Discipulado Verdadeiro

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Discipulado, discípulo, fazer discípulos, seguir o Mestre. Estas são palavras comumente ouvidas em nossa vida na cristã. Palavras muitas vezes ditas, às vezes ouvidas, nem sempre compreendidas… Nos tempos atuais às vezes entende-se “discipulado” como aulas teóricas da duração de uma apostila, ser “discípulo” é um estágio até atingir o grau de membro da igreja e “fazer discípulos” é o ato de evangelizar. Será que realmente vivemos o modelo de discipulado deixado por Jesus?
No evangelho segundo João capítulo 1 versículos 35 a 42, encontramos algumas características do discipulado que agrada a Deus:

1 – O verdadeiro discipulado é aquele que faz discípulos para Jesus, não seguidores de homens (vs. 35-37). A Palavra nos ensina que João estava na companhia de dois de seus discípulos e, quando anunciou que Jesus era o Cordeiro de Deus, estes o ouviram “e seguiram a Jesus”. No modelo de Jesus discipulado anuncia Cristo e o discípulo segue somente a Cristo.

2 – Discípulo é aquele que tem prazer em ouvir Jesus (vs. 38,39).Em dias onde o tempo é escasso e lidamos com um mundo repleto de entretenimentos e distrações, o verdadeiro discípulo é aquele que busca tempo para ouvir os ensinos de Jesus e os prioriza. No texto vemos que os dois discípulos, apesar do horário avançado, reconhecem que Jesus é o Mestre e entendem que precisam estar com Ele o quanto pudessem.

3 – Discípulo é aquele que tem alegria em dizer que achou Cristo e de conduzir seus conhecidos a Ele (v. 41).
André, ao reconhecer ser Jesus o Messias prometido, encontra-se com seu irmão, Simão, e anuncia-lhe ter encontrado o Messias e o conduz a um encontro com Cristo. Um verdadeiro discípulo sente prazer em dizer que encontrou a salvação, é um portador de boas notícias e conduz os seus a Jesus.

4 – Jesus sabe quem são seus discípulos (v. 42).
Quando Simão é conduzido ao Mestre, antes que se apresentasse Jesus já o conhece e, ao dar-lhe um novo nome, prenuncia o ministério que Simão, agora Pedro, teria entre os discípulos. Antes de conhecermos a Jesus ele já nos conhecia.
Que você continue a ser um discípulo seguidor de Jesus. Que continue a alegra-se em aprender Dele, que anuncie a todos que o encontrou e que mais e mais pessoas sejam alcançadas por Jesus através de você.

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Pequena análise em Lucas 9: 10-17

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Logo após Jesus ter aplicado um “trabalho de campo” aos seus discípulos, enviando-os para anunciar o Evangelho, através da pregação e da cura de enfermidades (Lucas 9: 1-6), aconteceu a primeira multiplicação dos pães e peixes (Lc 9: 10-17).

O interessante nessa multiplicação foi o fato de a mesma ter como objetivo não só a simples alimentação da multidão ou a mera apresentação de poderes por Jesus Cristo. Não foi a experiência do milagre a única proposta da multiplicação, mas sim a prática do discipulado. Aliás, experiências que não geram ação, são experimentalismos vazios. Evangelho é ação!

O Evangelho torna-se efetivo quando o próximo é reconhecido através dos meus atos. Ser discípulo é aprender a agir conforme quer o Mestre, na total dependência e obediência ao Mestre. Por isso mesmo, no ato de comissionar seus discípulos à tarefa de sair e pregar o Evangelho, Jesus ensinou que:

A) É Ele quem convoca (v.1), sendo Deus quem nos chama;
B) É Ele quem nos capacita para o trabalho, concedendo-nos poder, talentos e dons (v.1);
C) É Ele quem nos envia e dá total condição para o cumprimento do serviço (v.2, 3);
D) É nele que devemos colocar nossa confiança e não em nossos próprios recursos (v.3);
E) E, por fim, nós devemos fazer tudo conforme suas ordens e sua Palavra (v. 4-6).

