assim devemos nos lembrar “dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos”, como se fôssemos nós mesmos os maltratados (Hb 13.3).

“Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 16.25). Palavras quase idênticas a estas se encontram também em Mateus 10. 39, Marcos 8.35, Lucas 9.24; 17.33, João 12.25. Esta repetição certamente é um argumento em favor da profunda importância de prestarmos atenção e atendermos às palavras de Cristo. Ele morreu para que vivêssemos (Jo 12.24); devemos agir de modo semelhante (Jo 12.25). Assim como Paulo, devemos ser capazes de afirmar: “Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo” (At 20.24). A “vida” de satisfação do “eu” neste mundo é perdida na eternidade. A vida que sacrifica os interesses do “eu” e se rende a Cristo, essa vida será achada novamente e preservada em toda eternidade.

Um jovem que concluíra a universidade e tinha perspectivas brilhantes respondeu à chamada de Cristo para uma vida de serviço para Ele na Índia, entre as classes mais pobres. Seus amigos exclamaram: “Que tragédia! Uma vida desperdiçada!” Sim, foi uma vida “perdida” para este mundo, mas “achada” no mundo por vir.

Desafios da Igreja no século XXI (primeira parte)

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Tema: A batalha pela fé.

Texto base: Judas 3, 4; 17-24.

Gabriel Felipe M. Rocha

Julho/ 2015

Introdução:

Judas foi motivado e inspirado a escrever a carta que leva seu nome por causa de alguns sérios problemas dentro das igrejas. Similares aos problemas citados por Pedro em sua segunda carta, os problemas que Judas teve que enfrentar estava relacionado aos falsos mestres e aos ensinamentos desses que estavam entrando nas congregações. Tais ensinos, como tais falsos mestres, usavam da graça e da liberdade cristã para promoverem um conceito de liberdade estranha à verdade doutrinária proveniente da pregação apostólica. Usavam a livre graça e da liberdade cristã como um passaporte para uma vida imoral, carnal e sem santidade.
A Igreja, naquele contexto, experimentava não só a oposição externa dada à perseguição severa nos primeiros séculos de sua existência, mas, principalmente, experimentava a pior das oposições, a saber: a oposição interna dos falsos líderes, mestres e crentes que apresentavam suas doutrinas travestidas de fé, cheias de conveniências e humanismo, fantasiadas de evangelho e disfarçadas de piedade. A própria perseguição religiosa e a perseguição seguida de mortes e martírios pelo Império Romano significaram para a Igreja do Senhor um crescimento sem igual. A Igreja era como a mirra triturada e amassada que, em cada golpe, exalava seu perfume que atraia um numeroso povo à fé verdadeira. Mas, a pior das perseguições, geralmente, são aquelas que entram por meio de muitas brechas dentro das igrejas e assumem os púlpitos. Essas destroem comunidades, denominações e mancha completamente a sã teologia em muitos lugares. Se a igreja apostólica vivia já seus desafios, o que dizer hoje da Igreja moderna (ou pós-moderna como querem alguns)? Se já havia ali uma chuva de maus ensinamentos e uma proliferação de falsos mestres e teólogos, o que dizer de nosso tempo tão plural e diversificado? Judas escreveu a carta não só para refutar e se opor aos falsos mestres e aos falsos ensinos, mas, principalmente, para exortar a Igreja a batalhar pela fé e crescer em conhecimento da verdade, influenciando assim outros mais fracos e duvidosos na fé. Nossos desafios, embora sejam diferentes em alguns pontos e semelhantes em outros, recebem a mesma exortação dada por Judas: precisamos batalhar pela fé, urgentemente!

Desenvolvimento:

Judas, iniciando o assunto de sua carta (v.3), transmite pressa e urgência em corresponder-se com a igreja, exortando-os a batalharem pela fé.

