Ser discípulo: lições e implicações (Parte 1)

(Por Gabriel Felipe M. Rocha)

 

[…] Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus (Lucas 9: 62)

 

No capítulo 9 (versos 57- 62) do Evangelho segundo Lucas, há um importante ensinamento para quem pretende ser discípulo de Jesus. Daremos ênfase, portanto, ao verso 62. No entanto, caberá aqui uma breve abordagem do capítulo 9.

Interessante que, em todo o capítulo 9, há uma bela sequência de ensinamentos que remetem à prática do discipulado. Creio que o último versículo do capítulo 9 (v. 62), onde Cristo chama a atenção para o exemplo do arado e da firme adesão e decisão em relação ao serviço do Evangelho, é um relevante fechamento de toda essa sequência de ensinamentos.

Nos primeiros versículos, onde houve a convocação dos doze para uma missão específica, Jesus deixa alguns ensinamentos práticos para seus discípulos, incluindo, os doze discípulos principais.

Ocorreu, então, um trabalho de campo (v. 1-6), onde Jesus ensinou que:

  1. É Ele quem convoca (v.1), sendo Deus quem nos chama;
  2. É Ele quem nos capacita para o trabalho, concedendo-nos poder, talentos e dons (v.1);
  3. É Ele quem nos envia e dá total condição para o cumprimento do serviço (v.2, 3);
  4. É nele que devemos colocar nossa confiança e não em nossos próprios recursos (v.3);
  5. E, por fim, nós devemos fazer tudo conforme suas ordens e sua Palavra (v. 4-6).

Houve também a multiplicação dos pães e peixes (v. 10-17). Foi essa a primeira multiplicação. O interessante nessa multiplicação é o fato de, a mesma ter como objetivo não só a simples alimentação da multidão ou a mera apresentação de poderes por Jesus Cristo. Não foi a experiência do milagre a única proposta da multiplicação, mas sim a prática do discipulado. Aliás, experiências que não geram ação, são experimentalismos vazios. Evangelho é ação! Ser discípulo é aprender e agir conforme quer o Mestre. Creio que dois versículos demonstram com mais veemência o que quero dizer. Esses são: “[…] Dai-lhes vós mesmos de comer” (v.13) e, “[…] abençoou e partiu e deu aos seus discípulos para que distribuíssem entre o povo” (v.16). Eles viram o milagre. Mas, eles puderam participar do milagre. Aí residia o ensinamento.

Primeiro: Jesus sabia da condição de seus doze discípulos, assim como sabia que eles não tinham alimentos suficientes para alimentar uma multidão. Mas, quando Jesus pede para que eles mesmos dessem ao povo algo para comer, queria testá-los e chamar a atenção dos mesmos (e também nossa) para a seguinte reflexão:

a) Não temos recurso algum para alimentar todo esse povo;

b) Nada podemos fazer se Deus não for conosco e operar um milagre;

c) O alimento que pode saciar o povo, não vem de nós, mas vem de Deus;

d) Contudo, podemos participar desse milagre, em obediência, distribuindo ao povo aquilo que vem de Deus. Esse é o nosso trabalho e a nossa missão! Fazer a vontade de Cristo é a nossa missão;

e) De nossos poucos recursos, Deus ampliou e multiplicou, dando-nos condição de fazer aquilo que Ele pediu e nos comissionou. Portanto, é a partir de nós mesmos que a missão será cumprida, sendo de Deus a provisão.

f) Nossa missão deve ser realizada em meio ao povo, em meio à multidão e não distante deles. Cabe a nós distribuir o alimento que vem de Deus e não deixá-los famintos.

Portanto, meus queridos leitores, mais um ensinamento, relacionado à prática do discipulado se apresenta a nós em total relevância.

Outro fato pertinente ao aprendizado dos discípulos ocorre logo após o milagre da multiplicação, a saber: a confissão de Pedro (v. 18 – 20).

Os discípulos estavam já envolvidos com o ministério de Jesus. Já haviam visto muitos milagres e ouvido muitos sermões e parábolas. Mas não tinham, porém, uma visão completa de quem era Jesus, ou seja, desconheciam a profundidade e o caráter profético do ministério de Jesus Cristo sobre a terra; eles desconheciam a divindade daquele Jesus. Para muitos deles, Jesus era o homem, o profeta e aquele que operava muitos milagres.  Alguns até o trataram como o Messias (Jo 1: 41), mas ainda desconheciam a grandeza de propósito da sua vinda. Tanto que, na resposta que Pedro deu sobre quem é o Cristo (v.20), tendo ele recebido do próprio Deus tal revelação (Mt 16: 17), Jesus destacou a bem-aventurança de Pedro, dando a entender com clareza que, em detrimento dos outros discípulos, Pedro alcançara algo espiritualmente profundo. Algo que os colegas ainda não haviam recebido, tampouco entendido.  Uma lição que temos a partir disso é a seguinte:

  • Muitos estão nas igrejas, até fazem parte de algum ministério em suas igrejas locais, mas ainda não conheceram com profundidade o Cristo a fim de fazerem a sua vontade. Em seus corações não houve ainda a real conversão e o efetivo conhecimento de Jesus como o Filho de Deus, o Cristo que é Senhor e que pode salvar;
  • O discípulo é aquele que conhece o seu Senhor e que recebeu em seu coração a revelação de Jesus Cristo pela pregação da Palavra e pela fé;
  • Não pode haver um trabalho evangélico eficaz se aquele que se diz servo não conhecer o seu Senhor e não ser participante dos mistérios de seu Senhor;
  • Na ocasião da revelação dada a Pedro sobre quem era o Cristo, o mistério ainda estava oculto aos santos, mas foi revelado após a ressurreição e pentecostes. (Jo 21: 1; At 1: 6-8; Cl 1: 26; Cl 2: 2,3). Além do mais, a Igreja tem hoje a Escritura que é a revelação especial dos mistérios de Deus, sendo ela a revelação de Jesus Cristo (Jo 5: 39; At 17: 11; 2 Tm 3: 16).

Tendo, portanto, conhecido o seu Senhor, o bom discípulo está apto para servi-lo.

Continua na próxima postagem.

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