Tendo passado pelo teste prático que implicava sair, ir de encontro, pregar e ter contato com o próximo, uma nova lição viria, a saber, a primeira multiplicação de pães e peixes.

Creio que dois versículos vão demonstrar com mais veemência o que quero dizer nesta análise. Esses são:

“[…] Dai-lhes vós mesmos de comer” (v.13) e, “[…] abençoou e partiu e deu aos seus discípulos para que distribuíssem entre o povo” (v.16).

Eles viram o milagre. Mas, eles puderam participar do milagre. Aí residia o ensinamento. Participar do milagre do Evangelho implica o serviço que enxerga e reconhece o próximo, o outro, o “nós” e não o “eu”. Sair e pregar é fundamental e é parte indiscutível da missão, mas o contato pode definir muita coisa positivamente.

Jesus sabia da condição de seus doze discípulos, assim como sabia também que eles não tinham alimentos suficientes para satisfazer uma multidão. Mas, quando Jesus pede para que eles mesmos dessem ao povo algo para comer, queria testá-los e chamar a atenção dos mesmos (e também a nossa) para a seguinte reflexão:

a) Não temos recurso algum para alimentar todo esse povo. Mas, temos a Palavra. É a partir da Palavra que agimos!

b) Nada podemos fazer se Deus não for conosco e operar um milagre;

c) O alimento que pode saciar o povo, não vem de nós, mas vem de Deus e sua Palavra Santa;

d) Contudo, podemos participar desse milagre, em obediência, distribuindo ao povo aquilo que vem de Deus. Esse é o nosso trabalho e a nossa missão! Fazer a vontade de Cristo é a nossa missão; Eis aí o partir do pão como responsabilidade da Igreja! Fazer a vontade de Cristo revela ao meu próximo quem é Cristo que pregamos! Portanto, palavras com ações são transformadoras.

e) De nossos poucos recursos, Deus ampliou e multiplicou, dando-nos condição de fazer aquilo que Ele pediu e nos comissionou. Portanto, é a partir de Deus que o recurso e a condição para a realização da cada tarefa é dada. Mas, é a partir de nós mesmos que a missão será cumprida.

f) Nossa missão deve ser realizada em meio ao povo, em meio à multidão e não distante deles. Cabe a nós distribuir o alimento que vem de Deus e não deixá-los famintos. É o constante repartir do pão. É a prática da comunhão. Só conhecemos a necessidade do nosso próximo se estamos, de alguma forma, perto dele. Devemos conhecer o contexto de cada um, a necessidade de cada um, o valor de cada um.. Só assim podemos orar com mais efetividade, só assim podemos pregar com mais eficiência… A Palavra de Deus, a mensagem do Evangelho é eficiente em todos os sentidos. Contudo, ela vai brotar melhor e dar mais frutos no campo mais bem preparado. Esse campo bem preparado é o campo onde o cristão genuíno trabalha e se faz presente, sempre perto e nunca longe.

Vale lembrar que, mais tarde, Jesus pergunta:

“Quem diz a multidão que eu sou?” (9:18).

Os discípulos, portanto, passam ao Mestre o relatório bem detalhado sobre a crença, sobre a expectativa e sobre o pensamento da multidão. “E, respondendo eles, disseram: João o Batista; outros, Elias, e outros que um dos antigos profetas ressuscitou” (9:19).

Só podemos conhecer a necessidade, expectativa, crença, e a realidade geral da multidão se estivermos entre a multidão. Como? Em ajuda mútua, evangelismo, ação social, exemplo pessoal, adesão séria, etc. Muitos exemplos!

Ser discípulo é seguir o Mestre em tudo! Ser bom discípulo não implica necessariamente ter os cestos cheios o suficiente para alimentar a todos, mas sim ter o cesto na mão e a real disposição para sair distribuindo o alimento. Ser discípulo é viver do milagre e, principalmente, mostrar o milagre através do exemplo, do afeto, do contato, do relacionamento e da boa influência. É salgar a carne, penetrando em todo lugar. É ser luz num mundo de trevas. É sair, ir de encontro onde o necessitado está. É estender a mão. É conhecer o contexto do outro e olhar para o mesmo com amor, tendo na consciência o amor de Cristo. Jesus Cristo é suficiente e eficiente para salvar e transformar meu próximo e Ele pode fazer isso através de minha própria vida.