Note que ele pretendia abordar com toda a diligência acerca da comum salvação, ou seja: Judas, em primeiro objetivo, iria propor uma carta de cunho mais teológico sobre a comum salvação. Contudo, diante dos fatos (que certamente tomou conhecimento estando longe), sentiu a obrigação de escrevê-los (e o termo obrigação no original exprime mesmo a ideia de urgência, necessidade e coação). Portanto, sabendo dos últimos fatos em relação aos falsos mestres e seus ensinamentos torpes, Judas imediatamente muda o curso de sua carta para incentivar a Igreja a batalhar, zelar e procurar crescer na fé genuína.

Essa necessária e urgente mudança de assunto significou um zelo nobre pelo Evangelho e pela Igreja, o que sinaliza um verdadeiro amor pelo rebanho e pelas coisas do Reino. A urgência de Judas nos ensina, de imediato, algumas verdades:

1) Devemos tomar conhecimento sobre tudo aquilo que está ao redor de nossa congregação e que envolve a nossa fé. Exemplo: precisamos procurar conhecer o que está sendo votado no parlamento e no senado. Precisamos saber o que nossa liderança política em geral está fazendo. Será que existe alguma proposta ou ação que vai contra a nossa fé e que poderia implicar numa futura dificuldade para a Igreja? Precisamos conhecer também os clamores de nossa sociedade. Precisamos conhecer algumas ideologias que vão contra à fé bíblica, pois essas vão querer entrar em nossas igrejas. A Igreja tem voz, a Igreja tem uma mensagem e a Igreja deve se movimentar de alguma forma. Somos sal e somos luz. Devemos penetrar bem na carne e jamais sermos pisados pelos homens. Nossa luz deve brilhar até o Dia do Senhor chegar. Lembrei-me agora dos falsos ensinos que invadiram também a igreja de Tessalônica e que certamente causaram dores de cabeça em Paulo. Lá, o problema era outro. Alguns diziam que a vinda de Jesus já havia acontecido, deixando a igreja inerte e aflita (2 Ts 2.1-3). Ou seja: todo o reboliço causado pelo próprio diabo para fazer a igreja parar a partir de falsas noções de que Cristo já veio. Inclusive, conheço grupos cristãos atuais que se fecham em si mesmos e se fecham totalmente para o mundo sob a égide que Cristo logo vem e, por causa disso, não é necessário se atentar para o atual contexto, pois tais coisas “devem mesmo acontecer”. Pois é! Muitas coisas devem mesmo acontecer. Muito há de vir ainda sobre o mundo e sobre a Igreja, mas, se o povo de Deus decidir ser passivo, ser apático e ser inerte, todas essas coisas preditas vão acontecer com mais intensidade e serão mais doloridas. A Igreja não é do mundo, mas está no mundo. Ela será tirada do mundo, mas, agora, ela se envolve com o mundo. Ou ela influencia ou é influenciada. Vemos isso acontecer em todos os cantos da terra. Existem ministérios fortes na fé, igrejas firmes na Sã Doutrina, mas existem ministérios e grupos que já se entregaram à dissolução, aceitando a proposta de nosso século. Portanto, necessário é trabalhar incessantemente pela fé. Crescer na fé. Multiplicar a compartilhar a fé.

2) Há, também, uma urgência para os nossos dias. A Igreja precisa urgentemente batalhar pela fé. Não importa de qual confissão soteriológica ela é. Não importa de qual convenção ela é. Não interessa o tipo de governo ela tem. Se for igreja, se ela está fundamentada na Santa Palavra e confessa a Cristo como único e suficiente Senhor, é santa e precisa batalhar pela fé que lhe foi dada. Judas coloca: “[…] exortando-os a batalhardes diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (v.3).