Se sou salvo, logo me compadeço do meu próximo. Se compadeço, logo vou de encontro e o sirvo…

Que Deus nos capacite para o bom trabalho!
Gabriel Felipe M. Rocha (30/05/2015)

Por que seguir Jesus?

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Na cultura de hoje, somos mais pragmáticos que reflexivos. Obcecados em saber o que dá certo e qual o passo a passo para o sucesso, nós nos esforçamos para repetir a fórmula. Preocupamo-nos menos com o porquê das coisas funcionarem. O discipulado não é exceção. Muitos trocaram o porquê pelo como; a motivação pela melhor prática. Isso é desconcertante. A questão é que a prática pode levar-nos apenas até certo ponto. Quando chegam as dificuldades, a prática precisa de motivação para continuar.

O que te motiva a seguir Jesus? Se esta não é uma questão que você continuamente pondera e responde, você se afastará de Jesus ao invés de segui-lo.

O discípulo pragmático

Devido à inclinação pragmática de nossa cultura, o mantra do discipulado moderno é “faça discípulos que façam discípulos”. Esse mantra é pragmático e reprodutivo. A reprodução pragmática é a principal preocupação de Jesus? Quando veio proclamar o evangelho do Reino, ele transmitiu uma mensagem inspiradora e depois passou os três pontos de ação sobre como fazer discípulos? Com certeza, o que ele fez foi nos dar exemplo, instruir e enviar (Lucas 9-10). O Reino de Deus está incorporado a um DNA reprodutivo (refletido em algumas das parábolas agrícolas de Jesus). Mas o Reino de Deus também é lento e profundo. Ele se estende por períodos árduos e pelas profundezas do coração humano. O reinado de Cristo penetra nosso DNA, nos motivando continuamente.

Ao invés de focar o seu treinamento no “como”, Jesus incansavelmente chegava ao “porquê”. É por isso que muitos de seus ditos são inquietantes. Como um mestre, ele despertava a reflexão, e não apenas a ação:

Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; Mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça (Lucas 9:57-58)

Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus. (versículos 61-62)

Jesus nos força a refletir sobre os nossos motivos para segui-lo. Se vivemos para o conforto e facilidade, não vamos desistir da nossa cama, dinheiro e entretenimento para segui-lo. Se a comunidade ideal é o que motiva as nossas decisões, não vamos desistir de amigos e familiares. Jesus é claro. Se quisermos ser seus discípulos, devemos ser motivados por algo maior do que o conforto e a comunidade. Seu Reino deve nos motivar, e o Reino requer sacrifícios.

Verdadeiros discípulos considerarão e assumirão o custo de segui-lo vez após vez. Eles suportarão porque, ao encontrar o Reino, eles encontrarão um Rei digno de seu sacrifício. Procurando o porquê de sua existência, eles descobrirão uma pérola de grande valor. Os discípulos que são motivados pelo pragmatismo só podem considerar o custo e abraçar a causa de fazer discípulos que fazem discípulos, mas quando chega o momento decisivo, eles se afastam de Jesus, e não o seguem. Precisamos de mais do que os “comos” do cumprimento da Grande Comissão para atravessarmos as adversidades que advêm com o buscar primeiro o Reino de Deus.

O discípulo de Jesus

Quando Jesus proferiu o sermão do monte, ele o encheu de motivação do Reino. A orientação principal para fazer discípulos é precedida pela imagem de um rei ressurreto e radiante, com poder e autoridade no céu e na terra (Daniel 7:9-14; Mateus 28:17). Ele é forte o suficiente para depor as nações, e glorioso o suficiente para convocá-las à sua adoração. Somos enviados sob essa proteção. Não somos enviados na autoridade de nossa própria experiência, mas na autoridade de seu senhorio. Nossa história não é suficiente para “fazer um discípulo”, mas a história dele é. Por que cumprimos o ide? Para batizar em seu nome, não em nosso. Fazer discípulos de todas as nações não é uma causa pessoal, é o plano redentor do próprio Deus. A nossa motivação, então, resulta de uma submersão na graça de Deus, e não do alinhamento dos outros com a nossa maneira de fazer as coisas.