“Fé”, usada por Judas, trata-se da própria mensagem (ou o conteúdo da mensagem) ensinada pelo colégio apostólico. Não necessariamente a fé pessoal de cada crente, mas a fé comum dada a todos os eleitos (santos). Obviamente, a exortação a batalhar pela fé não implica somente numa oposição verbal ou ideológica, mas, sobretudo, pressupõe tão logo uma adesão séria à mensagem do Evangelho a fim de, com a própria vida, cada cristão viver o conteúdo da mensagem de Cristo. E, assim, a Igreja como um corpo e organismo vivo, poderá crescer em fé e se tornar sempre forte. Igreja que zela pela fé e que se mantém firme na Sã Doutrina é igreja impermeável em relação às enxurradas de nosso século.
A urgência existe, pois, como pode ser visto, há uma pluralidade de ideologias que são opostas à fé genuína e que se posicionam contra as verdades bíblicas. Se a igreja tem a Escritura como fundamento de fé e prática e não quer abrir mão de fé verdadeira, sua mensagem não pode jamais mudar. Não há negócio algum com as meias verdades e com as heresias! Não há acordo algum com as más teologias que transtornam o Santo Evangelho e o transforma em dissolução! Não há negociação alguma com os falsos líderes e seus argumentos! A Igreja deve reconhecer a urgência e se preparar a cada dia para permanecer na fé bíblica, pois o “evangelho” que temos assistido crescer (como um bolo cheio de fermento) por aí não é a real proposta de Jesus Cristo e muitos líderes e grupos que se denominam “cristãos” estão já longe de Cristo e não o têm como Senhor e Salvador. A Igreja não negocia sua verdade como alguns já fizeram! A Igreja – que permanece na fé e que batalha pela fé – está preparada para dizer não e não tomar, em hipótese alguma, a forma desse mundo.

A Bíblia é definição! Se ela é nossa regra de fé e prática, devemos ter uma posição definida! Eu devo ter uma posição definida! A Bíblia e a Igreja não têm preconceitos. Ela tem conceitos formados, definidos e verdadeiros. Portanto, o casamento correto é aquele que a Bíblia ensina e pronto! Não há negociação! O pecador não arrependido está condenado e pronto! Não há condenação e nem campanhas de bênçãos para os que não querem endireitar seus caminhos diante do Salvador. Para muitos, essa definição implica em fundamentalismo, mas não se trata de fundamentalismo. Fundamentalismo tem outra conceituação. A definição bíblica sobre diversos assuntos, temas, pecados e costumes é a mesma definição que qualquer cientista deve ter em relação aos seus pressupostos. Não há verdade científica sem pressupostos. Não há uma Igreja definida sem a definição bíblica! Não há caminho certo sem uma estrada definida. Portanto, não negociamos nossa fé, pois ela nos foi dada por nosso Senhor, ensinada pelo Espírito Santo e recebida pela Igreja para a glória de nosso Deus.

Bem, mas, diante da atual urgência e das enxurradas de ideologias, doutrinas e oposições, como se batalha pela fé? O que é batalhar pela fé?

Judas fala sobre isso. Veja que nos versículos 5 e 7, ele lembra a igreja de alguns fatos bíblicos que remetem a um juízo divino para aqueles que se opuseram e transtornaram a fé. Eis a primeira dica de se batalhar pela fé: inclinando-se para as Escrituras!

1) O alicerce da Igreja é a Bíblia! A direção segura do Espírito Santo dá-se através da própria Escritura, pois Ele nos capacita para guardarmos as palavras de Cristo (Jo 14. 16-21) e nela está revelada a vontade soberana de nosso Deus. A Bíblia é Deus falando! No versículo 17, Judas ainda diz: “[…] lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo […]. Considerando que o cânon bíblico ainda não havia sido fechado, as palavras dos apóstolos, junto com a Escritura veterotestamentária eram o paradigma para as igrejas. Judas fala no v. 17 das profecias apostólicas a respeito dos escarnecedores e opositores da fé. Isso nos ensina que, a Bíblia, como a Palavra de Deus, nos orienta e nos exorta a respeito de várias situações. Por isso, não negociamos nossa mensagem e precisamos manejar bem a Palavra da Verdade (2 Tm 3. 14-17). Pela Palavra da Verdade a igreja: a) permanece firme naquilo que aprendeu; b) vive na dependência daquele que ensina todas as coisas; b) conhece o seu Senhor e tem intimidade com Ele; c) é educada naquilo que é próprio do Reino e sabe se posicionar diante do mundo e das tantas dificuldades; d) caminha rumo à perfeição, se tornando cada vez mais próxima de Cristo.

(continua)

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