Como podemos continuar a fazer discípulos quando estamos submersos no pecado até o pescoço? Temos que lembrar que o sucesso da nossa missão exige não só a autoridade do Rei, mas também a misericórdia do Messias. Ele é o Discípulo que tem sucesso onde nós falhamos, em perfeita obediência a Deus. Nós estendemos a misericórdia que vem das misericórdias dele, as quais se renovam a cada dia.

Mas e se o campo missionário for muito difícil? Eis que ele está conosco sempre, até o fim dos tempos. Nós dependemos não só da obediência passada do Discípulo Fiel, mas também da atual presença do Senhor ressurreto. Fazemos discípulos na autoridade de Jesus, imersos na graça de Jesus, permanecendo na misericórdia de Jesus, com a promessa da presença eterna do Rei Jesus. Os discípulos precisam recuperar a motivação única para suportar todo o custo – a suficiência infinita e o esplendor do nosso Senhor.

Por que seguimos Jesus? Por causa de quem ele é. Se tivermos Jesus, temos mais do que o suficiente para fazermos discípulos.

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Rev. Jonathan K. Dodson

Rev. Jonathan K. Dodson é pastor da Austin City Life, uma igreja localizada em Austin, Texas. Ele é autor do dos livros Gospel-Centered Discipleship e Unbelievable Gospel: Sharing a Gospel Worth Believing.

Breve reflexão sobre o serviço Cristão II

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Todo cristão convicto de sua fé, seja homem, seja mulher, adolescente ou jovem, crescido em graça e em conhecimento e aprovado entre os homens, está apto para servir a Deus de alguma forma.
Todo genuíno cristão é vocacionado para os diversos serviços no Evangelho por meio de seus dons e talentos. Aliás, o serviço a Deus e frutos do trabalho cristão são ordenanças (Mc 16: 15; Jo 15:1-11). Alguns almejam um determinado tipo de serviço, outros já têm total inclinação para o exercício de tal. Contudo, para todos, é necessário ter em mente duas premissas ou pressupostos fundamentais:
1) A motivação em servir (em que área for) deve ser para a glória de Deus (somente a Deus a glória);
2) A motivação para servir deve partir de um sincero desejo de ser útil a Deus e de ser servo do seu próximo.
Se existir qualquer outra motivação que substitua uma dessas duas motivações, você certamente não entendeu o seu chamado e, nem mesmo, entendeu o que é servir a Deus. Repense sua vida!
Se existir qualquer outra motivação que venha acrescentar algo a essas duas principais, como: querer luzir entre os homens, atender ao próprio ego e ambicionar posições e títulos, cuidado! Sua motivação pode estar totalmente errada. Repense o seu chamado.
No entanto, se arder em seu coração um profundo desejo de querer realizar a obra de Deus e servir em total submissão e humildade ao Senhor e não se ver realizando qualquer outra coisa – mesmo se for bem sucedido nessa -, seu coração pode estar genuinamente inclinado pelo bom e agradável serviço no Evangelho.
E se sua vida cristã for sinalizada por bons frutos a Deus, por um testemunho pessoal irrepreensível, por uma frutificação espiritual, por uma vida piedosa, e por um fervoroso amor pelas almas perdidas, acompanhada por boas qualidades e habilidades provadas, sua vida será um instrumento para Deus e Ele te usará em seu tempo determinado. Não importa como, onde, quando, com quem ou com quanto. A verdadeira e efetiva vocação se manifestará em boas obras e bons frutos conforme DEUS QUER!
Que Deus abençoe nossas vidas e acrescente em nosso coração mais devoção e oportunidades.

“Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus […]” (2Tm 2:1);

“[…] sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra […]” (Tito 3: 1);
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Gabriel Felipe M. Rocha.

(Baseado no livro “O Chamado Para o Ministério”/ C.H. Spurgeon)